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Mesmo após a vitória de Bolsonaro investidores estrangeiros continuam saindo do Brasil, entenda os motivos

As incertezas políticas que envolvem o novo governo e a política monetária internacional ajudam a explicar a fuga de capitais do mercado brasileiro.

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Crédito da imagem: Reprodução/Internet

A vitória de Jair Bolsonaro nas urnas gerou uma grande euforia no mercado e isso refletiu nas previsões para o Ibovespa, que espera atingir a casa dos três dígitos em um futuro próximo. Esse momento recebeu até um apelido: “efeito Bullsonaro”.

Contudo, desde que o Ibovespa atingiu o seu pico histórico no último dia 6, o índice acumulou queda de 5%. Para compreender o motivo de toda essa euforia ter se transformado em frustração é importante entender o legítimo motor do mercado: a movimentação dos investidores estrangeiros.

Com uma participação que alcança os 50% na Bolsa, os investidores estrangeiros sempre foram um bom indicativo de tendência para o Ibovespa e isso ajuda a entende o motivo do indicador ainda não ter atingido a faixa dos 100 mil pontos.

Assim que foi confirmada a vitória de Bolsonaro, o mercado aguardava uma forte alta do Ibovespa. Contudo, no primeiro pregão após as eleições o índice foi fechado em baixa de 2,24%. O fluxo dos estrangeiros ficou negativo em R$ 1,01 bilhão e desde essa data as vendas começaram a ser recorrência pelo seguimento.

De acordo com a B3, em outubro o fluxo estrangeiro foi encerrado em R$ 6,2 bilhões negativos. Já em novembro, até o dia 22, o resultado das vendas era superior ao das compras em R$ 3,59 bilhões.

A influência dos estrangeiros no mercado é tão grande que, no último dia 6, data em que o Ibovespa atingiu o seu topo histórico de 89.598 pontos e descontinuou uma sequência de quatro altas consecutivas, o saldo dos estrangeiros fechou negativo em R$ 646,5 milhões. Ao longo de 2018, as vendas foram superiores às compras em R$ 9,5 bilhões.

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Crédito da imagem: Reprodução/Internet

Por outro lado, gerando liquidez para a saída dos estrangeiros, encontra-se o seguimento das pessoas físicas, que representam os investidores locais. Por conta da grande euforia com a vitória do candidato do PSL, logo no dia 29 de outubro o fluxo do dia foi encerrado positivo em R$ 260 milhões e, neste mês, caminha na contramão dos investimentos estrangeiros.

Até o último dia 22 de novembro, o seguimento pessoa física apresentava um fluxo positivo de R$ 1,7 bilhão. Essa tendência também acontece em meio aos investidores institucionais, pois até a mesma data o acumulado do mês era de um saldo positivo de R$ 1,8 bilhão.

Hoje, após a queda do Ibovespa e após algumas semanas depois que Bolsonaro foi eleito, o mercado não demonstra mais os sinais de que haverá uma entrada expressiva de capital estrangeiro, como se esperava no início de outubro. Essa situação é que acabou impulsionando o indicador dos 75 mil pontos para os 86 mil pontos do patamar atual.

Assim, se o mercado desejava um governo com características reformistas, qual será o motivo da debandada dos estrangeiros atualmente?

Quadro de incertezas

Depois que venceu o candidato do PT, Fernando Haddad, Bolsonaro concedeu entrevistas em que destacou a grande importância das reformas e, também, de um enxugamento da máquina pública, o que demonstra o compromisso do presidente eleito com uma agenda liberal e reformista.

Embora Bolsonaro tenha sido bem aceito pelos investidores, as propostas de uma solução para as reformas ainda esse ano ou nos primeiros meses do novo governo têm sido vistas com um certo ceticismo pelo mercado.

As incertezas voltaram a ser o centro das preocupações, não apenas pelo fato de que a reforma da Previdência deve ficar mesmo para o próximo ano, mas também pelo temor que o mercado possui de que essa reforma seja mais branda do que o esperado, fato que não resolveria por completo a atual situação fiscal do país. Assim, os investidores estrangeiros tendem a não apostar todas as suas fichas nesse momento e esperam sinais mais concretos a respeito da evolução das reformas ao longo do ano que vem.

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Crédito da imagem: Ricardo Moraes/Agência Reuters

Além da questão das reformas, outra grande fonte de incertezas é o fim do regime presidencialismo de coalizão, fato que deixa o mercado receoso quanto a governabilidade do novo presidente.

A realização de lucros também pesa nesse cenário de incertezas quanto a articulação política de Bolsonaro, isso após um aumento de 14% do Ibovespa entre os meses de setembro e outubro e a tendência de que os principais bancos centrais do mundo aumentem os juros.

O Fed (Sistema de Reserva Federal dos EUA) continua sinalizando um aumento da taxa de juros, fato que significa uma redução do fluxo para os mercados emergentes e um fortalecimento do dólar. A moeda norte-americana ganha um novo impulso no fim do ano, pois muitas empresas enviam remessas ao exterior para fim de balanço e de pagamento de dividendos.

Contudo, mesmo em meio a um verdadeiro mar de incertezas, se as reformas propostas avançarem no Congresso e a equipe econômica montada por Bolsonaro fizer um bom trabalho, é possível que o mercado brasileiro tenha uma grande valorização, pois tem potencial para isso.

De acordo com dados da XP Investimentos, o potencial da Bolsa de Valores brasileira é alto e pode atingir, no melhor cenário, 125 mil pontos durante o governo de Bolsonaro.

À espera da prova real

Depois que os investidores estrangeiros tiveram diversas decepções com o mercado brasileiro, como foi o caso da greve dos caminhoneiros e a possibilidade de intervenção política na Petrobras, eles esperam mais do que apenas promessas para voltar a investir no país.

É por esse motivo que todas as atenções estão voltadas para as medidas que serão tomadas logo no início do novo governo por Bolsonaro e sua equipe, especialmente acerca da economia.

Se o novo governo se comprometer efetivamente com a sua agenda liberal e tiver habilidade política para prosseguir com as reformas, espera-se um verdadeiro “tsumoney” no mercado brasileiro.

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Crédito da Imagem: Nilton Fukuda/AE

Os estrategistas Bernardo Teixeira e Carlos Sequeria, ambos da BTG Pactual, elaboraram um relatório que mostra que, atualmente, as alocações de fundos mútuos internacionais estão abaixo do resultado obtido em outubro de 2014. Para eles, há a necessidade de um fluxo de R$ 251 bilhões (o que representa US$ 68 bilhões) para que o mercado consiga voltar para o mesmo nível apurado naquele ano.

Para esses estrategistas, a alocação em ações no país deve crescer conforme as políticas econômicas do novo governo se tornem mais claras. Dessa forma, há potencial de que o país possa viver novamente os bons tempos como entre 2003 e 2008, período em que o Ibovespa teve um salto de 640%, isso considerando a mínima e a máxima desses anos.

Para Henrique Bredda, gestor do Alaska Asset, o momento é de “comprar Brasil”, pois a relação risco x retorno é plenamente favorável para a Bolsa brasileira.

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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