Mercado de debêntures seca com a crise; veja quais são as perspectivas

Natalia Gómez
Editora, é jornalista especializada no mercado de investimentos há 17 anos. Formada pela PUC-SP, teve experiências em veículos como Agência Estado, Valor Econômico e Revista Você SA; e na área de comunicação corporativa e relações públicas para instituições financeiras.
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Não é apenas o mercado de títulos públicos que está sofrendo volatilidade com a crise mundial causada pelo coronavírus. O mercado de debêntures também está enfrentando um chacoalhão neste momento. 

Agora entenda o que está acontecendo e quais são as perspectivas:

Mercado secundário secou

A demanda por debêntures no mercado secundário secou nos últimos dias. A situação está se refletindo nos fundos de crédito privado, que têm muitas debêntures em suas carteiras.

No momento, estes fundos estão sofrendo resgates e alguns têm dificuldade de negociar os títulos para gerar caixa e honrar os pagamentos.

Para ter uma referência, confira o Idex-CDI, índice de debêntures criado pela gestora JGP, que está sofrendo uma queda expressiva neste momento, conforme o gráfico abaixo:

Agora veja a comparação do índice com o CDI:

Debandada

Além de não ter compradores, o mercado está sofrendo com o maior número de pedidos de resgates dos cotistas. 

A debandada levou a gestora Quatá Investimentos a fechar o fundo de investimentos Select Light para resgates. Segundo a gestora, a decisão foi tomada para preservar o patrimônio dos investidores.

Apesar de significativa, a queda vista neste mercado é muito mais suave do que está ocorrendo na bolsa. Mas por ser um mercado de renda fixa, este tipo de movimento deixa os investidores bastante assustados.

Se este é o seu caso, entenda por que a renda fixa varia.

A boa notícia 

Ao mesmo tempo, a boa notícia é que o aperto deste mercado não reflete uma deterioração da qualidade de crédito das companhias.

Segundo um relatório da XP Investimentos, as equipes de crédito das gestoras SPX, AZ Quest, JGP, Augme e Gama Investimentos são unânimes em afirmar que não existe, no momento, nenhuma preocupação com aumento de risco de crédito das empresas emissoras de debêntures. 

Em outras palavras, para os fundos que investem em empresas de primeira linha, as perspectivas seguem positivas, apesar da volatilidade momentânea, destacou a XP. Estes fundos são conhecidos como “high grade”.

BC deu uma força

Para dar uma ajuda a este mercado, o Banco Central anunciou nesta semana uma linha de R$ 91 bilhões os bancos comprarem debêntures. A medida foi voltada para os cinco maiores bancos que atuam no país. 

Depois da medida, os bancos Bradesco, Santander e Banco do Brasil já estariam olhando mais ativamente este mercado. A informação foi noticiada hoje pelo jornal Valor Econômico.

A expectativa é de que a volatilidade persista enquanto a crise mundial permanecer. No entanto, este mercado deve se normalizar aos poucos, com a retomada da demanda pelos títulos.


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