Money Week: CEO do Google diz que digitalização forçada é janela para empreender

Naiana Oscar
Colaborador do Torcedores
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Crédito: Reprodução

A pandemia fez com que pessoas e empresas tivessem que se digitalizar na marra. Essa imposição trazida pela crise de saúde pública vai significar, mais adiante, oportunidade para startups, fintechs e empreendedores de diversos ramos da economia.

Essa é a avaliação de Fabio Coelho, presidente da operação brasileira de uma das maiores companhias de tecnologia do mundo, o Google.

Ele participou nesta sexta-feira (26) de uma das últimas lives da Money Week, ao lado de Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank.

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Os dois falaram sobre os desafios que a pandemia impôs às suas empresas e como enxergam o futuro pós-Covid.

“Hoje eu vejo que metade das viagens de negócios que eu fazia para a Califórnia, por exemplo, podiam ser evitadas”, diz. “O home office pode ser adotado e melhorar a qualidade de vida das pessoas.”

Esses e outros exemplos de digitalização forçada abrem, segundo Coelho, uma reflexão sobre como a sociedade interage. E não só isso: mostra diversas frentes de novos negócios a serem explorados pelos empreendedores.

Para o presidente do Google, outro legado dessa pandemia é o olhar social e a noção de que estamos todos realmente conectados. “Solidariedade é um fator de competitividade e eficiência. As empresas precisam entender isso.”

Cristina, do Nubank, reforçou essa ideia. “As pessoas devem estar no centro. Elas vão se lembrar, ainda mais depois de uma pandemia, como foram tratadas pelas empresas, sejam elas clientes ou funcionários.”

Operação home office

Não é de se admirar que tanto Google quanto Nubank, duas empresas genuinamente digitais, tenham agido rapidamente para se adaptar ao isolamento social.

No Brasil, os 1000 funcionários do Google estão trabalhando de casa desde o dia 13 de março. “Foi relativamente simples levar as pessoas para casa e deu muito certo.”

No banco, foram necessárias 24 horas para fazer a virada e colocar todos os 1300 funcionários em home office. Eles estão devidamente equipados, inclusive com as cadeiras que eram do escritório.

Esse esquema de trabalho vai ser mantido até o fim do ano no Nubank. E Cristina já enxerga oportunidades com a nova configuração.

“Hoje, temos funcionários de 34 nacionalidades trabalhando aqui no Brasil. Estamos animados com a possibilidade de poder contratar pessoas onde quer que elas estejam, sem necessidade de mudar de país.”

Para a executiva do Nubank, os espaços corporativos tendem a se tornar espaços de socialização, para eventos, treinamentos.

“Há maneiras mais eficientes de pensar o trabalho, sem tanto custo ambiental, deslocamento.” Meio milhão de pessoas recebeu o auxílio emergencial no banco digital.

Digitalização: mudança de hábitos

A digitalização forçada refletiu diretamente nos números de Google e Nubank. “O crescimento do Youtube, por exemplo, foi impressionante. Das 10 maiores lives realizadas no mundo, oito são brasileiras”, diz Coelho.

Além disso, a empresa oferece plataformas para aulas remotas, que também contaram com a adesão de milhares de estudantes e professores nos últimos meses.

No Nubank, destaque para as compras online e maior uso do cartão de débito (em substituição ao dinheiro). Além disso, houve um aumento no número de clientes com mais de 60 anos.

“Estamos abrindo mais de 40 mil contas por dia. E desde março temos mais de 70 mil novos clientes com mais de 60 anos”, diz Cristina.

Sobre inclusão financeira, Cristina destaca ainda um outro dado interessante. Ela lembra que o país, antes da pandemia, tinha 45 milhões de brasileiros desbancarizadosnceiro.

A Caixa Econômica Federal estima que cerca de 30 milhões de contas digitais teriam que ser abertas como consequência do pagamento de emergência.