Money Week: FII mostram resiliência frente à crise

Marcia Furlan
Jornalista com mais de 30 anos de experiência. Trabalhou na Editora Abril e Agência Estado, do Grupo Estado, como repórter e editora de Economia, Política, Negócios e Mercado de Capitais. Possui MBA em Mercado de Derivativos pela FIA.
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Crédito: Money Week/Reprodução

A indústria dos Fundos Imobiliários tem mostrado maior resiliência diante da crise causada pela pandemia de coronavírus e contrariado prognósticos feitos em março, quando o mundo virou de cabeça para baixo. O índice que apura o desempenho dos FII na bolsa, o IFIX, registra uma queda próxima de 12% no ano, contra um recuo na casa dos 25% do Ibovespa, o principal índice de ações do Ibovespa.

O número de cotistas continua a crescer mês a mês e a queda de preços e demanda por imóveis, que poderia comprometer o desempenho da indústria, não se verificou na maioria das principais regiões.

A avaliação foi feita pelo professor de Finanças e apresentador do Fundos Imobiliários, Arthur Vieira de Morais, e pelo CEO e sócio-fundador do Clube FII, Rodrigo Cardoso. Eles participaram da live Fundos Imobiliários: Cautela pode revelar boas oportunidades, no penúltimo dia da MoneyWeek, com mediação da jornalista Fabiana Panachão.

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Rendimentos

Os especialistas advertem que obviamente houve redução de rendimentos de grande parte dos FII – alguns até suspenderam proventos, sobretudo os ligados a shoppings centers.

Porém, muitos mantiveram a distribuição apesar da crise e independentemente da redução no preço das cotas.

Morais e Cardoso advertiram que os Fundos Imobiliários têm que ser vistos como investimentos de longo prazo. Isto significa que o desempenho negativo nesses seis meses de crise tende a ser diluído sob a perspectiva de um período de 10 anos ou 15 anos.

E, o mais importante, a exemplo de um investimento direto em imóvel, o patrimônio estará sempre lá, apesar das intempéries do mercado. Com a vantagem adicional de que pode se reinventar. “Quem tem pensamento de curto prazo não pode estar em renda variável”, alerta Cardoso.

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Segmentos

O executivo chamou a atenção para as previsões pessimistas no começo da crise com relação ao segmento de lajes corporativas. Frente à percepção de que o home-office veio para ficar, muitos passaram a prever que esses imóveis possam se desvalorizar. “Não acredito nisso, pode ter uma diminuição, mas o espaço pode ser readaptado para outras finalidades, principalmente por terem localizações valorizadas, não ficará inutilizado”, afirmou.

Há ainda outro fator favorável. Muitos projetos foram interrompidos em razão da crise. Isso significa que não haverá forte crescimento dos estoques nos próximos anos, restringindo a oferta.

Longo prazo

Moraes destaca que quem investe com visão de longo prazo e reaplica os rendimentos, pode usar esses momentos de baixa para ampliar sua carteira, comprando cotas com preços atrativos, aumentando seu patrimônio e rendimento progressivamente.

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A recomendação ao investidor de fundos é diversificar os segmentos em que aplica, a fim de diluir riscos, desta forma consegue escapar das oscilações das condições econômicas.

Ele exemplifica que, no começo do ano, a orientação era investir em fundos de lajes corporativas e shoppings, pois as expectativas para esses dois segmentos eram as melhores. Depois tudo mudou. Nesse caso, quem tem um portfólio diversificado e não aposta em um só lugar sofre menos.

O professor disse ainda que, na hora de escolher um fundo, o investidor tem que prestar a atenção em dois pontos principais: a qualidade do imóvel ou dos imóveis e a eficiência e competência do gestor. “As duas coisas juntas vão garantir retorno por muitos anos”, afirmou.

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