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Melhor do que nunca ou em risco de recessão? Conheça a atual situação econômica dos Estados Unidos

Trump tem apontado que a economia de seu país está forte, contudo, o mercado enxerga uma desaceleração. Entre os analistas do mercado financeiro, há quem acredite em uma possibilidade de crise.

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Em suas últimas declarações, o presidente dos Estados UnidosDonald Trump afirmou que a economia norte-americana “nunca esteve tão bem”. Por outro lado, uma série de agentes de mercado e analistas apontam alguns sinais de que a economia do país está desacelerando. Alguns, inclusive, chegam a falar em risco de uma recessão.

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Crédito da imagem: Anthony Behar/Sipa USA/AP

Um dos fatores que agravaram as preocupações acerca da economia dos EUA, principalmente no que diz respeito aos últimos meses, foi a guerra comercial travada por Trump contra vários países, principalmente a China, isso sem contar que o governo enfrenta um verdadeiro impasse político por conta da construção de um muro na fronteira dos EUA com o México.

As incertezas no país podem levar o Federal Reserve (Fed) – Banco Central norte-americano – a alterar os seus planos quanto ao ritmo do aumento dos juros nos EUA. Ultimamente, o Fed tem monitorado a marcha do crescimento da economia. Nesse sentido, tem elevado gradualmente as taxas como uma forma de reduzir os riscos de uma inflação, mas a medida tem sido alvo de críticas por parte de Trump.

Contudo, recentemente, uma série de diretores de empresas no país têm previsto alguns sinais de incerteza, o que fez com que os analistas não conseguissem mais chegar a um consenso em relação ao que deve ocorrer em 2019, visto que, anteriormente, o mercado contava com duas altas para o ano.

Ações de estímulo e a herança do governo Obama

Entre suas primeiras medidas como presidente, Trump promoveu a diminuição de impostos como uma forma de aumentar o consumo das famílias e, também, o crescimento do mercado de trabalho. O economista-chefe da MAPFRE Investimentos, Luís Afonso Lima, comenta que, no início de seu governo, a mais importante medida tomada por Trump foi a diminuição do Imposto de Renda tanto das pessoas físicas quanto das pessoas jurídicas. Essa atitude promoveu uma melhora na renda das famílias, que passaram a consumir mais. Além disso, as empresas passaram a contar com uma maior capacidade investir, o que acabou gerando um aumento nas contratações.

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Crédito da imagem: White House Press Pool

Mesmo que a taxa de desemprego nos EUA esteja caindo nos últimos meses, diversos economistas concordam que o volume de pessoas desocupadas no país já estava em uma queda contínua desde o governo anterior. Esse comportamento também abrange o PIB (Produto Interno Bruto). De acordo com Lima, não é fácil distinguir o progresso entre os dois governos.

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Na opinião de Otto Nogami, professor de economia do Insper, o movimento de queda na taxa de desemprego é mais fruto das medidas adotadas por Obama durante o seu governo. Para ele, Trump apenas herdou uma economia em condição sustentável deixada por seu antecessor.

Enquanto há uma queda na taxa de desemprego, por outro lado, o custo que as empresas possuem para gerar esses postos de trabalho aumentou ao longo do governo Trump, isso em comparação aos anos em que Obama esteve no poder conforme aponta o Departamento do Trabalho.

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Os economistas também apontam o fato de que a tentativa de gerar um aquecimento da economia por meio da diminuição de impostos, adotada por Trump, pode gerar um custo negativo sobre a atual dívida do governo.

De acordo com o coordenador do curso de Economia da FAAP, Paulo Dutra, essa piora no endividamento do país pode gerar uma série de impactos na inflação, uma vez que o governo tem a capacidade de realizar a emissão de um maior volume de moeda como uma forma de cobrir os seus gastos, fato que gera alta nos preços e uma desvalorização do dólar.

Dutra ainda alerta que esse crescimento econômico, que tem por base o a redução de impostos, é algo temporário e que pode gerar uma pressão inflacionária no futuro. Ele ainda aponta que Trump tem promovido uma política de cunho populista em relação às contas públicas.

Dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) mostram que a relação entre a dívida pública dos EUA e seu PIB deve crescer ao longo dos quatro anos de mandato de Trump e atingir os 110% ainda em 2020.

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Dutra ainda explica que um percentual alto da dívida sobre o PIB não é um problema, pois o que os economistas observam é a velocidade desse crescimento, que só não é maior nos EUA por conta do crescimento da economia. Caso isso não estivesse ocorrendo, o país já estaria enfrentando grandes problemas, pois os gastos do governo sobem em um patamar maior que as receitas.

