Ameaçado de demissão, Mandetta anuncia que fica no governo

Paulo Amaral
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Crédito: Marcello Casal JrAgência Brasil

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, certamente viveu, nesta segunda-feira (6), um dos dias mais tensos desde o início da pandemia de coronavírus.

O nervosismo, no entanto, não foi causado apenas pelo crescimento do número de infectados pela Covid-19 no Brasil, mas por notícias que davam como certa sua exoneração do cargo pelo presidente Jair Bolsonaro.

Somente após as oito e meia da noite, Mandetta conseguiu respirar aliviado e, em coletiva de imprensa, confirmou seu “Dia do Fico”.

Aplaudido ao entrar na sala de imprensa do Ministério da Saúde, Mandetta fez um longo pronunciamento e, por fim, cravou:

“Nós vamos continuar. Vamos continuar porque temos um inimigo e esse inimigo tem nome e sobrenome: Covid-19. A reunião foi produtiva, muito boa, e o governo se reposicionou no sentido de ter mais união, mais foco”, comemorou.

“Médico não abandona paciente”

Na sequência, usou um mantra que adotou desde que começaram os embates com o presidente Jair Bolsonaro.

“Médico não abandona paciente. Só peço que o ambiente seja bom para trabalhar. Estamos todos aqui para trabalhar e, quando for para sair, sairemos todos juntos. Quem parou e me esperou para bater panela, tem que voltar a trabalhar, porque eu não mandei ninguém parar”, brincou.

Mandetta voltou a exaltar o trabalho dos técnicos do Ministério da Saúde. Ressaltou a eficiência de sua equipe e admitiu que algumas críticas chegaram a causar tensão.

“Trabalhamos o tempo todo com transparência nos números, nas discussões e nas tomadas de decisões. Não temos nenhum receio da crítica. Elas enobrecem e nos fazem dar passos para a frente”, avisou.

“O que temos dificuldades é quando as críticas, por determinadas impressões, não vêm para construir, e sim para trazer dificuldades no ambiente de trabalho”, completou.

Porta-voz e humilde

O Ministro da Saúde se auto-rotulou como um “porta-voz” de um time bastante entrosado e assegurou que não é e nem pretende ser “dono da verdade”, como chegou a afirmar o presidente Jair Bolsonaro em uma recente entrevista.

“Não somos e não temos a pretensão de sermos os donos da verdade aqui dentro. Somos os donos das dúvidas. Sabemos das nossas responsabilidades”, avisou.

“Nós somos o espelho daqueles que estão nas unidades de saúde. Somos a voz da Ciência. E a ciência ainda vai achar uma saída mais elegante para esse problema. Por enquanto ela é muito primitiva, que é fazer isolamento”.

Dia tenso

Antes do “fico”, Mandetta participou de uma reunião com o presidente da República e com os demais ministros do Governo por cerca de três horas e, enquanto esteve no Planalto, viu vários veículos de comunicação “cravarem” sua saída do cargo.

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A sua suposta demissão causou indignação popular, com direito à hashtag #ficamandetta entre as mais clicadas do Twitter no País, e panelaços registrados a favor de sua permanência por todo o Brasil.

O apoio a Mandetta se estendeu às mais altas esferas do Poder Público e acabou pesando para que Jair Bolsonaro desistisse de exonerar o Ministro da Saúde do cargo.

Segundo alguns dos principais jornais do Brasil, como O Globo e O Estado de S. Paulo, a saída de Mandetta do ministério da Saúde só não se concretizou porque Bolsonaro enfrentou forte resistência da Câmara, do Supremo Tribunal Federal e do Senado e, por isso, voltou atrás.

Isolamento

No mesmo horário em que a reunião ministerial acontecia e a permanência de Mandetta à frente da Pasta da Saúde era uma incógnita, o Ministério atualizava a situação do coronavírus no Brasil.

Responsável pela breve coletiva, Wanderson de Oliveira, secretário de Vigilância do Ministério da Saúde, falou sobre uma pequena alteração em relação às formas de isolamento.

A partir da segunda-feira, dia 13, algumas unidades da Federação seguirão com o Distanciamento Social Ampliado (DSA), mas, quando a ocupação dos leitos de UTI for inferior a 50%, poderão adotar o DSS (Distanciamento Social Seletivo).

“Isso que estamos não é um lockdow”, avisou Mandetta. “Pode sair para dar uma corridinha, para caminhar. O que não pode é aglomerar”.

“Herdeiros” na mira

Bolsonaro, antes de desistir da exoneração de Mandetta, teria até discutido possíveis substitutos para a pasta e sondado três nomes para ocupar o ministério no lugar do atual dono do cargo.

Osmar Terra, deputado federal e ex-Ministro da Cidadania, seria o grande favorito da presidência da República para assumir a pasta.

Outros nomes cogitados seriam os de Nice Yamaguchi, oncologista e imunologista, e Antônio Barra Torres, presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Todos os três seguem a mesma linha de raciocínio de Bolsonaro no que se refere à pandemia, e são defensores do isolamento vertical – apenas para pessoas idosas ou com doenças pré-existentes.

Os rounds da briga Bolsonaro x Mandetta

Mandetta e Bolsonaro não vêm falando a mesma língua desde que o ministro da Saúde assumiu papel de protagonista na pandemia de coronavírus.

A insistência de Mandetta em seguir as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e pregar a necessidade do isolamento social acabou desgastando sua imagem junto a Bolsonaro, que continua com vontade de desligá-lo do cargo.

Bolsonaro já havia ameaçado Mandetta publicamente na última quinta-feira. Em entrevista ao programa Os Pingos nos Is, da Jovem Pan, o presidente afirmou “estar faltando humildade” ao então Ministro da Saúde.

No domingo pela manhã, ao conversar com apoiadores no Palácio da Alvorada, voltou a cutucar o médico ao afirmar que “alguns ministros estavam se achando demais” e que “de repente viraram estrelas”.

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