Mansueto diz que situação da Embraer (EMBR3) não é frágil

Marcelo Hailer Sanchez
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Crédito: Reprodução/Wikemedia Commons

Em entrevista à consultoria Arko Advice, o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou desconhecer a informação de aporte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à Embraer, informa o Valor.

Almeida também ressaltou que, a Embraer é uma empresa privada desde a década de 1990 e classificou como “equivocadas” informações de que a empresa está em uma fase ruim, para o secretário do Tesouro Nacional “a Embraer está em uma fase muito boa”.

Sobre as quedas de ações da empresa, almeida afirmou que elas fazem parte do contexto atual, onde todas as empresas do setor aéreo sofreram perdas por conta da crise gerada pela pandemia.

O secretário do Tesouro Nacional também afirmou que o fim do acordo entre a Embraer e a Boeing não coloca a empresa em uma situação “frágil” e que, o fato de tal acordo não ter dado certo não muda a “perspectiva de uma empresa como a Embraer”.

Entenda o caso

As propostas para capitalização da Embraer pelo BNDES irão seguir o modelo de outros aportes em avaliação elo banco, informa o Valor Econômico.

De acordo com levantamento feito pelo Valor, há uma negociação para que a empresa receba US$ 1 bilhão. Cabe destacar que a revelação dessa operação fez com que as ações da empresa despencassem mais de 10% no pregão desta segunda-feira (4).

Segundo fontes ouvidas pelo Valor, trata-se de uma operação sindicalizada, com a participação de bancos privados e empréstimos de longo prazo, debêntures conversíveis e emissão de derivativos com bônus de subscrição.

O banco estatal já deu início a tratativas com Itaú, Bradesco e Santander, que demonstraram interesse.

Em nota, Embraer afirma que ainda não definiu fontes de financiamento

Por meio de uma nota, posteriormente a ser questionada pela B3, a Embraer afirmou que “avalia o acesso a fontes complementares de financiamento, tanto no mercado brasileiro como no mercado internacional”.

A companhia também informou que avalia financiamentos, entre eles o do BNDES, porém, não há uma definição sobre qual caminho a empresa vai seguir.

Durante teleconferência para divulgar os resultados do 1º trimestre deste ano, o presidente da Boeing, Davi Calhoun, afirmou que a tratativa com a Embraer foi rescindida porque a companhia brasileira não cumpriu determinadas condições previstas em contrato.

“Depois de muitas, muita negociação e dois anos de trabalho, sabíamos que essas condições não podiam ser atendidas. Portanto, nosso acordo não era um acordo”, disse Calhoun em teleconferência

A notificação da Boeing sobre o encerramento das tratativas com a Embraer ocorreu no sábado (25). Na última segunda-feira (27), a Embraer iniciou uma arbitragem contra a Boeing, onde a acusa de ter fabricados falas alegações para não ter de pagar US$ 4,2 bilhões para firmar a operação, informa o Valor.

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Acordo bilionário

Com o rompimento do acordo bilionário entre Embraer (EMBR3) e Boeing (BOEI34) novas medidas deverão ser tomadas para tentar minimizar os impactos do fracasso comercial.

A Embraer alega que a Boeing produziu falsas alegações para evitar o pagamento de US$ 4,2 bilhões previsto na operação.

Segundo o Valor Econômico, só com a cisão da unidade de aviação comercial, a companhia já desembolsou R$ 485 milhões no ano passado. O caso deverá parar na Justiça por iniciativa da Embraer.

O acordo avaliava a Embraer em US$ 5,3 bilhões.

Sem a operação, há incertezas sobre o futuro das duas empresas.

A Boeing se beneficiaria com a ampliação do portfólio e a oferta de jatos regionais. Já a estatal brasileira ganharia força para enfrentar a concorrência.