Mandetta confirma que sairá do Ministério da Saúde “hoje ou amanhã”

Paulo Amaral
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Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O ciclo de Luiz Henrique Mandetta à frente do Ministério da Saúde está realmente chegando ao fim e deve ter seu desfecho entre quinta e sexta-feira.

Nesta quinta-feira (16), o ainda chefe da Pasta afirmou, durante uma palestra, via internet, do Fórum Inovação Saúde, que a troca de comando “vai se concretizar”.

“Temos uma perspectiva de troca no ministério. Deve ser hoje, o mais tardar amanhã. Vai se concretizar”, resumiu o ainda Ministro da Saúde, durante o evento do FIS.

Mandetta voltou a defender a competência de todos os membros de sua equipe e se colocou mais uma vez à disposição para ajudar na transição para o novo comando da Pasta.

Segundo ele, não haverá qualquer problema se seus secretários optarem por permanecer no ministério após sua saída.

“Sou uma peça menor nessa engrenagem e vamos amparar quem quer que seja. O que eu puder fazer para ajudar, vou ajudar”, prometeu.

Descompasso com Bolsonaro

Em suas últimas horas (ou dias) como ministro, Mandetta voltou a afirmar que não tem qualquer problema de ordem pessoal com Jair Bolsonaro, mas que há um “descompasso” no modo de enxergar a crise.

“Parece que sou ministro por obra do Espírito Santo, que sou contra o presidente, essa coisa do Fla-Flu. Ele nomeou, ele permitiu que houvesse equipe técnica”, lembrou.

“O que a gente está fazendo é com base nas informações que a gente tem. Não temos essa genialidade de falar faça-se a luz e a luz se fez. Isso aqui não é uma coisa que só tem um caminho. Pode ser que alguém sente aqui e tenha uma sacada”, completou, já antevendo ações de seu sucessor.

Mandetta disse ainda que “Bolsonaro é um brasileiro muito bem intencionado” e apenas lamentou a “bestialidade das fake news”, revelando que tem sofrido ataques de “bolsonaristas” nas redes sociais.

Fim do isolamento?

Mandetta admitiu que um dos pontos de discórdia entre ele e o presidente da República foi em relação à forma de isolamento da população no combate á pandemia.

O confinamento é a estratégia recomendada por Manedtta e sua equipe, seguindo orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da maioria dos países.

Bolsonaro defende o fim das medidas restritivas para toda a população. Diz que o governo federal quer a retomada da atividade econômica e a manutenção do emprego.

Segundo Mandetta, é possível que o novo Ministro da Saúde pense igual a Jair Bolsonaro e opte por um isolamento vertical, priorizando apenas idosos e pessoas com alguma comorbidade.

Ainda no comando da Pasta, o ministro aproveitou para dar um conselho a quem for o escolhido para sentar em sua cadeira.

“Agora, precisa tomar decisão, se vai continuar com esse modelo de esforço ou se deve ser relativizado em torno das variantes. Se vai relativizar num mercado que não tem teste, que não tem respirador nem máscara”, lembrou.

“É uma luta muito longa, que não dá para resolver em uma semana. O pior ainda não passou e maio vai ser muito duro”, complementou Mandetta.

Carreira política

Luiz Henrique Mandetta comentou, em entrevista para a Veja, que não pretende aceitar ofertas para assumir cargos políticos após deixar o Ministério da Saúde.

Cogitado para assumir posições nos governos de João Doria, em São Paulo, e Ronaldo Caiado, em Goiás, o ainda ministro assegurou que não aceitará qualquer convite que venha a ele nesse sentido.

O DEM, partido de Mandetta, também já sinalizou ser contra o ministro dar continuidade na carreira política nesse momento, justamente para não passar a impressão de que tenha norteado seu trabalho na Saúde com outras intenções.

Bolsonaro tem reunião com possível sucessor

Nelson Teich, oncologista que vem sendo cotado como possível sucessor de Luiz Henrique Mandetta, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro na manhã desta quinta-feira, no Palácio do Planalto.

De acordo com informações da CNN Brasil, Teich não conversou com a imprensa nem na chegada a Brasília e nem na saída da reunião com o presidente da República.

O portal G1 publicou reportagem nesta quinta-feira revelando que Teich, assim como Mandetta, é favorável ao isolamento horizontal como forma de conter a pandemia de coronavírus, ao contrário do que pensa Jair Bolsonaro.

“Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento, da morbidade e da letalidade da Covid-19, e com a possibilidade do Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento”, escreveu Teich, no início de abril.

Teich também é favorável ao entendimento entre as áreas da economia e da saúde durante a pandemia e, de acordo com o G1, vai defender a testagem em massa por todo o território brasileiro para que o coronavírus possa ser combatido em um cenário real, com todos os pacientes realmente infectados sendo detectados a tempo.

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“Criar uma polarização, imaginando que de um lado estão as pessoas e do outro lado o dinheiro, pode ser um erro grave na avaliação do problema trazido pela Covid-19. Uma situação de competição pode gerar grande ineficiência na capacidade de interpretar a evolução da situação e na capacidade de ajustar o sistema de saúde e o dia a dia das pessoas adequadamente”, escreveu o candidato a ministro.

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