Milho brasileiro ameaça domínio dos Estados Unidos no mercado de exportações

Paulo Amaral
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Crédito: Elza Fiuza/Agência Brasil

A exportação de milho pelos produtores brasileiros em 2019 está em excelente momento e caminha a passos largos para colocar o País à frente dos Estados Unidos como principal fornecedor mundial do produto.

Até o fim de outubro, o Brasil havia exportado um total de 34,7 milhões de toneladas em 2019, número 60% acima do recorde estabelecido para o período, de acordo com os dados oficiais, e com direito à produção de 7 milhões somente em agosto, marco até então nunca atingido no País dentro de um único mês.

Os números impressionantes apontam que o Brasil colheu uma safra recorde em 2019, superando em 19 milhões de toneladas o ciclo registrado no ano anterior.

Os Estados Unidos, ainda na liderança no setor de exportação do produto, negociaram 36,2 milhões de toneladas de milho para fora do seu território no mesmo período, registrado queda de 40% em relação ao ano de 2018.

Influência decisiva do clima

A mudança de cenário em relação ao registrado em 2018 se deve muito por conta das alterações climáticas. Se no ano passado tanto o Brasil quanto a Argentina – outra forte fornecedora global de milho – sofreram com fortes secas, atualmente o jogo virou.

Impactada diretamente pelo tempo muito úmido durante a fase de desenvolvimento da cultura do milho, a safra norte-americana foi oferecida com valores menos atrativos ao mercado do que os praticados pelos países da América do Sul, incluindo o Brasil.

Hoje, o País exporta praticamente quatro vezes mais do que há uma década, com as vendas decolando particularmente após uma série de safras ruins nos Estados Unidos entre 2010 e 2012.

O Irã, principal “cliente” do Brasil, e que já recebeu 4,8 milhões de toneladas de milho em 2019, não negocia com os Estados Unidos

“Clientela” dividida

Apesar de nem todos os clientes de Brasil e Estados Unidos serem os mesmos, muitos deles compram milho tanto do nosso país quanto do norte-americano, como, por exemplo, México e Japão.

O Brasil exportou cerca de 1,4 milhão de toneladas de milho para o México até outubro deste ano, valor quase quatro vezes maior que o recorde anterior para o período, sendo que o registrado apenas em outubro (518.345 toneladas), foi uma máxima histórica para qualquer mês.

Os embarques de milho do Brasil para o Japão superaram recentemente o quadro detectado nos Estados Unidos. Enquanto o milho brasileiro totalizou 4,3 milhões de toneladas nos últimos quatro meses, os Estados Unidos enviaram apenas 1,9 milhão, volume mais fraco desde 1972.

A previsão do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2019 é que o Brasil feche o ano com um crescimento de 21,5% na produção de milho em relação ao anterior e de 5,9% em relação aos grãos (cereais, leguminosas e oleaginosas) de uma maneira geral.