Mercados operam no negativo, ainda sob efeito do petróleo

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Pexels

Todos os mercados globais operam em terreno negativo nesta terça-feira (21). Eles ainda repercutem o preço do petróleo, que ontem (20) teve sua maior queda histórica.

O barril do tipo WTI (intermediário do oeste do Texas) com vencimento em maio caiu mais de 100%, sendo negociado a preços negativos.

Isto quer dizer que tinha comprador que preferiu pagar para alguém retirar e armazenar o barril do que ter que fazer isto em um cenário de produção excedente e colapso da demanda.

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Petróleo

Desde a semana passada, o mercado dá sinais de que o corte na produção mundial de petróleo anunciado pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo mais Rússia e outros produtores (Opep+) não foi suficiente para compensar a perda acentuada de demanda decorrente das paralisações do coronavírus.

No início do mês, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) mais Rússia e outros produtores decidiram reduzir a produção em quase 10 milhões ao dia. Depois de ontem, já é cogitado um novo corte significativo.

No pregão asiático de terça-feira, o preço do contrato do WTI de maio voltou a ter valores positivos, sendo negociado a US$ 1,35 por barril. O contrato de junho ganhou 3,23%, para US$ 21,09 por barril.

Os contratos futuros de referência internacional Brent, por outro lado, caíram 0,9%, para US$ 25,34 por barril.

Segundo analistas ouvidos pela CNBC, o contrato do WTI de junho deve ser usado como parâmetro para avaliar a realidade do mercado. E ele ainda está acima de US$ 20 por barril.

  • WTI (junho): US$ 15,89 (-22,22%)
  • Brent (junho): US$ 21,12 (-17,40%)

Imigração suspensa

O presidente norte-americano Donald Trump anunciou, via Twitter, que pretende suspender, por ordem executiva, a imigração no país.

Segundo ele, “o ataque inimigo invisível” do coronavírus fez com que milhões de norte-americanos perdessem seus empregos e a imigração ameaça piorar a situação.

Em cinco semanas, o total de desempregados que recorreram ao subsídio ultrapassou 22 milhões de pessoas.

No entanto, Trump não forneceu detalhes de como faria esta suspensão.

Pacote

O Senado dos EUA vota nesta tarde um novo programa de ajuda financeira às pequenas empresas em meio à crise do coronavírus.

Também segue o debate sobre a retomada das atividades do país, com a Geórgia anunciando que irá reabrir empresas já nesta sexta-feira (24).

Balanços

Ontem, as ações da IBM caíram 3,08%, depois que a empresa registrou um declínio de 3,4% na receita no primeiro trimestre de 2020 ante o mesmo período de 2019.

A Coca-Cola divulgou hoje seus resultados referentes ao primeiro trimestre de 2020. O lucro por ação ficou em US$ 0,51, contra US$ 0,48 no mesmo trimestre do ano passado. A receita recuou de US$ 9,9 bilhões para US$ 8,60 bilhões. A companhia informou, de acordo com a CNBC, que os volumes globais caíram 25% desde o início de abril.
O lucro líquido fiscal somou US $ 2,78 bilhões no período, contra US $ 1,68 bilhão de um ano antes.

Desempenho dos mercados às 9h10.

Nova York Futuros

  • S&P: -1,83%
  • Nasdaq: -0,98%
  • Dow Jones: -2,36%

Europa

Os dados de emprego no Reino Unido demonstraram que a criação de vagas vem decaindo no país. O número de pessoas empregadas caiu para 0,8% em março, ante 1,1% em fevereiro.

Europa também segue com mercados em baixa nesta terça, seguindo o exterior.

  • DAX, Alemanha: -3,36%
  • FTSE, Inglaterra: -2,29%
  • CAC, França: -3,00%
  • FTSE MIB, Itália: -2,08%
  • Stoxx 600: -3,10%

Ásia

Na Ásia, além da quedas bruscas do petróleo, os mercados fecharam em baixa, com a suspeita de que o líder norte-coreano, Kim Jong Um, estaria em “grave perigo” depois de uma cirurgia cardiovascular.

Segundo a CNN, a inteligência norte-americana levantou esta informação, mas autoridades na Coreia não confirmam. Segundo a Reuters apurou com fontes do governo, Kim não está em perigo.

  • Nikkei, Japão: -1,97%
  • Xangai, China: -0,90%
  • HSI, Hong Kong: -2,20%
  • ASX 200, Austrália: -2,46%
  • Kospi, Coreia: -1%