Conheça a estratégia dos melhores fundos de ações da década

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Reprodução/QuoteInspector.com

O investimento em fundos de ações pode ser uma boa opção para quem quer aplicar na Bolsa mas não tem tempo de fazer a gestão de ativos.

Neles, uma equipe profissional faz a escolha dos ativos a serem comprados ou vendidos, de acordo com a estratégia prévia do fundo. Você lucra com a valorização ou a entrega de dividendos dessas ações, mas paga uma taxa administrativa ao fundo.

Existem diversos fundos de ações à disposição dos investidores. Eles podem ter as mais variadas estratégias, segmentos e perfis de risco. Então, como escolher o ideal para você.

Um primeiro passo é saber qual o seu perfil de investidor, entender melhor como esses fundos funcionam e então conhecer os fundos com melhor performance nos últimos anos, o que vamos mostrar neste artigo.

Confira os melhores fundos de ações da década:

  • 1º. lugar: Atmos Ações FIC FIA
  • 2º. lugar: AZ Quest Small Mid Caps FIC FIA
  • 3º. lugar: Brasil Capital FIC FIA

Esses três produtos são fundos de ações agressivos e, segundo Nelson Muscari, coordenador de fundos da Guide, têm em comum a boa gestão e estratégia.

“Os três têm equipes robustas, baixa turnover de equipe e processos muito bem delineados. Com a exceção do ARX Extra, que teve uma mudança ou outra na equipe de gestão, todos esses fundos estão há mais de 5 anos de com a mesma equipe”, explica o especialista.

E são justamente esses os quesitos fundamentais para o sucesso de um fundo. Eles tornam o ambiente propício a ter boas performances, afinal, o trabalho acaba sendo mais eficiente e, principalmente, consistentes.

“A questão da consistência é fundamental. É importante que esses fundos, apesar de terem performances que oscilam um pouco, estão consistentemente acima do seu benchmark”, comenta.

Olhando para estratégia, os fundos Atmos e Brasil Capital são mais tradicionais. Eles buscam empresas supervalorizadas, que olham para o longo prazo. Dessa forma, é muito difícil ter perdas.

Já o AZ Quest é um fundo focado em small caps. Dessa forma, ele tem um bom retorno por lucrar com o beta da Bolsa. Como essa modalidade se beneficia em momentos de grande alta, algo que temos vivido desde 2016, a performance dele está boa.

Small caps: são empresas de pequena capitalização de mercado, abaixo de US$ 1 bilhão.

Beta: é a medida do risco causado pela exposição a movimentos gerais de mercado em oposição a fatores de características específicas. Ou seja, o beta de um investimento indica se ele é mais ou menos volátil do que o mercado como um todo.

Rentabilidade

O gráfico da rentabilidade desses três principais fundos de ações nos últimos 10 anos mostra que eles subiram mais que o CDI e Ibovespa.

Além disso, é possível ver uma subida considerável a partir do ano de 2016. Isso é explicado pelo contexto político do Brasil, garante Elias Wiggers, assessor de investimentos da EQI.

Atingir um patrimônio de R$ 100 mil é para poucos, o que amplia o desafio de busca pelas melhores aplicações para multiplicá-lo.

Melhores fundos de ações da década: veja a rentabilidade

Fonte: EQI

“Esses fundos de ações começaram a performar bem justamente depois da aprovação do impeachment da presidente Dilma. Antes disso, nós tivemos cinco anos de mercado complicado, com uma Bolsa bastante lateralizada”, explica Wiggers.

Mercado mais estável contribuiu para boa performance

No período posterior à saída da Dilma, o mercado era bastante instável. Ações caiam e subiam com certa frequência, principalmente por conta da desconfiança do mercado internacional a respeito dos rumos fiscais que o Brasil estava tomando, com juros altos, o que atraia mais o capital especulativo.

Ou seja, havia uma cesta de complicações que fazia com que nenhum investidor internacional quisesse emprestar dinheiro para o país. “Gastávamos mais do que podíamos e estávamos caminhando para um regime de quase insolvência, já que a dívida pública crescia a passos largos e já estava alcançando o PIB”, lembra o assessor.

Naquele período também se via um crescimento econômico mundial, com os estímulos que as grandes economias fizeram após a crise de 2008. No entanto, esse dinheiro ficou nas grandes economias, se expandiu para alguns emergentes, como a China, mas não chegou no Brasil justamente pelos riscos fiscais.

Isso tudo começou a mudar a partir do final de 2015 e início de 2016, quando vimos o nosso mercado dar um salto. Foi a partir desse momento que esses fundos de ações tiveram resultados mais expressivos.

“Claro que isso aconteceu também porque eles fizeram boas escolhas, tinham boa gestão e bons ativos. Além disso, tiveram a felicidade de estarem posicionados em ativos que tiveram grande valorização. A partir dai, a gente vê esse histórico invejável que esses fundos tiveram”, completou Wiggers.

Expectativa futura quanto a esses fundos de ações

A expectativa da Guide Investimentos é que esses fundos continuarão com bom desempenho em 2021. Até porque, há uma grande aposta de que a Bolsa atinja 135 mil pontos, crescendo exponencialmente.

Ela deve ser o investimento mais procurado no ano, visto que a taxa de juros está e deve continuar baixa. Assim, seus melhores produtos serão, certamente, os mais procurados e, consequentemente, beneficiados dessa alta.

“Esses fundos de ações, independentemente do cenário para daqui um ano, têm as características fundamentais para serem bem sucedidos. Possuem os processos bem delineados e uma gestão forte”, finaliza Muscari.