Money Week: Alan Fernandes fala sobre a presença do capital chinês no Brasil, “um destino prioritário”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / Money Week

Alan Fernandes é o CEO da Haitong Bank no Brasil. O banco chegou ao país no primeiro semestre de 2000 e é controlado, diretamente, pelo Haitong Bank com sede em Portugal e, indiretamente, pela Haitong Securities, Banco de Investimento com sede em Xangai, China.

O CEO foi o entrevistado de Fabiana Panachão no terceiro dia da Money Week, semana de entrevistas promovida pela Transformação Digital e pela EuQueroInvestir!, que vai de 25 a 29 de novembro, com conteúdo gratuito neste link.

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A política de atuação do banco abrange a prestação de serviços de assessoria financeira nas áreas de mercado de capitais, fusões e aquisições, financiamento de projetos, operações estruturadas, tesouraria e gestão de riscos.

O capital chinês no Brasil

Durante o mais grave da crise brasileira nos últimos quatro anos, foi o capital chinês que seguiu aportando no país. Não só uma questão de oportunidade, mas estratégica, já que a China ia na contramão dos outros países, procurando, ao se antecipar, se consolidar quando a economia viesse a mostrar um caminho de recuperação – algo que acontece agora.

“O capital chinês já veio de forma mais aguda para o Brasil nos últimos dez anos, desde 2010, quando se iniciou um movimento de forma mais intensa, principalmente no setor de energia”, diz Alan Fernandes. “Acompanhando esse movimento, os investimentos se ampliaram, fazendo com que a China fosse hoje o maior fornecedor de investimento estrangeiro direto no país. O cenário de infraestrutura no Brasil é atrativo, dada a nossa enorme necessidade de investimento, na melhoria dos diferentes modais de transporte de carga, de energia, de telecomunicações – essa vai ser outra fonte de investimento – e saneamento, que vai ser outra fonte de atração de capital estrangeiro”, analisa.

Segundo Alan, a China tem uma postura de longo prazo: “o investimento chinês é baseado não numa visão mais curta, especulativa, mas sempre numa visão mais estratégica, de permanência ao longo de muito tempo – um pouco da característica da cultura chinesa, com cinco mil anos de história”.

Essa participação mais alongada é importante porque o país tem um investidor perene, que consegue se adaptar às características e cultura de cada mercado que entra.

Confiança jurídica e política

Alan aponta não só a recuperação econômica como um ponto positivo, mas também a atuação do governo no aceno ao capital estrangeiro: “a característica do investimento chinês passa de forma muito aguda pela confiança na estabilidade política e jurídica, e a visita do presidente Bolsonaro, que aconteceu no final de outubro, trouxe essa confiança, na forma de aceitação desses investimentos, (mostrando) que são bem-vindos”.

“Dez anos atrás”, ele prossegue, “tínhamos 40 empresas chinesas operando no Brasil. Hoje, esse número já é de cerca de 200 empresas. Em diferentes segmentos, inclusive no financeiro. Os grandes bancos comerciais chineses já estão no Brasil. A China tem no agronegócio uma presença forte, (bem como) no setor de tecnologia, no setor financeiro. Na parte de meios de pagamento, onde os chineses estão bem evoluídos, a gente começa então aver uma ampliação do interesse, e quanto mais segurança jurídica, quanto mais o discurso do governo for afinado com a atratividade do capital externo, a garantia dos aspectos regulatórios, isso diminui a percepção de risco do investidor estrangeiro”.

Prioridade

“O Brasil foi definido pelo governo chinês como um destino prioritário, num horizonte de três, quatro anos. O Brasil foi definido pela estratégia macro – que é outro ponto interessante da cultura chinesa, a questão do planejamento de longo prazo, os desenvolvimentos não são feitos de forma abrupta”, diz, referindo-se à maneira como os chineses encaram as oportunidades no nosso país.

O quadro de atração é positivo: “Nós temos uma classe média na ordem de 40 milhões de pessoas (10% da classe média chinesa), temos um mercado interno pujante, temos recursos minerais, temos uma estrutura que necessita ser melhorada, mas somos também uma referência no ponto de vista de produção alimentar. E aí tem uma questão que é relevante: segurança alimentar é um conceito crítico para o povo chinês. Por dia, a China tem que colocar 4,5 bilhões e refeições na mesa, café da manhã, almoço e jantar. Há uma mudança de consumo, um maior consumo de proteína vegetal e animal. Assim, o Brasil é um natural parceiro. Os chineses entenderam isso”.

Ou seja, a China veio para ficar muito tempo, investindo, gerando emprego e trocando conhecimento.

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