Covid-19: com 13.717 casos, país tem 114 mortes em 24 horas

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / YouTube

O ministério da Saúde divulgou nesta terça-feira (7) os dados atualizados da incidência do Covid-19 no Brasil.

O país identificou nas últimas 24 horas 114 mortes em decorrência do novo coronavírus, o pior índice desde que a crise começou. Agora, são 13.717 brasileiros infectados e 667 falecimentos, com 4,86% de taxa de mortalidade.

Os dados das secretarias estaduais de saúde, porém, mostram números ainda maiores: são 13.844 casos confirmados e 676 mortos.

Essa diferença se dá porque as secretarias anunciam casos assim que eles acontecem, enquanto o ministério da Saúde atualiza os números apenas às 17h de cada dia.

O aumento de acordo com o ministério foi de 20,61% no número de mortos; e de 13,77% no número de infectados.

É a primeira vez que morre mais de uma centena de pessoas em 24 horas no país, em decorrência do Covid-19.

Nos estados

São Paulo segue sendo o estado com maior número de infectados. São 5.682 casos confirmados e 371 mortos. O Rio de Janeiro, com 1.688 casos e 89 vítimas fatais. O Ceará é outro estado que passou de mil infectados, chegando a 1.051 casos (1.138, segundo a secretaria estadual de saúde) e 31 mortos (35, segundo a secretaria).

Na sequência, vem o Amazonas, com 636 e 23 vítimas fatais; Minas Gerais, com 559 casos e 11 falecidos; Rio de Grande do Sul, com 508 casos e 8 mortes; Paraná, com 503 casos (511, segundo a secretaria estadual) e 15 mortes; Distrito Federal, com 492 infectados e 12 falecidos; Bahia, com 456 e 12 mortos (13, segundo a secretaria estadual); Santa Catarina, com 417 e 11 vítimas fatais; Pernambuco, com 352 casos e 34 óbitos; Rio Grande do Norte, com 254 pacientes e 8 mortos; Espírito Santo, com 209 e 6 falecidos; e Maranhão, com 172 casos (204 segundo a secretaria local) e 4 mortos (8, segundo a secretaria).

O estados com menos de 200 casos são: Pará (138 casos e 5 mortos), Goiás (133 e 5), Mato Grosso do Sul (80 e 2), Mato Grosso (78 e 1), Acre (50 e 1), Amapá (48 e 1), Roraima (42 e 1), Sergipe e Paraíba (36 e 4 cada um), Alagoas (32 e 2), Piauí (28 e 4) e Rondônia (18 e 1).

O Tocantins é o único estado sem mortes identificadas, tendo 19 casos.

Taxa de mortalidade

A taxa de mortalidade no Brasil está em 4,86%, segundo o ministério da Saúde, e 4,88%, segundo as secretarias estaduais de saúde.

Alguns estados, porém, elevam bastante essa taxa. O Piauí tem 14,29%, por exemplo. Sergipe e Paraíba estão com 11,11%; Pernambuco enfrenta uma taxa de 9,66%; São Paulo está com 6,53%; e Alagoas, com 6,25%.

Rondônia, com 5,56%, e Rio de Janeiro, com 5,56%, também estão com uma taxa de mortalidade acima da média nacional.

Isso, entretanto, são dados que não refletem exatamente a realidade de cada unidade da Federação, já que o número de testes realiza influencia bastante o resultado final.

Testes realizados

Até agora, o Brasil testou muito pouco. Foram apenas pouco mais de 54 mil testes realizados, numa taxa de apenas 258 por 1 milhão de habitantes.

Para se ter uma ideia da diferença, os Estados Unidos realizaram 2,061 milhões de testes, o que dá 6.228 testes por 1 milhão de habitantes. O país testou bastante e já identificou 395 mil infectados e 12.716 mortos.

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A Itália testou 755.445 pessoas, com uma taxa de 12.495 testes por milhão de habitantes. A Alemanha também testou bastante, com 918.460 testes, numa taxa de 10.962 por 1 milhão.

Segundo o ministério da Saúde, abril será o mês que o Brasil terá os números mais impactantes, porque muitos testes rápidos chegaram aos estados e a fila de exames será zerada.

