Mansueto descarta emissão de moeda para escapar da ‘armadilha de liquidez’

Marcello Sigwalt
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Crédito: Site G1

“Como não chegou ao ponto da ‘armadilha de liquidez’, com juros próximos de zero, teoricamente não há possibilidade de emissão de moeda pelo Banco Central (BC)”.

A afirmação foi feita, nesta terça-feira (5), pelo secretário do Tesouro Nacional (STN), Mansueto Almeida, ao comentar declarações recentes do ministro da Economia, Paulo Guedes, no sentido de admitir lastrear a liquidez da economia com emissão monetária.

Só teoria

Ele  (Guedes) tratou do assunto “muito mais do ponto de vista teórico”, amenizou.

No entendimento de Mansueto, o que o ministro quis dizer é que “numa situação de juro zero como essa você pode financiar a dívida pública com emissão de moeda e, inclusive, comprar dívida interna”.

Longe disso

De qualquer forma, o titular do Tesouro entende  que “estamos muito longe disso”.

Os comentários dos xerifes da economia são uma resposta aos acalorados debates entre economistas quanto ao financiamento dos gastos governamentais, em momentos de crise como o atual, a partir da compra de títulos públicos do Tesouro Nacional pelo BC.

Espiral inflacionária

A princípio, a emissão de moeda alimentaria a espiral inflacionária.

Dogmatismo fora!

Confessando sua aversão ao que chamou de ‘dogmatismo fiscal’, Mansueto adiantou que, “se for preciso gastar 20, 30 bilhões (de reais) este ano porque a saúde precisa, vamos gastar”.

O secretário também discorda da ideia de que os grandes problemas estruturais do país decorrem da falta de gasto público, “porque não é”.

Sem dificuldade

Sob o argumento de que “título é preço”, Mansueto prevê que  “não haverá dificuldade para vender títulos públicos ao mercado, se os juros caírem (mais)”.

Na sua visão, “quando os juros caem, a bolsa cai e o investidor olha para várias oportunidades de investimento e pode querer um preço um pouquinho maior”, admite. “Não tenho problema algum de financiar a dívida pública”, emendou.

Sem teto, mais carga

Sobre o eventual ‘abandono’ do teto de gastos, Mansueto entende que, caso isso ocorra, seria necessário aumentar, ainda mais, a carga tributária do país, “o que não seria desejável”.

Vidas são prioridade

Salvar vidas. Essa é a prioridade alegada pelo secretário, para este ano. Por esse motivo, ele trabalha com a perspectiva de a relação dívida/PIB ficar próxima de 90% este ano.

Trajetória de endividamento

Segundo ele, o que importa para o investidor é a “sinalização dada (pelo governo) para a trajetória de endividamento, de maneira que não haja elevação permanente das despesas”.

Redução de gastos obrigatórios

Um volume maior de investimentos públicos estaria condicionado, segundo o secretário, a uma redução significativa de gastos obrigatórios, não discriminados por ele.

Conta astronômica

Mansueto calculou que o auxílio emergencial de R$ 600 deve corresponder a uma despesa no montante de R$ 130 bilhões ou 1,8% do PIB. Para ele, nova extensão dessa ajuda deve ser discutida pelo Congresso Nacional, “de forma adulta e transparente, no momento adequado e caso seja necessário”.

Marcos atraem capital

Confiante na retomada da Economia, o secretário disse acreditar que o país “poderá atrair capital externo para investimentos no período pós-crise, instituindo marcos regulatórios adequados”.

Tais marcos, adequados e atrativos, acrescenta ele, serão igualmente necessários para assegurar investimentos em aeroportos, rodovias, saneamento e na área de energia”.

Bom sinal

Como exemplo, Mansueto citou a tramitação, no Congresso, do projeto que institui o marco do setor de saneamento. “Seria um ‘bom sinal’ na saída da crise”, avalia.