Mercosul: Brasil quer retirar “travas” para fechar acordos sem Argentina

Paulo Amaral
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Crédito: Reuters/Agustin Marcarian

O governo do Brasil quer aproveitar a saída da Argentina das futuras negociações do Mercosul para alterar as regras de funcionamento do bloco.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, a ideia é retirar a necessidade do aval da Argentina em futuras negociações, “trava” que hoje existe nas regras do bloco.

Atualmente, o bloco negocia, sem a participação da Argentina – que avalia voltar a participar das conversas -, com Canadá, Coreia do Sul, Líbano e Singapura.

Argentina dá sinal verde

O Mercosul foi criado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai e, em 2000, o quarteto firmou o compromisso de negociar acordos de natureza comercial e tarifária sempre de forma conjunta. Esse seria o principal medo em relação às decisões da Argentina.

O governo argentino, no entanto, sinalizou que não causará qualquer problema às tratativas em andamento – e as futuras – do bloco e que não acredita ser necessária a alteração das regras atuais.

Em comunicado distribuído à imprensa, o presidente Alberto Fernández assegurou que seu país “não será obstáculo para que os demais países prossigam com seus diversos processos de negociação”.

Brasil aprova mudança

O governo brasileiro prefere esperar uma posição definitiva da Argentina em relação ao assunto, mas já deixou transparecer ser favorável tanto à saída dos vizinhos do bloco quanto à alteração nas regras.

O Itamaraty chegou a afirmar que  a decisão da Argentina em se retirar das negociações dá transparência aos processos e facilita a busca dos membros do Mercosul que estão interessados na abertura comercial com o mundo.

“O governo brasileiro continuará, junto com Paraguai e Uruguai, a perseguir o objetivo de comércio aberto e livre com outros países”, diz nota oficial.

A avaliação, segundo a Folha, é de que a possível alteração da regra não significaria o fim da hegemonia do bloco.

Há uma posição, inclusive, de que o Brasil quer que haja uma cláusula para que a Argentina possa retornar às negociações quando houver uma mudança de governo ou de diretriz da política externa.

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