Money Week: Cristina Monteiro e a relação que as mulheres têm com o investimento

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Cristina Monteiro já passou por vários cargos de liderança ao longo da sua carreira, incluindo o Banco Chase Manhattan, Goldman Sachs e Bank Of America. Em 2018, pediu demissão do J.P Morgan para se candidatar à deputada estadual pelo Partido Novo. Embora não tenha sido eleita, ela se mantém ativa nas questões políticas do país.

Ela foi entrevistada no último dia do Money Week, rodada de conversas e debates promovida pela Transformação Digital e pela EuQueroInvestir!, que começou dia 25 de novembro e termina nessa sexta-feira, dia 29.

Todo o conteúdo dos cinco dias da Money Week está disponível gratuitamente neste link, para qualquer pessoa que esteja interessada em conhecer mais sobre o mundo amplo e intrigante do mercado financeiro.

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A importância para as mulheres

Qual o perfil da mulher investidora? Seriam elas mais ou menos arrojadas que os homens? Há diferença? “Culturalmente, há muitos anos, a mulher praticamente concede ao homem essa responsabilidade das finanças da casa. É algo histórico. A mulher sempre delega ao homem, que sempre foi aquele provedor”, diz Cristina.

Monteiro coloca também em contexto que “a mulher ganha menos do que o homem e existem razões para isso. A pessoa que eu sou hoje foi construída quando eu era criança. E a criança é estimulada diferentemente quando é menina ou menino. Estimula-se uma menina, inconscientemente, com brinquedos mais leves, cores mais suaves; e o menino é estimulado com mais ação e movimento, formando o cérebro dela”.

É importante, pois, as mulheres terem controle sobre suas finanças. “É a obtenção da sua liberdade”, ressalta Cristina. “A liberdade econômica carrega em si outras liberdades – tem a liberdade de pensar, de escolha, a liberdade emocional. Se a mulher (está presa a uma relação porque) depende do homem, fica muito difícil para essa mulher resolver qualquer situação, porque ela tem essa dependência”.

Desmistificando e desconstruindo

É preciso desmistificar que a mulher é fútil, lembra ela, que não é boa em lidar com dinheiro e que gasta muito. Consumir é uma condição do ser humano, não especificamente das mulheres.

Cristina relembra que esses mitos crescem e se solidificam culturalmente: “a gente vem carregando isso há gerações, a gente tá aprisionada nessa armadilha e vai acreditando”.

“A mulher opta por investimentos mais conservadores, ela toma menos riscos”, diz Cristinas respondendo à pergunta sobre o perfil da investidora-média. Tradicionalmente, “ela coloca (o dinheiro que sobra) em caderneta de poupança, compra de imóveis, porque aquilo traz mais segurança, é onde ela se sente mais confortável”, pensa.

Mulheres protagonistas

“O mercado financeiro é um ambiente predominantemente masculino”, ressalta Cristina, mas as mulheres precisam se portar como “protagonistas da própria vida”, com educação e experiência financeira e passar a tomar mais risco.

“Ao tomar mais risco, meu portfólio foi ficando maior. Eu perdi dinheiro, mas faz parte; é muito importante incentivar as mulheres a estudar, discutir sobre o assunto”, diz.