Marcopolo (POMO4) cria plataforma para garantir segurança em mobilidade

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site Diário do Transporte

Sob pressão da pandemia, a Marcopolo (POMO3, POMO4) decidiu se reinventar e criar uma a Biosafe, plataforma para aplicação de tecnologias inovadoras de biossegurança, para garantir segurança máxima a usuários, operadores e colaboradores.

Retomada segura

“Vivemos um momento único onde inovação e tecnologia são aliadas para a retomada segura da mobilidade”, assinala o CEO da Marcopolo, James Bellini, ao destacar “a necessidade de recuperar a confiança do passageiro no transporte coletivo” .

Novo padrão

Para assegurar total credibilidade à iniciativa, a empresa de Caxias do Sul (RS) investiu, sem citar números, na criação de um novo padrão de biossegurança aos veículos que produz.

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Investimento maciço

Ao comentar a capacidade da Marcopolo de responder aos desafios, desde o início de sua história, Bellini destaca o esforço da empresa de buscar, antes mesmo da pandemia, soluções em inovação que impliquem maior segurança a todas as suas atividades.

Inovação acelerada

“Desde o início da crise, procuramos acelerar o processo de inovação. A tal ponto que, em menos de dois meses, apresentamos ao mercado três soluções diferentes de biossegurança embarcada, para o combate ao vírus”, revelou o CEO.

“E muitas outras serão disponibilizadas em breve”, adianta.

Medidas sanitárias

O diretor de Estratégia e Negócios Internacionais, André Armaganijan, destaca algumas medidas sanitárias, adotadas pela companhia.

“Além de distribuirmos kits de segurança (álcool em gel e materiais antimicrobianos), aplicamos a tecnologia ultravioleta B para desinfecção do sistema de ar condicionado e do sanitário”, explica o diretor.

“O objetivo é praticamente eliminar o risco de contaminação”, arremata.

A cada uso do sanitário, são acionadas luzes ultravioleta, o que garante a desinfecção automática do local.

A distribuição espacial no interior dos veículos também foi alterada, com o aumento da distancia entre as poltronas para, pelo menos, um metro.

Tudo pelo passageiro

“Também recriamos o layout (dos ônibus), que era de duas poltronas e um corredor e, agora, passou a ser de uma poltrona e dois corredores”, acrescenta o diretor.

Segundo ele, essas soluções garantem maior segurança para que o passageiro volte a utilizar o  transporte público”.

Armaganijan cita o exemplo de um modelo de ônibus, que pode ganhar muitos adeptos.

Ele tem capacidade para apenas 34 passageiros, possui três fileiras e poltronas individuais, separadas por dois corredores.

Disponibilidade permanente

Além de revestir toda parte interna dos veículos (poltronas, tapetes e área sanitária), a companhia dispôs cortinas para isolar as poltronas, sempre disponibilizando ao usuário volumes de álcool em gel.

Parceria saudável

Parceria celebrada entre a Universidade de Caxias do Sul (RS) e a área experimental da Marcopolo indicou que o ar dos ônibus da companhia é 60% mais puro do que o de espaços públicos, como supermercados, bancos e shoppings.

Biossegurança no portfólio

Esses critérios de segurança, acrescenta Armaganijan, já estão presentes em todo o portfólio da empresa, de micro-ônibus a veículos urbanos ou rodoviários.

‘Ônibus seguro’

A experiência do ‘ônibus seguro” foi tão bem-sucedida que a Marcopolo resolveu replicá-la nos mais de 100 países em que a companhia está presente.

O cenário atual, no entanto, não é muito animador.

Baixa circulação

Apesar de já contarem com os mesmos serviços de biossegurança aplicados pela Marcopolo no Brasil, na Argentina e no Peru, por exemplo, a utilização da frota de transporte público hoje não passa de 20% do total.

Situação idêntica vive o Chile, segundo maior mercado da Marcopolo, atrás somente do brasileiro.

Do outro lado do Atlântico, a campanha de biossegurança global só cresce.

Recentemente, a Marcopolo vendeu cerca de 100 veículos – já dotados de todos os itens de biossegurança dos veículos brasileiros – à Angola, Costa do Marfim e Gana.

Presença marcante

O porte da companhia gaúcha pode ser medido pela sua marcante presença internacional. Ela possui 11 fábricas em oito países.

A urgência da situação fez com que a Marcopolo montasse um road-show, utilizando um ônibus-modelo itinerante para demonstrar a urgência de assimilação e aplicação do novo conceito de biossegurança, seja no Brasil ou no exterior.

Agir com proatividade

“Precisamos agir com proatividade, fomentando essas soluções, que vão colaborar para a retomada segura da economia, mas preservando a saúde no País”, destaca Bellini.

O CEO acrescenta que “ o transporte coletivo é fundamental para garantir a mobilidade das pessoas e não pode ser encarado como um gargalo ou limitador”.

Arrumando a casa

Enquanto cuidava de recuperar a confiança do passageiro, a Marcopolo também precisou tomar medidas corajosas para ‘arrumar a casa’.

Entre elas, o diretor da divisão ‘Negócio Ônibus Brasil’, Rodrigo Pikussa, destaca a prorrogação – ainda em março, antes, portanto, do auge da crise – do vencimento de mais de 1 mil contratos de financiamento de seus clientes.

Banco providencial

Pikussa diz que o Banco Moneo, também do grupo, foi fundamental para viabilizar a prorrogação dos contratos.

Ao mesmo tempo, a empresa manteve, nos pátios, dezenas de veículos, que serão entregues, tão logo a inadimplência dos clientes dê lugar à recuperação, mesmo que parcial, de seu faturamento.

A descapitalização súbita pegou de surpresa a clientela, que precisa agora quitar as parcelas vencidas.

Item essencial

Fiel ao princípio de que a mobilidade é um item fundamental da economia, Pikussa não esconde a preocupação com o tamanho da crise dramática para muitas famílias.

Na sua estimativa, pelo menos 100 mil veículos estão parados no país, o que está afetando dezenas de milhares de motoristas, mecânicos e pessoal administrativo, além de suas famílias.

Milhões sem renda

Outros milhões, prossegue ele, estão hoje sem fonte de renda ou qualquer perspectiva de retomada à normalidade. “Isso impacta toda a cadeia produtiva”, completa.

Pragmático, Pikussa admite que “o futuro é incerto, porque ninguém sabe quando a pandemia acaba, mesmo com a busca de vacinas”.

Alô prefeitura

Sem fornecer maiores detalhes, o CEO da Marcopolo previu a entrega de novas soluções no transporte urbano, mas lembrou que sua eficácia vai depender da participação das prefeituras, no sentido de reduzir o limite de lotação dos veículos.

Desde março, a Marcopolo interrompeu pela metade sua produção. Em 2019, a empresa produziu 23 mil veículos.