Mercado imobiliário: lançamentos recuaram quase 18% em 2020, diz CBIC

Paulo Amaral
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A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgou, nesta segunda-feira (22), os dados relativos ao mercado imobiliário em 2020, e revelou queda no comparativo com o ano anterior.

Segundo a CBIC, o setor foi atingido pela crise econômica causada pela pandemia do novo coronavírus e fechou o ano com retração de 17,8% nos lançamentos de imóveis residenciais.

Os dados do órgão mostraram que foram lançados em 2020 151.857 imóveis, número menor do que no ano anterior.

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Apenas no último trimestre do ano esse recorte foi positivo, com um aumento de 33,2% nos lançamentos, atingindo a marca de 61.274 unidades.

Para contrastar, no entanto, as vendas fecharam o ano com alta de 9,8% na mesma comparação, passando de 172.902 unidades comercializadas em 2019 para 189.857 em 2020. Entre o terceiro e quarto trimestre do ano, a alta foi de 3,9% nas vendas.

O mercado imobiliário por região

Segundo a CBIC, as regiões que melhor se saíram em relação aos lançamentos do mercado imobiliário no ano passado foram, pela ordem: Norte (9,7%) e Centro-Oeste (24,7%).

As que fecharam em queda nesse quesito foram a Nordeste (-9,6%), seguida pela Sudeste (-20,9%) e pela Sul (-32,7%).

No recorte sobre unidades vendidas, a única região em queda foi a Sudeste, que fechou 2020 com 2,2 abaixo de 2019.

As demais regiões tiveram alta nas vendas, puxadas pela Norte (50,1%). Na sequência apareceram a região Nordeste (49,7%), Sul (12,9%) e Centro-Oeste (9,2%).

Financiamentos imobiliários em alta

Vale lembrar que os dados coletados junto à Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) apontaram que, entre janeiro e outubro do ano passado, os financiamentos imobiliários concedidos com recursos da poupança totalizaram R$ 92,7 bilhões.

Esses números representam um crescimento de 48,8%  para o setor do mercado imobiliário na comparação com o mesmo período de 2019.

De acordo com a Abecip, isso ocorreu principalmente por conta dos juros baixos e dos depósitos recordes na Poupança, além da atuação dos bancos públicos em meio à crise e a aprovação do programa Casa Verde Amarela,.

Financiamentos imobiliários e 2021: os desafios

As incertezas sobre a recuperação dos empregos perdidos e da renda deixada para trás durante a pandemia pairam sobre o setor dos financiamentos imobiliários para 2021, mas não assustam.

José Carlos Martins, presidente da CBIC, apostou que a projeção do PIB do País para o ano que vem estará na casa dos 4%. Com isso, segundo o executivo, a expectativa para o ano que se inicia é “otimista conservadora”.

Já para Celso Petrucci, presidente da Comissão da Indústria Imobiliária da Cbic, o déficit habitacional no Brasil e mudanças de comportamento da população depois da pandemia, como a procura por imóveis mais afastados de áreas densamente povoadas, ajudarão a manter aquecida a procura pelos financiamentos imobiliários.

“Todos torcemos pela rápida recuperação na economia, pela queda do índice de desocupação, desemprego e por melhora na renda das famílias. Mas o Brasil tem tanta necessidade de habitação que isso não vem afetando o mercado e não afeta em 2021”, comentou.

Segundo ele, o mercado imobiliário conseguiu crescer em 2020, mesmo com o emprego e a renda em queda. Em sua visão, a manutenção da taxa Selic (juros básicos da economia) em 2% ao ano ao longo de boa parte de 2021 continuará a impulsionar os contratos.