Marfrig (MRFG3): resultado forte mantém recomendação de compra

Osni Alves
Jornalista (2007); Especializado em Comunicação Corporativa e RP (INPG, 2011); Extensão em Economia (UFRJ, 2013); Passou por redações de SC, RJ e BH (oalvesj@gmail.com).
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Crédito: Marfrig (MRFG3): resultado operacional forte e manutenção de recomendação e compra

Por conta do forte resultado operacional da Marfrig (MRFG3), a XP Investimentos reforçou a recomendação de compra da companhia de alimentos.

De acordo com a analista Betina Roxo, a gestora aumentou o preço-alvo da Marfrig que passou de R$ 13 por ação para R$ 18 por ação.

Ela elencou o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 1,2 bilhão, 10% acima da expectativa da XP, sendo uma alta de 109% a.a. A empresa divulgou balanço ontem.

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Segundo a analista, a companhia foi puxada pela forte demanda nos EUA, preços mais altos e fortes exportações, especialmente para a China, além de ganhos de eficiência operacional e reduções de custo na América do Sul. Também a depreciação cambial.

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MRFG3: receita líquida

Conforme Betina, a receita líquida consolidada foi de R$ 13,5 bilhões, 3% abaixo da expectativa, mas, ainda assim uma alta de 26,6% a.a., em função de uma receita de exportação 46,5% maior.

Essa receita também se deu por conta de fortes resultados na operação norte-americana. O lucro líquido das operações continuadas foi significativamente afetado pela despesa de R$ 632 milhões de variação cambial com efeito não-caixa.

“No entanto, o lucro líquido torna-se positivo em R$ 32 milhões após ajustado para uma despesa não recorrente de R$ 169 milhões”, disse.

MRFG3: capital de giro

De acordo com a analista, neste trimestre a Marfrig liquidou R$ 938 em operações de capital de giro, resultando em uma economia estrutural de R$ 100 milhões.

Também o fluxo de caixa livre recorrente foi positivo em R$ 243 milhões, após eliminação dos efeitos pontuais da liquidação das operações de capital de giro e do pagamento de um bônus de R$ 759 milhões na operação na América do Norte.

“Atualizamos nosso modelo com os números do primeiro trimestre de 2020, que vieram acima do esperado, além de incorporarmos o novo cenário macroeconômico, conforme expectativas da nossa equipe de economia, com um real particularmente mais fraco frente ao dólar”, frisou.

Veja o desempenho da MRFG3 na Bolsa:

Fonte: tradingview.

MRFG3: América do Sul

De acordo com a XP, a receita da América do Sul cresceu 26% a.a., com destaque para exportações e processados.

Isso porque as operações na América do Sul registraram bons resultados, com receita líquida de R$ 3,8 bilhões no período, sendo 26,1% superior ao ano anterior.

Esse resultado foi puxado pelo volume de exportação 64,5% maiores, preços de exportação 30,4% maiores, receita 87% maior de alimentos processados, e depreciação do BRL.

MRFG3: trimestre

Segundo a gestora, no trimestre, China e Hong Kong representaram cerca de 60% da receita de exportação da Operação Sul-Americana. O total de exportações representou 60% da receita da operação, ante 45% no 1T19.

O aumento no resultado de alimentos processados, combinado com o programa de melhoria operacional da Marfrig lançado em 2019, também foi positivo para as margens.

O Ebitda ajustado da divisão América do Sul foi de R$ 464 milhões, com uma margem Ebitda de 12,3%, estabelecendo um novo recorde para a operação.

MRFG3: América do Norte

Conforme a analista, a receita da América do Norte cresceu 37% a.ao, com fortes margens, cuja receita líquida de R$ 9,7 bilhões foi 3% acima da expectativa, e alta de 37% a.a.

Esse resultado foi impulsionado pela maior oferta de gado favorecendo o crescimento do volume de processamento e ganhos de produtividade nas plantas, manutenção da forte demanda por proteína bovina no mercado doméstico, e  volumes maiores de produtos prontos para o consumo.

O Ebitda ajustado da divisão foi de R$ 816,4 milhões, com margem Ebitda de 8,0%, enquanto o índice de cut-out (preço médio da carne bovina dividido pelo custo médio do gado) ficou em 1,82 no período ante 1,74 no primeiro trimestre do ano passado.