Melnick (MELK3): saiba mais sobre a subsidiária da Even que fará IPO

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

Além da crise do coronavírus o ano de 2020 caminha para ser marcado também pela grande entrada de empresas na Bolsa de Valores. Entre as 20 empresas do setor de construção civil que devem fazer IPO (oferta inicial de ações) neste ano está a Melnick Even Desenvolvimento Imobiliário (MELK3).

A construtora gaúcha é controlada pela Even Construtora e Incorporadora (EVEN3) e deve ser listada no Novo Mercado.

A empresa da família Melnick quer captar recursos para comprar terrenos, reforçar o caixa e ampliar sua atuação no segmento imobiliário.

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  • Estamos acompanhando essa nova onda de IPOs com uma série de publicações sobre as companhias que devem estrear na Bolsa em 2020. Entre as incorporadoras, já falamos da Cury, da One, da Plano e Plano, e da Nortis, que é outra subsidiária da Even.

A história da Melnick

Em dezembro de 1970, o engenheiro civil gaúcho Milton Melnick fundou com o amigo Péricles Correa a Melco. Eles aproveitaram o boom imobiliário residencial da década de 1970 e fizeram crescer a empresa.

A parceria durou até 1990, quando Milton Melnick decidiu criar uma nova empresa. Naquela época os dois filhos, Juliano e Leandro, ainda na faculdade, começavam aos poucos a se integrar aos negócios da empresa. Juntos, os três criaram a Melnick em 1992.

Em 2008, a empresa associou-se à Even quando o CEO da empresa era Carlos Eduardo Terepins. Hoje, a Melnick Even é o braço no Rio Grande do Sul da construtora Even, que foi fundada a partir da união da Terepins e Kalil Engenharia e a ABC.

Mas aos poucos, Carlos Terepins foi reduzindo sua participação na Even. Depois do IPO em 2007, ficou com uma fatia de 7% da empresa. Nos anos seguintes, Leandro Mel­nick e Rodrigo Arruy, gestor da fortuna da família Grendene, começaram a se tornar acionistas relevantes da companhia. Chegaram a deter 15% das ações e começaram a pressionar pela saída de Terepins.

Hoje, Juliano é CEO da Melnick e Leandro é CEO da Even.

A Melnick Even tornou-se uma das maiores construtoras e incorporadoras do Rio Grande do Sul e também do Brasil. Hoje, tem negócios não só no Estado gaúcho, mas também em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas.

O foco da empresa ao longo dos anos foram os empreendimentos de alto padrão. Porém, desde 2014, a construtora explora também o segmento de baixa renda.

Números da empresa

Hoje 68% da Melnick pertence à Even Construtora e Incorporadora.

Segundo a empresa o ROAE (return on average equity) médio dos últimos 10 anos foi de 21%. O lucro líquido médio no período de 2015 a 2019 foi de R$ 74 milhões. A empresa nunca teve um ano de prejuízos.

Em 2019, atingiu um VGV (Valor Geral de Vendas) de lançamentos de R$ 760 milhões.

O banco de terrenos da Melnick tem VGV potencial de R$ 11 bilhões. Hoje a Melnick Even tem mais de 500 colaboradores e já construiu 28 empreendimentos.

Números da Melnick Even

 

Sobre o IPO

Em 4 de setembro a empresa definiu a faixa indicativa de preços do IPO: de R$ 8,50 a R$ 12,50. Levando em conta a média deste valor e as 73.000.00 ações, a operação poderá chegar aos R$ 766 milhões.

A venda responderá por 35,1% do capital social da empresa.

A operação da Melnick incluirá ofertas primária (ações novas, cujos recursos vão para o caixa da companhia) e secundária (papéis detidos pelos atuais sócios).

Mas um lote adicional de até 15% e outro suplementar de 20% poderão ser realizados. Assim, considerando a faixa média de preços, a captação poderá ultrapassar R$ 1 bilhão.

A operação será coordenada por BTG Pactual, Itaú BBA, XP e Safra.

Os projetos da Melnick

A construtora acredita que está diante de uma “oportunidade ímpar de crescimento” para os próximos anos.

Entre os fatores positivos elencados está a manutenção da participação da Melnick no mercado de atuação, baixa concorrência e contínuo fortalecimento da marca, landbank qualificado e histórico com volume de lançamento em patamar relevante.

Com os recursos captados através do IPO, a empresa pretende investir majoritariamente na compra de terrenos para compor o landbank (banco de terrenos). “Estamos focados na aquisição em dinheiro de terrenos que tenham ciclo curto entre aquisição e lançamento, estratégia que faz com que o acionista aufira retorno a curto prazo”, diz a empresa.

Outra parte dos recursos será destinada ao caixa da empresa. Parte será usada para capital de giro, já que atualmente a companhia é financiada pelas suas sócias, e outra parte será destinada ao caixa restrito aos projetos.

Assim, em resumo, os recursos captados serão usados da seguinte forma:

  • Aquisição de terrenos: 55%;
  • Reforço de caixa: 28%;
  • Reforço de caixa das sociedades de propósito específico: 17%.