Ibovespa futuro abre em alta, com mercados mundiais sem direção

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Flickr

O Ibovespa futuro abriu em leve alta, de 0,47%, aos 80.880 pontos, enquanto os demais mercados mundiais operam de forma mista.

No centro das atenções nesta quinta-feira (23) estão as oscilações no preço do petróleo e também a divulgação dos números sobre pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, que tem sinalizado o impacto da crise do coronavírus no mercado de trabalho.

A pandemia segue como pano de fundo de todos os assuntos. Já são mais de 2,6 milhões de casos da doença confirmados em todo o mundo, com mais de 180 mil mortes.

Petróleo

Depois da dramática queda de 100%, chegando a valores negativos nos contratos de petróleo tipo West Texas Intermediate (WTI) para maio, os preços começaram a subir na quarta (22).

E nesta noite os contratos futuros de referência internacional Brent ganharam 2,99% para US$ 20,98 por barril, enquanto o WTI para entrega em junho também saltou 3,85% para US$ 14,31 por barril.

As flutuações acentuadas no preço do petróleo marcaram a semana. Isto ocorreu devido a uma persistente queda na demanda, resultante da crise do coronavírus, e o excesso de oferta.

Ontem, o jogo começou a virar depois que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia (o chamado grupo Opep+) sinalizaram que farão novos cortes na produção a fim de manter os preços.

Ainda na quarta, o presidente Donald Trump foi ao Twitter afirmar que a Marinha dos Estados Unidos deve abater e destruir embarcações iranianas que ameaçarem navios dos EUA.

O episódio é mais um desdobramento das tensões que surgiram entre os dois países em janeiro, quando os EUA mataram o segundo oficial mais poderoso do Irã, o general Qasem Soleimani.

Segundo Trump, o Irã vem planejando um ataque a tropas ou a ativos dos EUA desde então.

Vale lembrar que o Irã é o maior produtor mundial de petróleo e qualquer ameaça a ele faz o valor da commodity oscilar. Um conflito com os EUA certamente afetaria fortemente a produção iraniana, o que também ajuda a explicar a recuperação dos preços ocorrida ontem.

  • WTI (junho): US$ 15,72 (+14,08%)
  • Brent (junh0): US$ 21,85 (+7,27%)

Seguro-desemprego

O Departamento de Trabalho dos EUA atualiza, às 9h30, os dados de seguro-desemprego. De acordo com a CNBC, são aguardados mais 4,3 milhões de novos pedidos.

Se o número se confirmar, o total desde o começo da crise do coronavírus será de mais de 26 milhões.

Atualmente, são 22 milhões de desempregados pedindo o auxílio. E o número apaga quase a totalidade dos 22,442 milhões de empregos recuperados desde a crise de 2008.

Nova York futuros

  • S&P: +0,01%
  • Nasdaq: +0,01%
  • Dow Jones: -0,20%

Europa

Os mercados europeus iniciaram a quinta-feira mistos.

Hoje, a IHS Markit divulgou que o índice dos gerentes de compras (PMI na sigla em inglês) caiu a níveis recordes: foi de 29,7 pontos em março (maior baixa até então) para 13,5. Pontuações abaixo de 50 indicam contração da economia.

O PMI composto da França caiu para 11,2, ante 28,9 em março. Esta é a menor leitura desde o início da pesquisa, em 1998.

O PMI da Alemanha foi de 35 para 17,1 pontos, também um recorde.

Os balanços corporativos estão em destaque na Europa. Ontem, o Credit Suisse registrou um aumento de 75% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, com lucro líquido de 1,31 bilhão de francos suíços.

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A Renault registrou uma queda de 19,2% na receita do primeiro trimestre. Mas disse que era muito cedo para quantificar o impacto que a crise do coronavírus teria nos ganhos este ano. Apesar disto, as ações da empresa subiram ontem.

As bolsas da Europa reagem também ao anúncio ontem do Banco Central Europeu de que aceitará títulos podres como garantia na tomada de crédito por bancos da região.

  • DAX, Alemanha: -0,26%
  • FTSE, Inglaterra: -0,15%
  • CAC, França: +0,24%
  • FTSE MIB, Itália: +0,50%
  • Stoxx 600: +0,23%

Ásia

Na Ásia, os mercados registraram comportamento misto.

A Coréia do Sul teve sua maior contração do Produto Interno Bruto (PIB) desde 2008.

O resultado do primeiro trimestre foi divulgado pelo Banco da Coreia e recuou 1,4% em comparação com o trimestre anterior. A Coréia do Sul foi um dos primeiros países fora da China a relatar um surto de coronavírus.

Lloyd Chan, economista da Oxford Economics, ressaltou em nota à CNBC que acredita que o resultado do segundo trimestre venha ainda pior. “Olhando para o futuro, esperamos que a contração do crescimento se intensifique. Isto porque as paralisações globais afetarão as exportações”, disse.

  • Nikkei, Japão: +1,52%
  • Xangai, China: -0,19%
  • HSI, Hong Kong: +0,35%
  • ASX 200, Australia: -0,08%
  • Kospi, Coreia: +0,98%