Forças contrárias

O professor Nogami, do Insper, aponta que os estímulos promovidos por Trump caminham em um sentido contrário aos planos do Fed no que tange a elevação dos juros. Essa contradição, de uma maneira geral, pode ser algo que prejudicará a economia dos EUA. Isso acontece, pois, enquanto o presidente trabalha para reduzir impostos como uma forma de aumentar o consumo, o Fed promove um movimento contrário com o intuito de mitigar os riscos de uma alta na inflação.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By jirkaejc

Nogami ainda explica que o Fed tem atuado de modo a esfriar a atividade da economia norte-americana. Nesse sentido, Trump tem comprado uma briga com a autoridade monetária reduzindo a carga tributária como uma forma de neutralizar a sua ação. O professor explica que esse embate que está ocorrendo nos EUA pode levar a uma componente recessiva bastante forte, uma vez que a política fiscal não entra em consenso com a monetária.

Ainda de acordo com Nogami, a “briga” entre a política fiscal e a taxa de juros nos EUA pode reduzir a confiança dos empresários no país e, consequentemente, reduzir o volume de investimentos. A confiança do consumidor também pode ser afetada por esse processo, fato que também gera uma redução no ritmo da economia.

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Há risco de uma recessão?

O recente fenômeno que envolve a curva de juros nos EUA acabou por agravar as preocupações com a economia do país. Assim, muitos economistas acreditam que o país está próximo de uma recessão.

O problema é que as curvas de juros de curto e de longo prazo nos EUA estão bastante próximas. Nesse sentido, se alguém faz um investimento com resgate em dois anos no país, perceberá um rendimento próximo ou até maior do que os de alguém que realizou um investimento de 10 anos, por exemplo.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By ollinka

O fato é que, nas últimas vezes em que essa situação ocorreu, os EUA acabaram entrando em recessão pouco tempo depois. Essa inversão pode acabar gerando um abalo na economia do país.

Para Lima, o movimento que começou no fim do terceiro semestre do ano passado é um forte sinal de que a economia norte-americana entrará em recessão. Para ele, o fato de que um título curto esteja recebendo mais rendimentos não faz sentido e isso pode indicar problemas na economia do país.

Já Dutra, por sua vez, acredita que o risco de uma recessão nos EUA seja oriundo de uma pressão inflacionária. O economista ainda aponta que uma alta de preços no país é só uma questão de tempo. Ele ainda aponta que a única forma de se fazer o ajuste dessa situação é por meio de uma crise.

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Dutra ainda explica que a guerra comercial travada por Trump, além de restringir as importações, acabou por elevar os preços dos insumos no país. Assim, como as empresas conseguem vender os seus produtos por um preço maior, acabam por contratar uma quantidade maior de pessoas para trabalhar, o que é bom do ponto de vista da mão de obra. Contudo, isso acaba gerando duas pressões inflacionárias: uma sobre o preço do insumo e outra sobre a mão de obra, tudo isso validado pelo aumento do poder de compra das pessoas.

Para Lima, a economia norte-americana também deve perder força ao longo dos próximos meses. Ele explica que essa desaceleração, na realidade, já está acontecendo e que o risco é de que o país enfrente uma recessão nos moldes de dois trimestres de variação negativa do PIB.

Nogami analisa que os ciclos na economia norte-americana são muito claros, pois, ao passo que se chega a um auge, naturalmente se entra em um processo de arrefecimento. O grande problema é que Trump não aceita esse fato.

De que forma uma crise nos EUA afetaria o Brasil?

Os EUA são um dos principais parceiros comerciais do Brasil e respondem pelo segundo maior volume de exportações, perdendo apenas para a China. Somente em 2018, o Brasil exportou cerca de US$ 28,7 bilhões em produtos para o país norte-americano, além de ter importado cerca de US$ 28,9 bilhões, isso conforme dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços.

Durante a crise de 2008, que afetou fortemente os EUA, o governo brasileiro adotou algumas medidas para aquecer o mercado interno e evitar que a economia do país fosse afetada. Uma dessas medidas foi o corte de impostos. Contudo, os economistas alertam que, caso os EUA enfrentem uma nova recessão em 2019, a situação das contas públicas brasileiras não permitiria que essa estratégia se repita, o que mostra uma maior vulnerabilidade do Brasil a uma crise mundial neste ano.

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Crédito da imagem: Banco de Imagens EnvatoElements/By Vladdeep

Dutra aponta que o único instrumento de política fiscal que o Brasil conta atualmente é a taxa de juros, diferentemente do que acontecia em 2008. Já Nogami aponta que as origens da crise de 2008 eram o mercado financeiro, ao passo que uma crise em 2019 seria “estritamente econômica”, o que atingiria o Brasil com muito mais força.

Lima ainda aponta que um dos principais riscos que envolvem os países emergentes, como é o caso do Brasil, é a desvalorização da moeda local, isto é, inflação. O economista explica que em um momento em que os investidores estão fugindo do risco, o mercado tende a buscar um “porto seguro”, que continua sendo a economia norte-americana, mesmo que esteja atravessando um período de crise. Para ele, o fato de as pessoas buscarem o dólar acaba fortalecendo a moeda norte-americana.

Fonte da notícia: Portal G1

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Késia Rodrigues - Colaboradora Independente

Colaboradora Independente do Portal EuQueroInvestir e leitora assídua de conteúdos sobre economia e política. Apaixonada por literatura, viagens, tecnologia e finanças.

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