Mandetta nega demissão de secretário e diz: “Não aceito. Vamos sair juntos”

Paulo Amaral
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Crédito: Reprodução/Twitter

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, abriu a entrevista coletiva desta quarta-feira (15) anunciando que não aceitou o pedido de demissão de Wanderson Oliveira.

Aparentemente bem-humorado, Mandetta deixou a porta aberta para sua possível retirada, junto com os demais integrantes da equipe, assim que o presidente Jair Bolsonaro resolver confirmar sua exoneração do cargo.

“Estamos juntos, vamos sair juntos. Não aceito. Estamos todos aqui, juntos e misturados…ainda”, sintetizou Mandetta, revertendo o pedido de demissão do Secretário de Vigilância em Saúde.

Discurso mantido

Mandetta não fugiu das perguntas sobre o que mais uma vez foi o assunto do dia no noticiário político do país: sua possível saída do cargo.

E repetiu o discurso que já havia utilizado na segunda-feira da semana passada, quando também chegou a ser dado como exonerado por parte da mídia.

“Quanto à minha permanência, eu sempre deixei muito claro: saio do Ministério da Saúde quando o presidente não quiser mais o meu trabalho, se eu pegar uma gripe dessas e não puder trabalhar ou quando achar que não posso mais ser útil na minha função”.

Mandetta admitiu mais uma vez que “claramente há um descompasso” entre o que pensa o Ministério da Saúde e o presidente Jair Bolsonaro, mas assegurou que, enquanto estiver na pasta, todos irão trabalhar 100% focados.

O ministro referia-se à abordagem sobre o combate ao coronavírus: Mandetta prefere o isolamento social para evitar a disseminação do vírus, enquanto o presidente defende o fim das restrições adotadas por governadores e prefeitos.

Bolsonaro vem dizendo que é hora de o país voltar ao trabalho, para garantir o emprego e reativar a economia.

“O mais é aguardar o entendimento das coisas. Nós estamos no momento em que conseguimos dobrar uma curva. Acho que nós conseguimos pegar aquela curva enorme e abrandá-la. Fruto de um enorme sacrifício da sociedade”, elogiou.

Bolsonaro

Mandetta voltou a afirmar que seu trabalho e o da sua equipe é fundado na transparência e, principalmente, na ciência. Mas evitou afirmar que o presidente Jair Bolsonaro tenha algo contra ele.

“Existe claramente uma posição. Não é o presidente. Existem outras pessoas que acham que o caminho é outro. Como o deputado Osmar Terra”, exemplificou. “O presidente não é contra mim. São visões diferentes”, pontuou.

“Ninguém é dono da verdade. Eu não sou, o Wanderson não é, o Gabbardo não é. Nossa bússola é a Ciência. O importante é que seja lá quem o presidente resolva colocar no Ministério da Saúde, que ele confie. Não somos insubstituíveis e nunca fomos”.

EPIs a caminho

A equipe do Ministério da Saúde, ainda comandada por Luiz Henrique Mandetta, confirmou que o país está prestes a receber milhares de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).

“Hoje pela manhã chegou um voo com 159 respiradores e 300 mil máscaras N95, que foram adquiridos pela Suzano, empresa do setor de celulose e papel”, explicou Gabbardo.

“É importante destacar a grande participação de empresas que estão nos ajudando. Somos muito gratos a essas atitudes”, complementou.

Segundo Gabbardo, o Ministério da Infraestrutura anunciou que as Lojas Americanas vão custear o transporte da primeira remessa de máscaras da China, e que esses milhões de equipamentos devem chegar em Guarulhos até dia 21.

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Os números do coronavírus

Wanderson, ao lado de João Gabbardo e do próprio ministro, participou normalmente da entrevista coletiva do Ministério da Saúde para atualizar o quadro do coronavírus no Brasil.

O mais recente boletim apontou um crescimento de 13% nas mortes causadas pelo coronavírus no Brasil nas últimas 24 horas.

Com mais 204 mortes e um número superior a 3 mil diagnósticos confirmados nas últimas 24 horas, agora são 28.329 infectados com a Covid-19, número 12% acima ao fechamento apresentado nas últimas 24 horas, quando eram 25.262 pessoas com coronavírus.

Demissão revertida

O Secretário de Vigilância em Saúde do Ministério divulgou, pela manhã, uma longa mensagem de despedida aos membros da pasta por meio do Slack, aplicativo de mensagens similar ao WhatsApp.

“Finalmente chegou o momento da despedida. Ontem tive reunião com o Ministro e sua saída está programada para as próximas horas ou dias. Infelizmente não temos como precisar o momento exato. Pode ser um anúncio respeitoso diretamente para ele ou pode ser um Twitter. Só Deus para entender o que o querem fazer”, diz trecho do comunicado.

Wanderson afirmou ainda que “vai entregar o cargo quando a situação do Mandetta for resolvida” e que “todos estão livres para fazer o que desejarem”.

Gabbardo ministro?

João Gabbardo, braço direito de Mandetta e que vem sendo cotado como possível substituto do chefe na Pasta, foi direto quando questionado a respeito do assunto.

Ao mesmo tempo em que deixou claro que não pensa em chefiar a pasta, avisou que ficará no Ministério da Saúde enquanto os serviços forem necessários para uma eventual transição.

“Eu conheci o ministro Mandetta em dezembro de 2018. Fui convidado pelo ministro na transição. Aceitei e tenho um compromisso com o ministro Mandetta. Ele me convidou. No dia que ele sair, eu saio junto com ele”, avisou.

“Entrei no Ministério da Saúde em 1981 e não vou jogar no lixo esse patrimônio. Se o presidente indicar uma nova equipe, não vou abandonar o barco. Vou ficar para fazer a transição, porque a população espera por esse trabalho. Não podemos interromper isso por qualquer que seja a razão. Ficarei para fazer a transição com toda a calma”, concluiu.

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