Ministro da Economia argentino e reúne com o FMI para discutir crise

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Juan Mabromata / AFP

O jovem ministro argentino da Economia, Martín Guzmán (de 37 anos), reuniu-se com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, antes da posse do novo governo, disse nesta quarta-feira (11) o porta-voz do FMI.

A posse do novo governo argentino, comandado pelo presidente Alberto Fernández, ocorreu na terça-feira (10).

“(Está) confirmado que foi realizada esta reunião, na qual o chefe da missão para a Argentina, Luis Cubeddu, também participou”, disse o porta-voz do organismo, de acordo com a Reuters.

“Já conversamos com o FMI e já há reconhecimento do fracasso. O que falta é reconhecer a necessidade de um programa diferente”, disse Guzmán.

Argentina e o FMI

Analistas consideram que as tratativas com o FMI são o ponto de partida para a saída da Argentina da crise criada pelo governo anterior, de Mauricio Macri.

O país já deve ao Fundo algo em torno de US$ 44 bilhões. Fernández chegou a sugerir em campanha que o FMI não envie restante do empréstimo à Argentina. Faltariam US$ 11 bilhões.

“Tenho um problemão e vou pedir mais US$ 11 bilhões? O que quero é deixar de pedir e que me deixem pagar”, disse.

Outro grande problema está na crise de incerteza e credibilidade. Muitos investidores têm se mostrado inquietos com a probabilidade de Fernández se voltar para uma regulação maior da economia, tal como fez sua atual vice-presidente, Cristina Kirchner, quando governou o país entre 2007 e 2015.

Entretanto, há a questão do equilíbrio. Foi uma aliança heterogênea de centro-esquerda que o levou ao poder, e essa aliança espera uma mudança nas políticas de austeridade do seu antecessor. O nó está nas mãos do novo governo.

Guzmán sabe desses problemas e o encontro com o FMI antes da posse foi uma sinalização de que o governo argentino não vai fazer nenhuma loucura.