MoneyWeek: a importância do planejamento e da reserva de emergência

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Youtube

A pandemia de coronavírus pegou o mundo desprevenido e quem não tinha reserva de emergência aprendeu da pior maneira possível o quanto ela é fundamental para todo tipo de investidor, seja ele conservador, moderado ou agressivo.

“Acho que ninguém jamais esperou recorrer à reserva de emergência em meio a uma pandemia mundial. Por esta, ninguém esperava”, afirmou a apresentadora Fabiana Panachão, que mediou o debate sobre Planejamento financeiro para montar uma carteira de investimentos diversificada, dentro da programação da Money Week.

Ela recebeu como convidados Annalisa Dal Zotto, planejadora financeira e sócia da ParMaris, e André Massaro, educador financeiro e autor de livros sobre o tema.

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Resistência à reserva de emergência

Segundo Massaro, o público que mais resiste à necessidade de fazer reserva de emergência é o mais jovem, formado por aqueles que estão no mercado de trabalho há 15 anos ou menos.

“Este pessoal entrou no mercado de trabalho em uma época em que você perdia o emprego em um dia e já tinha outra colocação no dia seguinte. Agora, a realidade é outra. Eles estão descobrindo, pela primeira vez, o que é ficar sem renda”.

Reserva de emergência não deve ser desviada para ações

Além de subestimar a relevância da reserva de emergência, outro erro comum dos investidores até antes da pandemia era desviar o recurso para o mercado de ações, em busca de altas rentabilidades.

“Usar a reserva de emergência em ações é um erro”, explicou Annalisa. Para ela, quem realmente deixou o dinheiro guardado para a emergência, viu que esta reserva é uma “dádiva”.

“É um sufoco viver este momento de medo de ficar doente e de medo de ver as suas finanças em desordem. Percebo que, agora, as pessoas estão entendendo que a organização financeira será um importante legado”, disse.

De quanto deve ser a reserva de emergência?

O tamanho da reserva de emergência deve variar conforme o perfil do investidor. Profissionais autônomos precisam de um “colchão” maior de segurança, por exemplo.

O montante depende também do estilo de vida de cada um e do tamanho da família – um solteiro se mantém com menos recursos do que aquele que possui filhos dependentes.

Mas, regra geral, todo mundo deve ter uma reserva de pelo menos seis meses de manutenção das contas mensais essenciais.

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Como fazer a reserva de emergência?

Planejamento é fundamental para conseguir juntar uma reserva de emergência.

A primeira ação deve ser baixar uma planilha de orçamento mensal para conseguir visualizar o quanto se gasta de maneira correta e o quanto pode ser eliminado nos gastos mensais.
A ideia não é que a formação da reserva seja uma “tortura”, com privação de prazeres. Mas sim que seja feita uma limpeza no que é dispensável.

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“Dá para começar com a academia que a gente paga, mas nunca vai, por exemplo”, brincou Massaro. “Se você já não ia mesmo, não vai fazer a menor falta tirar do orçamento. O mesmo vale para a tevê a cabo, sendo que você só assiste canal aberto”, exemplificou. “É um trabalho chato, mas necessário”.

Annalisa concorda:É um momento doloroso, porque sempre gastamos mais do que achamos que gastamos. E só conseguimos visualizar isto no papel”, disse.

Onde investir?

Algumas recomendações de aplicação da reserva de emergência são a renda fixa e o Tesouro Selic.

A ideia não é que o dinheiro renda o máximo possível. Mas que tenha segurança e liquidez, justamente para ser resgatado em uma emergência.

“Percebo a frustração das pessoas com o rendimento da reserva de emergência. Mas você deve encará-la como um seguro da sua dignidade pessoal. É o que vai impedir que você tenha que fazer coisas degradantes por dinheiro. Se perder o emprego e não tiver um fôlego financeiro, você vai ter que fazer o que aparecer, só por dinheiro”, ensinou Massaro.

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Nova realidade de crise e juros baixos

Feita a reserva de emergência, é hora de, então, começar a investir. Os debatedores foram unânimes em afirmar que o investidor brasileiro ficou “mal acostumado” com um mercado sempre em alta dos últimos anos. E que a nova realidade, de oscilação e juros baixos, vai exigir mais paciência, mais risco e também mais educação financeira.

Migrar para investimentos com mais risco será inevitável, mas é um movimento que pede cautela.

“Temos que mudar a mentalidade. Estávamos mal acostumados com as altas da bolsa e vamos ter que nos acostumar que não dá para ganhar sempre”, afirmou Massaro.

Informação é fundamental

Diante da nova realidade, o investidor precisará cada vez mais buscar boa informação e apoio dos assessores de investimento.

“Não dá para ser leviano e jogar em qualquer fundo, achando que vai dar retorno. É preciso investir em conhecimento e informação antes de investir dinheiro, porque o cenário está mais complexo”, complementou.

Annalisa recomendou que o investidor comece com renda variável via fundos multimercado, que são uma opção menos arriscada do que a bolsa de valores. “Somos muito expostos às nossas emoções em tudo, com investimento não é diferente”, ela diz, recomendando cautela.