Ministério divulga evolução diária

João Gabbardo dos Reis (foto), secretário-executivo do ministério da Saúde, explicou que o Brasil “está bem na comparação com os países europeus”.

Em dois gráficos, comparando-se a partir de quando cada país teve o seu “paciente 100”, o Brasil perfoma melhor que que Itália, França, Espanha e Alemanha. Os países foram escolhidos porque a população deles somadas é parecida com o tamanho da população brasileira. No 25º dia, a curva brasileira é mais perto do zero do que dos europeus. Todos eles, exceto o Brasil, já passaram de 100 mil casos confirmados.

Na evolução de óbitos, o Brasil só perde para a Alemanha.

Maioria dos brasileiros será exposta ao Covid-19

O Ministério da Saúde estima que até o final de julho, a maioria da população do Brasil, principalmente dos grandes centros urbanos, será exposta ao novo coronavírus.

“É provável que mais casos de Covid-19 sejam identificados no Brasil nos próximos dias, incluindo mais casos de disseminação comunitária. O Ministério da Saúde espera que ocorra transmissão ampliada da Covid-19 no Brasil”, diz boletim epidemiológico da pasta.

Tudo vai depender das sazonalidades de cada região.

“Temos uma situação intermediária, com casos detectados ao longo de todo ano e picos menos acentuados no inverno. Entretanto, a descontinuidade e a falta de homogeneidade dos serviços de epidemiologia nas diferentes regiões do país dificultam muito a comparação entre os dados de circulação de influenza”, complementa o documento.

Aceleração dos casos a partir de maio

Técnicos do ministério preveem que o Brasil entre em maio na fase de aceleração descontrolada de casos do novo coronavírus.

O início desta etapa está previsto para a 19ª semana do ano, ou seja, entre 4 e 10 de maio. A quantidade de casos da doença Covid-19 deve começar a desacelerar a partir de meados de junho, na 25ª semana, o que pressupõe uma economia ainda estagnada até a metade do sexto mês do ano, com os governadores impondo medidas restritivas de uma forma ou de outro até lá.

O pico, então, deve acontecer em junho. O nível do pico, porém, depende do tipo de isolamento social adotado pelo país para conter a pandemia.

“O único instrumento de controle existente, possível, disponível é o distanciamento social”, disse Wanderson Kleber de Oliveira, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.

R$ 50 milhões para pesquisas

O ministro-chefe da Casa Civil, Walter Braga Netto, afirmou nessa terça-feira (7), que o governo Bolsonaro vai liberar R$ 50 milhões para o financiamento de pesquisas sobre o novo coronavírus.

“Serão 11 linhas de pesquisa, divididas em temas como métodos de tratamento, prevenção, diagnóstico e produção de vacina”, informa o Portal UOL.

Bolsonaro, Mandetta, Osmar Terra

Mandetta fala com embaixador chinês

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), conversou por telefone com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, atenuando o clima tenso entre os dois países, depois que o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, e o ministro da Educação, Abraham Weintraub, entraram em choque com o gigante asiático.

O embaixador tuitou sobre o encontro telefônico: “na conversa telefônica com Min. @lhamandetta coincidimos em reforçar a cooperação bilateral, especialmente entre os dois ministérios da Saúde, para compartilhar experiências do combate à Covid-19 em prol do enfrentamento conjunto deste desafio global”.

“Iniciaremos um trabalho conjunto com o ministro-adjunto, encarregado de negócios, para que cada compra que formos fazer, cada contrato que fizermos, para garantir mais transparência, mais solidez e informações, a gente possa fazer isso com o apoio da embaixada da China. A gente sabe da importância desse esforço comum entre Brasil e China para que possamos garantir os nossos equipamentos aqui”, disse o ministro.

Mandetta disse que o governo tem encontrado dificuldades no mercado externo para comprar equipamentos e insumos hospitalares para abastecer os hospitais brasileiros, e pediu ajuda da embaixada chinesa para concretizar negociações com empresas do país.

A necessidade é específica por máscaras e respiradores. São pelo menos 40 milhões de máscaras que o Brasil pretende comprar.

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