Meu Primeiro Dividendo: como viver da tão sonhada renda passiva?

Victória Anhesini
Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie
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No segundo dia do evento 100% online e gratuito Meu Primeiro Dividendo, criado pelo EQI Investimentos, os convidados Leandro Benincá e Júlia Mendonça falam sobre o grande sonho de muitos investidores, que é viver de dividendos, a famosa renda passiva.

Leandro Benincá é palestrante, empreendedor e educador financeiro, criador da comunidade Um A Menos Na Poupança. Além disso, ele foi CEO do Organizze, uma plataforma de gerenciamento financeiro no Brasil.

Júlia Mendonça uma criadora de conteúdo e autora do livro “Bora Enriquecer”, foi ex-participante do programa “O Aprendiz”, com Roberto Justus. Ela é formada em Comércio Exterior, pós-graduada em Investimentos, Finanças e Banking pela PUC-RS e especialista em planejamento financeiro pessoal.

Passo a passo

Assim como muitos outros investidores de sucesso, tanto Leandro como Júlia afirmam que não há fórmula mágica para viver de dividendos, ou para “enriquecer”.

Leandro afirma que existe apenas uma “fórmula”, que essencialmente se resume num caminho sugerido para um iniciante seguir.

De acordo com ele, primeiro é necessário trabalhar e de fato ganhar dinheiro. Existem outros planos, por exemplo, para alcançar empregos melhores com pagamentos maiores. No caso, quando o futuro investidor já estiver numa boa posição, o próximo passo para ele é ter a educação financeira em dia. Após conseguir informações e estudar o suficiente sobre isso, chega a hora de investir.

Ele diz que a parte de proteger o dinheiro é a mais importante. De nada adianta ganhar bastante, mas não fazer o dinheiro render. E ainda, para viver de dividendos com uma renda passiva gorda, é preciso de paciência. Conforme Leandro, o melhor investimento é o estudo. As informações adquiridas nunca serão roubadas ou perdidas.

“Se você quiser viver uma vida boa, e principalmente diminuir o tempo que você troca por trabalho, você vai precisar proteger esse dinheiro com educação financeira”, afirmou. Depois disso, usufruir do dinheiro investido com dividendos é uma opção entre várias.

Viver dos investimentos

Júlia Mendonça explica que é possível chegar a altos patamares com investimentos. Para obter a renda passiva, ela recomenda primeiro dividir as fases da vida: estudo, trabalho, etc. De acordo com ela, hoje já não é mais possível “planejar” viver apenas até os 60 ou 70 anos, com os avanços da medicina e com boa qualidade de vida, é importante ter visão para chegar aos 100 anos.

Outros passos para seguir antes de investir são:

  • Controle financeiro. Saber quanto se ganha por mês e quais são suas despesas, e quanto sai do bolso;
  • Ter uma reserva de emergência. Não tem como fazer um investimento de longo prazo se daqui seis meses o dinheiro precisa ser sacado. Isso também inclui diminuir ou acabar totalmente com o patrimônio meio da uma crise.

A partir do momento pessoal em que a pessoa já pode investir, há mais três fases para seguir:

  • Começar de fato a investir, baseado nos objetivos individuais.
  • Acumular patrimônio. Com paciência e disciplina, é preciso reinvestir os dividendos e deixá-los crescer.
  • E então, usufruir patrimônio. Entretanto, até mesmo nesta fase devem ser feitas adaptações, dependendo da fase da vida em que o investidor se encontra.

Definição de objetivos

Durante a palestra, ambos os convidados concordaram que a melhor ideia que alguém pode ter na hora de começar a investir é definir um objetivo. Júlia ressalta que “ficar rico” não é objetivo, já que nesse conceito, ter dois ou três reais a mais já o cumpre, pois significa ter mais dinheiro do que antes.

Portanto, é preciso montar uma carteira de dividendos com base no objetivo escolhido. Existem investimentos que são excelentes para uma finalidade e péssimos para outros. No fim, os investimentos são apenas uma ferramente para alcançar esses objetivos.

Montando a carteira de dividendos

Além dos estudos sobre finanças pessoais, Leandro afirma que não pode se apaixonar por uma única ação (ou qualquer outro ativo), achando que este é o “tiro certeiro” que vai dar dinheiro para a vida toda. Ele acredita ser necessário acompanhar mudanças e ser flexível, não se prendendo a uma coisa ou outra.

Ainda mais quando o assunto é renda variável: a ação que está na moda agora talvez não te ajude tanto no longo prazo. Um bom exemplo é a Oi (OIBR3), que chegou a ficar próximo de R$ 114 por ação, mas fechou o trimestre com R$ 3,5 bilhões de prejuizo. “Tem que dar lucro pra dar dividendo”, disse Leandro.

“Uma empresa é um organismo vivo, tem pessoas, tem processos, tem mercado, e às vezes as coisas não acontecem do jeito que a gente espera”, afirmou. Há muitas variáveis a serem consideradas. A lição final é que não dá para colocar todo o seu dinheiro numa única opção.

Numa carteira de dividendos, muitos ativos podem ser considerados. ETFs, Fundos Imobiliários e ações são alguns deles, até mesmo os títulos de renda fixa que pagam a inflação do IPCA. O importante é ter noção de que no longo prazo, muito pode mudar. Índices que, em 20 anos, tiveram 18% de rendimento ao ano, podem ter tido períodos ruins no meio tempo. E então, saber ou não se o investidor vai aguentar o momento é difícil. “Nossa cabeça manda mais no nosso sucesso do que o investimento que a gente escolhe”, conclui Leandro.