Money Week: Alexandre Sabanai analisa o impacto das reformas no futuro da economia brasileira

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Money Week

Alexandre Sabanai é sócio responsável pela pesquisa e a cogestão dos fundos abertos da Perfin Asset. Em um levantamento feito pela Istoé Dinheiro em 2019, um de seus fundos foi apontado como o quinto mais rentável do Brasil da última década.

Ele está no último dia da Money Week, semana de entrevistas organizada pela Transformação Digital e pela EuQueroInvestir!, que começou em 25 de novembro e vai até esta sexta, com todo o conteúdo disponível de forma gratuita neste link, para qualquer pessoa.

Com seu conhecimento, Sabanai respondeu uma questão muito importante: o quanto as questões políticas afetam de fato a economia no Brasil?

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Desafios

Sabanai coloca em perspectiva o novo cenário econômico, que já apresenta um desafio: como o investidor vai rentabilizar a partir de agora, num quadro de juros baixos e sustentáveis, tomando risco? “É um paradoxo, porque a gente viveu desde 1994, com o Plano Real, várias janelas muito oportunas para se obter boa rentabilidade, correndo baixo risco. O brasileiro está mal acostumado”, diz.

Inflação controlada, sistema de câmbio flutuante e risco fiscal baixo: o tripé macroeconômico está mais ou menos controlado desde então. Mas há sobressaltos, especialmente no risco fiscal, já que o governo sempre gastou mais do que devia.

Agora, o recado que se passa ao mercado é o contrário, por isso os juros podem cair a patamares nunca vistos antes, fazendo com que o investidor mal acostumado com a renda fixa tivesse que passar a assumir riscos. Faz parte dos desafios que o investidor tem que enfrentar.

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Custo de oportunidade

A taxas de juros em patamares baixos oferece à economia o que Sabanai chama de “custo de oportunidade mais baixo” para quem pretende empreender e investir. “Há muito capital represado”, ele avisa.

“Quando a gente olha um filme desde o começo do processo de privatizações, lá do começo, com a telefonia, depois as concessões de infraestrutura, como as estradas, os portos e, mais recente aeroportos, e o que pode vir, o volume de capital a ser investido é muito grande. Gera adjacências dessa alocação de capital”, ele lembra. “Quando você privatiza um aeroporto, quais são as oportunidades? Pode ter investimentos em estacionamentos, restaurantes, serviços diversos, rede hoteleira, uma avenida de novas oportunidades se abre”, observa.

E o custo de oportunidade com os juros baixos para quem quer empreender diminui. “O livre comércio floresce”, exalta.

Prazo para a retomada

“O que a gente viveu desde o processo de impeachment, quando existiu uma expectativa de retomada muito forte, foi relativamente frustrante”, ele diz. Mas será em 2020?

Sabanai distingue as reformas como “defensivas” e “atacantes”: “As defensivas são as reformas para não tomar gol, como a do Teto dos Gastos, a da Previdência – são reformas que não incentivam nada, ninguém a investir, é para o país não quebrar. Agora, o foco são as reformas atacantes. Você tem a MP da Liberdade Econômica, embora o efeito não seja imediato. Tem a Cessão Onerosa. A reforma Tributária é supercomplexa e vai tentar simplificar e reduzir alíquotas”.

Ou seja, os efeitos não são imediatos e a pressão continua para resultados.

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