Militares e ministros do STF repudiam atos de apoio a intervenção militar

Marcelo Hailer Sanchez
Jornalista, Doutor em Ciências Sociais (PUC-SP) e Mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP). Pesquisador em Inanna (NIP-PUC-SP). Trabalhei nas redações do Mix Brasil, Revista Junior, Revista A Capa e Revista Fórum. Também tenho trabalhos publicados no Observatório da Imprensa e revista Caros Amigos. Sou co-autor do livro "O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente" (AnnaBlume).

Crédito: Divulgação / Felipe Pereira

A presença do presidente Jair Bolsonaro e algumas de suas declarações em ato realizado na tarde de ontem (20), em frente ao QG do Exército em Brasília, causou mal-estar entre generais das Forças Armadas, segundo levantamento do Estadão. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também se manifestaram.

De acordo com generais ouvidos pelo Estadão, se a manifestação tivesse ocorrido na Esplanada, na Praça dos Três Poderes teria sido “mais do mesmo”. Porém, como ocorreu em frente ao QG, tal situação, de acordo os generais, causou um mal estar, pois, possui uma “simbologia muito forte”.

A participação do presidente no ato foi classificada pelos generais como “desnecessária” e “fora de hora”. Ao Estadão, eles reforçaram que as Forças Armadas servem ao Estado e não a um governo. Por fim, declaram que, neste momento, a única guerra que importa ser combatida é a contenção da pandemia no Brasil.

Ministros do STF repudiam apoio a intervenção militar

Três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) repudiaram a participação do presidente Bolsonaro no ato que, além de pedir o fim das políticas de confinamento, também defendia a edição de um novo AI-5 e intervenção militar no país.

Em uma série de tuítes, o ministro do STF, Luís Roberto Barroso, declarou que é “assustador” ver manifestações que pedem a volta do regime do militar.

 

Para Barroso, só pede a volta do regime militar quem “perdeu a fé no futuro”

Também pelo Twitter, o ministro do STF, Gilmar Mendes afirmou que “invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar a Constituição”.

Quem também utilizou o Twitter para repudiar os atos que pediam intervenção militar, foi o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que afirmou haver duas lutas em curso no Brasil: contra o coronavírus e o autoritarismo.

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Governadores declaram apoio a Maia e Alcolumbre

Governadores de 20 estados divulgaram na noite de ontem (19) uma carta de apoio ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). No texto, os governadores afirmaram que a saúde do povo brasileiro deve estar acima de “interesses políticos”.

No manifesto, os governadores também ressaltaram que, neste momento, o Brasil possui um inimigo em comum: a pandemia.