Mercado imobiliário de SP cresce 49,6% em 2019 no volume de oferta

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Reprodução / EBC

O Sindicato da Habitação de São Paulo, Secovi-SP, divulgou nesta quinta-feira (13) o balanço do mercado imobiliário para a região metropolitana paulista no ano de 2019, bem como as expectativas para 2020. De acordo com a Embraesp (Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio), foram lançadas na cidade de São Paulo 55,5 mil unidades residenciais em 2019, volume 49,6% superior às 37,1 mil unidades lançadas em 2018. Estes números superaram o recorde de lançamentos do ano de 2007, quando foram lançadas 39 mil unidades.

Além disso, em 2019, a Pesquisa do Mercado Imobiliário (PMI) do Secovi-SP registrou 44,7 mil unidades residenciais novas comercializadas na cidade de São Paulo, o que representa um aumento de 49,5% em relação às 29,9 mil unidades vendidas em 2018 e superam o recorde de vendas de 2007, quando foram comercializados 36,6 mil unidades.

Preferências por pequenos imóveis

O Secovi-SP observa que esse expressivo crescimento deve-se, principalmente, ao aumento dos lançamentos de unidades econômicas e
compactas, com destaque para as regiões periféricas da cidade: “esse percentual de 66% de imóveis com menos de 45 m² está muito acima da média histórica, que é de 25%”, diz Basilio Jafet, presidente da entidade, completando que essa predominância de produtos com as mesmas tipologias pode trazer riscos futuros, além de limitar a escolha do consumidor.

O percentual de unidades comercializadas em 2019 mostra que Jafet tem razão. Os imóveis com menos de 45 m² respondem por 63% dos negócios. Os imóveis de 45 a 65 m², 14%. Já os com mais de 180 m², apenas 1,4%. Isso dá sinais às construtoras ao fazer seus planejamentos. Tanto que as unidades lançadas em 2019, incluindo as vendidas, são 66% com menos de 45 m².

Os imóveis de até R$ 270 mil respondem a 47% das vendas; os de R$ 240 mil a R$ 500 mil, por 26%; enquanto os de mais R$ 1,5 milhão, a apenas 5%; o que é justificável pelo recorte social do Brasil.

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Imóveis com dois dormitórios foram a preferência dos paulistanos na hora da compra em 2019: 60%. Com um dormitório, 23%. E a região da cidade mais procurada é a Sul, com 33%, seguida da Leste, com 28%. O Centro, saturado, corresponde a apenas 6% das vendas em 2019.

O balanço informa ainda que “A aceleração do volume de lançamentos também se justifica pelo aumento dos imóveis econômicos, enquadrados no Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Conforme dados do Balanço, do total lançado no ano passado, 49% eram unidades econômicas. Esse índice é o maior registrado desde que a Pesquisa Secovi-SP passou a acompanhar o desempenho desse tipo de mercado, em 2016, ano em que a participação era de 21%”.

Justificativa para o aumento de vendas

O recorde de 44,7 mil unidades residenciais novas vendidas na cidade é explicado, principalmente, pelo atendimento à demanda reprimida nos anos de crise econômica do país, que o Secovi-SP entende ter acontecido de 2014 a 2017.

“Durante esse período de recessão, muitas vendas foram postergadas”, diz a nota do balanço. “Com um ambiente econômico mais favorável, o comprador, principalmente o de mais baixa renda, retomou a confiança e voltou aos estandes de vendas em 2019”.

Os rumos do país também são, na análise do Secovi-SP um motivo para os bons números: “também encorajados pelas perspectivas positivas com o rumo do Brasil, os empreendedores ampliaram a oferta. Em termos monetários, tanto o VGL (Valor Global Lançado) quanto o VGV (Valor Global de Vendas) de, respectivamente, R$ 28 bilhões e R$ 22 bilhões, repetiram, em 2019, os desempenhos médios registrados na série histórica da Pesquisa Secovi-SP, iniciada em 2004. Esses valores estão atualizados na média dos anos pré-crise internacional, de 2008, período em que não havia o segmento de imóveis econômicos representado pelo MCMV”.

O presidente do Secovi-SP ressalta, ainda, que a produção de imóveis para a classe média e alta está bem abaixo da média, em consequência das restrições da Lei de Zoneamento atual: “em 15 anos, a média de imóveis lançados para esse público foi de 24 mil imóveis. E em 2019, foram lançadas pouco mais de 18 mil unidades para essa demanda, uma queda de 22%”.

Perspectivas para 2020

Para o Secovi-SP, o mercado imobiliário “aguarda com expectativa o andamento da Reforma Tributária e o seu atendimento às especificidades do setor, cuja atividade é de longo prazo, tem alto valor agregado, riscos de operação e exige previsibilidade. Para 2020, a expectativa é de que o mercado imobiliário repita o bom desempenho de lançamentos e vendas de 2019, com crescimento de 10% em termos de VGV (Valor Global de Venda)”.