Medidas restritivas devem levar de dois a quatro meses, aponta estudo

Rebeca Torres
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Crédito: Geralt / Pixabay

Baseada em uma comparação entre quatro países, pôde-se chegar à conclusão que o caso do coronavírus no Brasil, tende se aproximar mais do modo como a doença evoluiu na China. Porém, as condições específicas apresentadas pelo Brasil podem contribuir tanto para um desvio positivo quanto negativo em relação ao país asiático, é o que mostra um estudo feito pela Arko Advice.

A favor do Brasil está a efetiva ação de isolamento social imposta pelo governo, o que poderá permitir ao país normalizar suas atividades de forma mais rápida. Mas, o fato é que ainda é cedo para afirmar como será o comportamento da Covid-19 durante os meses mais frios do ano, época em que a pandemia se juntará ao surgimento de outras doenças respiratórias.

Assim, fica clara a necessidade de uma ação conjunta de todas as esferas do governo, para que façam com que a crise tenha o menor impacto possível na economia local.

Por isso, a Arko Advice parte da premissa de que seja feito em um curto espaço de tempo, um plano nacional de reconstrução que seja voltado para a retomada do desenvolvimento, bem como da recuperação da economia como um todo. Tal plano, poderia ser criado como uma continuação das medidas que já estão em curso, com o objetivo de servir como base para a estabilização de uma nova estratégia brasileira de desenvolvimento.

Modelo Chinês

O primeiro caso da doença a se ter conhecimento foi na cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, em 29 de dezembro de 2019, mas foi em 1° de dezembro daquele ano na China que a Covid-19 foi identificada. Porém, os casos só começaram a ser monitorados de fato e de forma diária pela Universidade Johns Hopkins, a partir de 22 de janeiro de 2020.

No país, a quarentena teve seu início em 23 de janeiro. Quase um mês após o registro do primeiro caso e quase dois meses em relação à identificação do primeiro contaminado.

Desse modo, podemos notar no monitoramento feito pela John Hopkins que, foi após a decretação da quarentena, mais precisamente em 7 de março, que o número de casos confirmados passou a ser controlado, ficando em torno de 100 casos/dia.

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Mesmo com esse controle, o fim da quarentena no país só se deu em 23 de março, dois meses após o início do isolamento social. Se levarmos em consideração o primeiro caso registrado – 29 de dezembro de 2019 – a quarentena teve a duração de aproximadamente três meses.

Enquanto que a quantidade de óbitos passou a cair em 12 de março, momento em que o número ficou cerca de dez ao dia. Já nos últimos dias de março, a perda de vidas passou a ser de quatro ou cinco por dia. Em relação ao registro da primeira morte (23/01), haviam se passado, portanto, quase três meses.

Modelo italiano

Para a Itália, país que registra a situação mais difícil em relação à epidemia do coronavírus na Europa, a estratégia para combater a doença foi diferente da adotada pela China. Por isso, os resultados nada animadores demonstraram que a resistência em colocar toda a população em quarentena o mais breve possível, em particular na região da Lombardia, epicentro da Covid-19 no país, foi equivocada.

O primeiro registro de coronavírus na Itália ocorreu em 23 de janeiro e até 20 de fevereiro, isto é, cerca de um mês depois, o país ainda tinha pouca contaminação e nenhuma morte. Foi a partir de 29 de fevereiro que o país começou a registrar mais de mil casos diários da doença chegando a uma situação de total descontrole.

Somente em 9 de março é que o confinamento social foi estabelecido no país, mais de dois meses após a confirmação do primeiro caso, fazendo com que a queda no número de casos só fosse sentida por aqueles dias – umas duas semanas após o início da quarentena.

Mesmo com todas essas medidas de prevenção, o número de mortos continua alto e muito se deve ao erro inicial da Itália de não adotar medidas de isolamento mais rígidas. Sem falar, no fato de o país ter um número elevado de pessoas idosas, tendo em vista que é a partir dos 60 anos que o risco de morte ao contrair a Covid-19 é considerado maior, daí o motivo da doença ter adquirido o caráter de catástrofe humanitária na Itália.

Modelo espanhol

Seguindo o modelo similar à Itália, a Espanha teve o primeiro caso de coronavírus registrado no país em 1° de janeiro, com o número de infectados seguindo baixo até o início de março, momento em que a contaminação começou a se intensificar.

A quarentena foi intitulada somente em 14 de março, quando o número diário de infecções já passava dos 5 mil. Por isso, como o isolamento social só foi decretado apenas há duas semanas, a quantidade de doentes – assim como o número de mortes – se mantém alta no país.

Da mesma forma como aconteceu na Itália, a evolução da Covid-19, entre os espanhóis, demonstrou que a estratégia de não se decretar logo a quarentena foi um erro, se comparado com a trajetória da doença na China.

Modelo Americano

Já nos EUA, foi registrada a mesma tendência da Itália e da Espanha. E, por mais que o primeiro caso da doença tenha acontecido em 22 de janeiro, foi mantido um número baixo de contaminados até 23 de fevereiro e a decisão de se minimizar o tamanho do problema gerou, a partir de 3 de março, um grande aumento no número de casos confirmados de Covid-19, até se chegar a uma situação de descontrole.

Um fato que mostrou o quão grave está a situação no país, foi o recuo feito pelo presidente Donald Trump no que se refere à resistência inicial de intitular medidas mais severas, visto que nos EUA, o isolamento social só foi anunciado em 24 de março, quando o número de infectados e mortos já estava em expansão.

Como o isolamento social no país só começou a cair há pouco mais de uma semana e seus efeitos demoram a ser sentidos – em torno de duas a três semanas – o número de contaminados só deve começar a cair de fato daqui há alguns meses.

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