Mercado primário e secundário: entenda a diferença

Felipe Moreira
Felipe Moreira é Graduado em Administração de empresas e pós-graduado em Mercado de Capitais e Derivativos pela PUC - Minas, com mais de 6 anos de vivência no mercado financeiro e de capitais. Apaixonado por educação financeira e investimentos.
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Crédito: B3/Divulgação

Se você já investe, provavelmente já ouviu falar de mercado primário e secundário. Mas você sabe as diferenças entre eles e as oportunidades de cada um?

Antes de diferenciá-los é preciso falar sobre o mercado de forma geral.

A palavra “mercado” na economia significa toda relação baseada em compra e venda, seguindo a lei da oferta e da demanda.

Em toda negociação, existem duas partes, que possuem interesses convergentes e fecham um acordo.

Nas negociações no mercado financeiro, as partes são divididas em quem empresta dinheiro e quem toma emprestado para devolver com juros.

Mercados

O mercado financeiro se divide em quatro grandes mercados, são eles:

  • Monetário: tem como principal característica a transferência de valores em prazos muito pequenos, como de um dia para o outro;
  • Crédito: é o mercado em que ocorrem os empréstimos feitos por meio de instituições financeiras. Normalmente os recursos obtidos servem para consumo ou para a geração de capital de giro;
  • Câmbio: compreende as transações que envolvem moedas estrangeiras; e
  • Capitais: é nele que ocorre a captação de recursos pelas empresas por meio da negociação de títulos, que são adquiridos pelas pessoas que querem investir e ver o seu dinheiro trabalhar por elas.

Apesar de o mercado de crédito e o de capitais possuírem propósitos semelhantes, a sua essência é bastante diferente. Isso porque, no mercado de créditos, são os bancos e outros tipos de instituições financeiras que proveem os recursos para as empresas por meio de empréstimos.

Já no mercado de capitais, a captação de recursos é feita por meio de pessoas que têm interesse em investir nessas empresas e, para isso, utilizam as corretoras de valores ou os bancos como intermediários.

Mercado primário

Esse mercado é caracterizado pela primeira emissão de títulos ou valores mobiliários por uma companhia, com o objetivo de captar recursos.

Ou seja, as companhias emitem dívidas para captar recursos diretamente do investidor. Nesse caso, em condições melhores condições que no mercado bancário.

O mercado primário é exatamente onde acontece essa operação, na qual a empresa negocia diretamente com os investidores. O montante captado é destinado aos projetos da empresa.

Ademais, dada a natureza dos projetos investidos, o retorno do capital pode levar vários anos ou não ser resgatável como no caso de ações. Então, nesse sentido, o mercado secundário é a fonte de liquidez para os investidores.

Secundário

O mercado secundário é onde os investidores compram e vendem os ativos emitidos pelas empresas.

Dessa forma, ocorre somente a transferência de propriedade e capital entre os investidores. Portanto, a empresa não tem participação na negociação.

Se o investidor pretende adquirir ações da Petrobras (PETR4) na Bolsa, estará negociando diretamente com outra pessoa, sem interferência da Petrobras. Portanto, essa operação acontece no secundário.

Mas, o mercado secundário de ações não é o único existente.

Os títulos de renda fixa também pode ser negociados no mercado secundário. Para isso, basta haver interessados no título, que as transações podem ser concluídas.

Ou seja, o investidor pode vender seu ativo para outro investidor interessado em receber o pagamento na data acordada. O ativo pode ser negociado entre eles – configurando, assim, um mercado secundário.

Como investir no secundário

Para investir no mercado secundário de renda fixa é necessária a ajuda de um assessor de investimentos ou um banco para intermediar a transação.

Isso porque apenas esses profissionais podem acessar as plataformas onde se encontram os produtos de renda fixa disponíveis.

Outra maneira de negociar no secundário é através de transações diretas, entre investidor e instituição financeira.

No caso de o investidor desistir de sua posição, antes do vencimento do produto, a instituição financeira negocia o título diretamente, o que garante uma maior liquidez.

No entanto, cabe frisar que operações de renda fixa no mercado secundário, podem ser menos atrativas, pois grande parte dos produtos tem seu valor descontado em caso de antecipação da venda.

Oportunidades

Apesar de pequeno, o mercado secundário de títulos de renda fixa vem ganhando maior liquidez nos últimos anos, através da mudança de hábitos do investidor brasileiro.

Hoje em dia, é possível encontrar boas oportunidades, comprando de outros investidores títulos com prazo já decorrido e taxas muito atrativas.

Isso porque o investidor que precisa de liquidez acaba vendendo o título com deságio. Dessa forma, o comprador obtém retornos mais altos.

Por exemplo, no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC), as corretoras conseguem comprar e vender diversos títulos públicos, inclusive aqueles títulos que não são mais ofertados pelo Tesouro Direto.

Já a plataforma Sisbex possibilita a compra e venda de títulos da renda fixa privada, como debêntures.

Dessa forma se você deseja investir no mercado secundário converse com o seu assessor de investimentos.