Mercado reduz estimativa de PIB e Selic em 2020, aponta Focus

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: Divulgação

As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central (BC) reduziram a projeção para a inflação, bem como a estimativa de crescimento da economia.

Conforme o levantamento, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todos os bens e serviços produzidos no país) caiu de 1,99% para 1,68% em 2020. Trata-se da quinta redução consecutiva.

Já a estimativa das instituições financeiras compreendendo o período 2021, 2022 e 2023, permanece em 2,50%.

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O que você verá neste artigo:

Inflação

A estimativa para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), passou de 3,20% para 3,10%. A informação consta no boletim Focus, pesquisa semanal do BC que traz as projeções de instituições para os principais indicadores econômicos.

O mercado prevê que o IPCA feche 2021 em 3,65%, diferentemente da projeção anterior, de 3,75%. Já para 2022 e 2023, os analistas indicaram que o IPCA encerre em 3,50%.

O intervalo de tolerância para cada ano é 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, em 2020, por exemplo, o limite mínimo da meta de inflação é 2,5% e o máximo, 5,5%.

Selic

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 4,25% ao ano.

Este foi outro indicador que o mercado reduziu. Conforme o boletim, o índice deve fechar o ano em 3,75%.

Em 2021, a expectativa é de aumento da taxa básica, encerrando o período em 5,25% ao ano.

O Comitê

Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) reduz a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

Já a manutenção da Selic indica que o Copom considera as alterações anteriores suficientes para chegar à meta de inflação.

Dólar

A previsão do mercado financeiro para a cotação do dólar passou de R$ 4,20 para R$ 4,35 até fim deste ano. Já a projeção para 2021 está mantida em R$ 4,20.

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Ta, e aí?

De acordo com a equipe de analistas da Wisir Research, embora tenha diminuído consideravelmente suas projeções, especialmente no que tange ao PIB, o IPCA e a Selic, o boletim Focus segue adotando uma postura mais conservadora.

“Nesta segunda-feira tivemos a divulgação de alguns números consolidados na China: a produção industrial apresentou variação anual de -13,5% entre janeiro e fevereiro, contra a expectativa (antes do surto de coronavírus) de +1,50%. Já as vendas no varejo caíram 20,5% no mesmo período, e as vendas de imóveis, -34,7%”, disseram.

Conforme eles, os dados chineses dão um norte para o que está por vir, visto que aqui no Brasil, as previsões dão conta de que o ápice do surto deve ser verificado entre abril e maio. “Até lá, nosso mercado ainda sofrerá os impactos do choque de oferta e demanda global, o que pode reduzir as atuais projeções ainda mais.”

Copom

Em relação às expectativas quanto a Selic, a decisão do Copom (agendada para quarta-feira,18) pode surpreender e anunciar um corte mais agressivo que os atuais 25 pontos base projetados pelo Focus nesta segunda, uma vez que o Federal Reserve (FED) não tem medido esforços para injetar liquidez nos mercados.

O Fed mostrou o seu poder de fogo, conforme visto domingo (15), quando Jerome Powell anunciou corte de 1% no juro, além de cortes no compulsório e o anúncio de um programa de compra de títulos públicos.

“Seja qual for o tamanho do corte na Selic, é mais do que previsível uma nova pressão sobre o dólar, visto que o carry trade (diferença entre o spread das taxas praticadas aqui e lá fora) deve seguir forte, o que implica em mais saída de dólares do país”, concluíram.