BEEF3, MDIA3 e MRFG3 devem ter resultados positivos no 2TRI, prevê BB

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação

As empresas do setor de alimentos e bebidas devem apresentar resultados positivos nos balanços do segundo trimestre de 2020. A previsão é do Banco do Brasil. Empresas como M Dias Branco (MDIA3), Marfrig (MRFG3) e Minerva Foods (BEEF3) devem apresentar bons resultados segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (27).

Na avaliação do BB, os resultados mais fortes devem vir de empresas mais expostas à carne bovina, dado o cenário favorável para as exportações.

“Por outro lado, maiores custos com grãos devem impactar margens em BRF, e os resultados de JBS ainda devem refletir um ambiente mais desafiador para indústria de carne nos EUA, embora com recuperação sequencial”, dizem os analistas.

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No Brasil, a M Dias Branco deve ter resultados positivos, fruto de melhora na execução e demanda consistente no período de isolamento. Esse mesmo aspecto tem reflexo negativo nos resultados de Ambev, com bares e restaurantes ainda fechados no 2T20.

Abaixo estão as análises feitas pelo BB das seis empresas do setor e as respectivas recomendações.

Projeção de resultados do BB para o setor de alimentos do 2TRI20

Ambev (ABEV3)

A divulgação dos resultados da Ambev será em 30 de julho.

Segundo o BB, a Ambev deve apresentar uma significativa redução em volumes. Isso é reflexo do menor consumo na pandemia que, somado a maiores custos e despesas, deve levar a margem Ebitda a 34,1%. Ou seja, bem abaixo de sua média histórica de 42,5% dos últimos cinco anos.

No Brasil, o segmento de cerveja deve enfrentar o impacto negativo de bares e restaurantes fechados no período. Assim, o BB estima queda significativa em volumes de 29% a/a que, em conjunto com maiores custos e despesas relacionados às iniciativas de combate ao Covid-19, deve ter um efeito adverso na margem Ebitda, que é projetado em 30,3% vs 37,5% no 2T19.

Já o segmento de não alcoólicos deve ser menos impactado devido sua maior representatividade em supermercados e demais redes varejistas. Portanto, o BB estima uma redução em volumes de 6% a/a e um declínio em margem Ebitda de 4,0 p.p. a/a diante de maiores custos e despesas.

O lucro líquido da Ambev deve cair 57%. Assim, sairá de R$ 2,6 bilhões no segundo trimestre de 2019 para R$ 1,1 bilhão no mesmo período de 2020. Já a receita deve ter uma queda de 10,3%. Ou seja, sairá de R$ 12,1 bilhões para R$ 10,8 bilhões.

 

JBS (JBSS3)

A divulgação dos resultados da JBS será em 13 de agosto.

A JBS deve reportar resultados positivos em todas as suas unidades na comparação trimestral, exceto pela Pilgrim’s Pride, que ainda deve enfrentar um ambiente desafiador devido ao fechamento do canal de Food Service nos EUA.

Assim, maiores custos relacionados à menor utilização de capacidade nos EUA ainda devem limitar maiores ganhos em margem Ebitda, que o BB estima em 9,9%.

Assim, o BB estima margem Ebitda de 7,9% vs. 8,9% no 2T19.

A Pilgrim’s Pride ainda deve refletir a menor demanda no Food Service em razão de sua exposição a esse canal, que ainda não voltou a operar em sua totalidade. Como consequência, a indústria realoca sua produção no varejo, causando uma superoferta e pressão nos preços.  Assim, o BB projeta margem Ebitda de 3,4%, uma queda significativa a/a de 8,9 p.p.

No Brasil, as margens da JBS devem seguir tendência positiva da indústria de carne bovina no Brasil. Isso inclui exportações mais fortes e valorização cambial impulsionando os resultados.

“Logo, estimamos margens de 5,1% ante 4,7% no 2T19. Seara deve seguir mesma trajetória positiva observada no 1T. Maiores volumes exportados, dólar mais forte e aumento das vendas dos processados no período de pandemia têm levado a unidade a resultados robustos. Assim, estimamos margens sólidas de dois dígitos em 17,6% vs 11,1% no 2T19”, dizem os analistas.

O lucro líquido ajustado da JBS deve cair 23,3%. Assim, sairá de R$ 2,1 bilhões no segundo trimestre de 2019 para R$ 1,6 bilhão no mesmo período de 2020. Já a receita deve ter um aumento de 37,7%. Ou seja, sairá de R$ 50,8 bilhões para R$ 68,4 bilhões.

 

BRF (BRFS3)

A divulgação dos resultados da BRF será em 12 de agosto.

Apesar de esperar resultados ainda positivos da execução no Brasil e de significativo volume de vendas para Ásia, a BRF deve apresentar resultados mais fracos na comparação anual, diz o BB.

Dois fatores levam a esses resultados: maiores custos com grãos e despesas relacionadas às iniciativas da empresa para prevenção da Covid-19 em suas unidades e dificuldades na região Halal.

