Meta de inflação para 2024 é fixada em 3% pelo CMN

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Reprodução/iStock Photos

O Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu nesta quinta-feira (24) a meta de inflação para 2024 em 3%. O anúncio foi feito pelo Ministério da Economia.

A tolerância é de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, pode variar de 1,5% até 4,5%.

A meta de inflação é o norte do Banco Central em suas decisões sobre os rumos dos juros no Brasil.

As metas de inflação para 2022 e 2023 foram mantidas, respectivamente, em 3,5% e 3,25%. Também com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.

Esse é o valor que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderá alcançar nos próximos anos.

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Neste ano, a meta para a inflação também permanece em 3,75%, com o mesmo intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Em nota, o Ministério da Economia destacou que o anúncio reduz incertezas e aumenta a capacidade de planejamento dos agentes econômicos (famílias, empresas e setor financeiro).

De acordo com a pasta, a busca pelo equilíbrio nas contas públicas cria um ambiente favorável para a redução estrutural da inflação e dos juros.

O governo afirma que a reforma da Previdência e a fixação do teto de gastos produziram expectativas de queda nos gastos no médio prazo.

O texto também cita a Emenda Constitucional Emergencial, que estabeleceu gatilhos de ajustes de despesas para União, estados e municípios, caso as despesas obrigatórias sujeitas ao teto de gastos ultrapasse determinado nível.

Mas mesmo diante da pandemia e a alta das commodities (bens agrícolas com cotação internacional), que elevaram a inflação em 2021, o governo afirma que a manutenção do teto de gastos e o compromisso com o equilíbrio fiscal no médio e no longo prazo mantêm o ambiente favorável à estabilidade macroeconômica.

Histórico recente da inflação

O objetivo fixado pelo governo é mais ambicioso do que nos anos anteriores e dá sequência ao processo de redução gradual da meta de inflação, iniciado em 2017.

Até 2016, a meta de inflação era fixada com dois anos de antecedência. Mas um decreto publicado no Diário Oficial da União em junho de 2017 determinou que a definição passasse a ser feita três anos antes. De acordo com o Banco Central (BC), a mudança teve como objetivo reduzir as incertezas e melhorar a capacidade de planejamento das famílias, empresas e governo.

Desde 2005, o centro da meta de inflação estava em 4,5%, com 2,5 pontos de margem de tolerância. Mas em 2006 esse intervalo caiu para 2 pontos e permaneceu assim nos anos seguintes até ser reduzido para 1,5 ponto para 2017 e 2018.

A meta de inflação deve ser perseguida pelo BC ao definir a taxa básica de juros, a Selic. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a Selic, pretende conter a demanda aquecida e segurar os preços ao encarecer o crédito e estimular a poupança. Assim, ao diminuir os juros básicos, o Copom barateia o crédito, incentivando a produção e o consumo.