Miguel Krigsner: conheça a trajetória do fundador de O Boticário

Paulo Amaral
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Crédito: Augusto de Lavigne

Aos 70 anos, Miguel Krigsner, dono do Grupo O Boticário, está entre os maiores bilionários brasileiros, com uma fortuna estimada em US$ 3,2 bilhões, segundo ranking da revista Forbes de julho de 2020.

Nascido em La Paz, na Bolívia, ele veio para o Brasil quando tinha 11 anos. O pai polonês e a mãe alemã, ambos judeus que fugiram do nazismo, se estabeleceram em Curitiba na década de 60 e abriram uma pequena loja de roupas no centro da cidade.

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Foi na capital paranaense que, anos mais tarde, Krigsner iniciou sua trajetória de empreededorismo, que o fez dono de uma das mais tradicionais empresas de cosméticos do País e a maior rede de franquia do mercado brasileiro.

Em 2019, O Boticário faturou R$ 15,3 bilhões, com mais de 4 mil lojas espalhadas em 15 países. Suas duas fábricas produziram 435 milhões de itens no ano passado.

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Esse império dos cosméticos, no entanto, começou pequenininho.

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Boticário primeiro loja

Primeira loja de O Boticário, em Curitiba Foto: Reprodução

O Boticário: a farmácia que virou a maior franquia do Brasil

Aos 21 anos, Miguel Krigsner ingressou na faculdade de Farmácia e Bioquímica. Ele chegou a estagiar na indústria farmacêutica e em laboratórios de análise clínica, mas em 1977 decidiu empreender.

Com US$ 3 mil que tomou emprestado de um tio, abriu uma farmácia de manipulação e a batizou de O Boticário. O nome era uma homenagem aos antigos farmacêuticos, que manipulavam medicamentos artesanalmente.

Ele começou fazendo o mesmo, mas logo teve uma sacada que seria fundamental para o crescimento do negócio. Krigsner percebeu que boa parte de sua clientela era de mulheres e que faria sentido produzir também cosméticos.

“Foi então que eu comecei a fazer cremes faciais à base de algas marinhas e colágeno com receitas exclusivas, e os deixava expostos na recepção da farmácia. O sucesso das fórmulas logo se espalhou pela cidade, e rapidamente a receita com os cosméticos foi crescendo”, contou certa vez ao site Terra.

De Curitiba para o mundo

Dois anos depois de abrir a primeira loja, o empresário abriu a segunda unidade, em um local que se provou estratégico:  o Aeroporto Internacional Afonso Pena, na Grande Curitiba. De lá, seus produtos “viajaram” para diversas regiões do País. Não demorou para que outros empreendedores se interessassem em vender os cosméticos do Boticário em suas cidades.

Em 1980, foi aberta a primeira franquia da rede, em Brasília. Krigsner foi um dos precursores do franchising brasileiro. Em menos de uma década, o Boticário já tinha 800 lojas espalhadas pelo País.

A empresa se tornou ainda mais conhecida nacionalmente em 1985, com um merchandising na novela A Gata Comeu, da Rede Globo. Uma das personagens era a dona de uma loja de perfumes e cosméticos, que tinha como principal produto a linha de sais relaxantes Phyto Relax, de O Boticário.

Foi a primeira vez que uma marca participou do enredo de uma novela global.

A aposta arriscada nos “frascos de Silvio Santos”

A história do Boticário tem uma passagem inusitada, que inclui o empresário e apresentador Silvio Santos. Krigsner ficou sabendo que o dono do SBT tinha colocado à venda 60 mil vidrinhos de perfume (em formato de ânfora).

Esses frascos estavam estocados, porque o apresentador desistiu de lançar uma empresa de perfumes. Krigsner tentou negociar a compra de apenas alguns deles, mas Silvio Santos disse que era tudo ou nada. Ele topou, mesmo sem ter o dinheiro para comprar os 60 mil.

De volta ao Boticário, acelerou o lançamento de uma fórmula que nem tinha passado por todos os testes ainda e correu para colocá-la no mercado. Tinha pressa de fazer dinheiro para quitar a dívida com Silvio Santos. “Assim nasceu o Acqua Fresca, uma das fragrâncias mais vendidas no mundo até hoje”, contou certa vez.

Ao longo de sua trajetória, Krigsner já se viu em outros apertos. Ele lembra que, na década de 90, quando muitos negócios quebraram, chegou a ficar sem pagar os fornecedores. “Reuni todos e fui sincero. Disse a eles que precisava de prazo e da continuidade no fornecimento. Era isso ou fechar as portas.”

Os pagamentos foram restabelecidos antes do prazo. Ali, conta o empresário, foi firmada uma relação de confiança que perdura até hoje.

Mais do que perfumaria

Miguel Krigsner é um defensor da natureza e do meio ambiente. Hoje, muitos são, mas ele levantou essa bandeira ainda na década de 80.

“Com o andar da carruagem, à medida que a empresa ia crescendo, passou a ficar cada vez mais clara para mim a conexão entre os produtos que fabricávamos e o meio ambiente”, contou em 2004 aos jornalistas Maria Tereza Pádua e Marcos Sá Corrêa. Na época, ele pediu ajuda de seu diretor de comunicação, para que fizessem algo pelo meio ambiente, mas que não fosse  marqueteiro. 

Primeiro, ele teve a ideia de reproduzir no Brasil uma tradição de Israel, em que as pessoas se davam de presentes certificados de plantação de árvores. Krigsner tinha a ideia de plantar mais de 500 mil árvores por ano, mas foi convencido de que seria inviável.

Mas de sua vontade em fazer algo pelo meio ambiente, surgiu a Fundação Boticário de Preservação à Natureza.

Inicialmente, ele assumiu o compromisso de destinar US$ 100 mil por ano ao projeto. Hoje, a Fundação consome 1% do faturamento líquido da rede de franquias.

Tanto em sua luta pela preservação do meio ambiente, quanto em sua trajetória de empreendedorismo, Krigsner se tornou uma referência. E para os que querem seguir o mesmo caminho, ele tem um conselho:

“Acredito que a maior qualidade de um empreendedor é não ter receio de errar. É estar atento às oportunidades de fazer da melhor forma com o que se tem à mão. No início de um negócio, quem muito planeja não tem tempo de realizar.”

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