Mandetta cobra “fala única” de Bolsonaro para não confundir população

Paulo Amaral
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Crédito: Agência Brasil

A turbulenta relação entre Luiz Henrique Mandetta e Jair Bolsonaro sobre a forma de evitar a propagação do coronavírus no Brasil ganhou um novo capítulo na noite de domingo.

Em entrevista para o Fantástico, da Rede Globo, o Ministro da Saúde não mencionou diretamente o nome do presidente da República, mas deixou claro seu recado.

Para Mandetta, o fato de ele defender o isolamento social, enquanto o presidente faz exatamente o contrário, certamente está mexendo com a cabeça da população sobre qual caminho seguir.

“Eu espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única. Isso leva para o brasileiro uma dubiedade. Ele não sabe se escuta o ministro da Saúde, o presidente”.

Mandetta voltou a repetir que entende o fato de o presidente da República estar preocupado com o desaquecimento da economia, mas frisou que foi ele, Bolsonaro, quem o colocou no cargo, e que sua principal missão como chefe da pasta da Saúde é olhar pela vida.

“Isso preocupa, porque a população olha e fala assim: ‘Será que o ministro da Saúde é contra o presidente’? Quem a gente tem de ter foco, esse aqui que é o nosso problema é o coronavírus. Ele é o principal inimigo. Se eu estou ministro da Saúde, por obra de nomeação do presidente. O presidente olha pro lado da economia. O Ministério da Saúde entende a economia, mas chama pelo lado de proteção à vida”.

Mandetta vê pico próximo; Bolsonaro diz que “vírus está indo embora”

No próprio domingo, antes da entrevista de Mandetta ao Fantástico, o mais novo ponto de desacordo no discurso entre o ministro e Bolsonaro ficou explícito.

Em uma live feita para religiosos, Bolsonaro voltou a minimizar a pandemia de coronavírus e afirmou que “a questão do vírus está começando a ir embora.

“É o que eu tenho dito desde o começo, há 40 dias. Temos dois problemas pela frente, o vírus e o desemprego. Quarenta dias depois, parece que está começando a ir embora a questão do vírus, mas está chegando e batendo forte a questão do desemprego”.

Mandetta, por sua vez, alertou que o pico da doença sequer chegou ainda a ser atingido no Brasil e que agora, mais do que nunca, o distanciamento social é necessário.

“No mês de maio, junho, teremos os dias muito duros. Dias em que seremos tachados. ‘Ah, vocês não fizeram o que tinham de fazer, deviam ser mais duros, menos duros, porque a economia está assim’. Sempre vai haver os engenheiros de obra pronta. Serão dois, três meses de muitos questionamentos das práticas”.

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Em uma última cutucada direta a Bolsonaro, Mandetta criticou o fato de o presidente, em um dos recentes passeios, ter causado aglomerações e infringido a norma do Distrito Federal ao parar para comer e tomar um café na padaria.

“Quando você vê as pessoas entrando em padaria, supermercado, fazendo fila, piquenique isso é claramente uma coisa equivocada”, avaliou o ministro. “Tem muita gente que gosta da internet. Que vê que é fake news dizendo que é invenção de países para ganhar vantagem econômica ou vê complô mundial”, concluiu.

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