”Assim, estimamos margem Ebitda de 11,8%, queda de 2,8 p.p. comparado ao 2T19 (ex-tributos). No Brasil, a contínua melhora no desempenho do segmento de processados, somado ao aumento de preços a/a, devem beneficiar a receita, em nossa visão. No entanto, maior ociosidade das plantas e maiores despesas devem pressionar a margem Ebita, que estimamos em 11,5%, ligeiramente superior aos 11,3% do 2T19 (ex-tributos)”, diz o BB.

No segmento internacional, a Ásia deve continuar contribuindo com demanda consistente. Porém maiores custos e despesas devem limitar maiores ganhos. A estimativa é de margem de 20,5%, um leve incremento de 50 bps a/a.

A BRF deve reverter o lucro do segundo trimestre de 2020 em prejuízo. Assim, sairá de R$ 191 milhões positivos no segundo trimestre de 2019 para um prejuízo de R$ 321 milhões no mesmo período de 2020. Já a receita deve ter um aumento de 17,7%. Ou seja, sairá de R$ 8,3 bilhões para R$ 9,8 bilhões.

 

M Dias Branco (MDIA3)

A divulgação dos resultados da M Dias Branco será em 7 de agosto.

Mesmo diante de uma base de comparação mais difícil, dólar mais forte e, consequentemente, maiores custos com trigo, o BB espera um resultado positivo para a M Dias Branco.

O resultado é reflexo da melhoria de execução da empresa e uma demanda consistente.

Assim, a estimativa é de um aumento de 6% a/a em volumes e maiores preços (+7% a/a), mas sendo parcialmente compensados por maiores custos e despesas relacionadas às ações adotadas na prevenção contra o Covid-19.

Como resultado, a projeção para o Ebitda ficou em R$ 209 mi com margem de 12%, marginalmente maior que os 11,8% do 2T19.

O resultado líquido da M Dias Branco deve aumentar 31,1%. Assim, sairá de R$ 101 milhões no segundo trimestre de 2019 para R$ 132 milhões no mesmo período de 2020. Já a receita deve ter um aumento de 12,8%. Ou seja, sairá de R$ 1,5 bilhão para R$ 1,7 bilhão.

 

Marfrig (MRFG3)

A divulgação dos resultados da Marfrig será em 12 de agosto.

A Marfrig deve apresentar fortes resultados no 2T20, puxados principalmente pela recuperação de margens nos EUA e pela continuidade da rentabilidade na América do Sul.

Assim, no consolidado, o BB espera margem Ebitda de 14,6%. Ou seja, um significativo aumento comprado aos 9,5% do 2T19.

Na América do Norte, a combinação de uma demanda consistente, maiores preços médios, a valorização do dólar, e menores custos com gado, deve suportar um avanço substancial em margem Ebitda. A estimativa é de 15,8% vs. 10,4% no 2T19.

Na América do Sul, a tendência positiva do 1T deve continuar, com maiores volumes exportados compensando menores volumes.

“Assim, considerando ainda o efeito positivo do dólar na exportação, esperamos margens de 13,2% ante 6,3% no mesmo período do ano passado”, afirmam os analistas.

O lucro líquido da Marfrig deve aumentar de R$ 87 milhões para R$ 786 milhões no comparativo entre o segundo trimestre de 2019 e o de 2020. Já a receita deve ter um aumento de 40,3%. Ou seja, sairá de R$ 11,7 bilhões para R$ 16,4 bilhões.

 

Minerva (BEEF3)

A divulgação dos resultados da Minerva (BEEF3) será em 28 de julho.

Os resultados de Minerva para o 2T20 devem seguir tendência positiva observada no último trimestre. Diante de um cenário bastante favorável para exportações de carne bovina, a empresa deve se beneficiar com aumento de volumes no mercado externo, principalmente para China.

O BB espera que os preços mais altos em ambos, no mercado doméstico e internacional, somado ao dólar mais forte, compensem maiores custos por conta de menor utilização de capacidade e despesas atreladas a iniciativas voltadas ao combate do Covid-19.

Assim, a estimativa é de um Ebitda de R$ 550 mi (+51% a/a) e margem de 11,2%, ante 9% no 2T19.

A Minerva (BEEF3) deve reverter o prejuízo do segundo trimestre de 2019. Assim, ela sairá de um prejuízo de R$ 113 milhões no segundo trimestre de 2019 para um lucro de R$ 236 milhões no mesmo período de 2020.

Por fim, a receita da Minerva (BEEF3) deve ter um aumento de 21,7%. Ou seja, sairá de R$ 4,0 bilhões para R$ 4,8 bilhões.

 

Tá, e aí?

Abaixo, estão as recomendações feitas pelo BB para cada empresa e o preço-alvo para cada ativo.

ABEV3 – neutro – R$ 14,5

JBSS3 – compra – R$ 33

BRFS3 – compra – R$ 25

MDIA3 – compra – R$ 37

MRFG3 – compra – R$ 14

BEEF3 – compra – R$ 14