Maia: pressão para flexibilizar isolamento vem do mercado financeiro

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

Crédito: Tomaz Silva/Agência Brasil

O presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) concedeu entrevista após participar de videoconferência com 27 governadores nesta quarta (25) e falou sobre a crise provocada pela pandemia do coronavírus.

Maia afirmou que pressões do mercado financeiro têm motivado movimentos em defesa de medidas que amenizem o isolamento social como enfrentamento à pandemia de coronavírus.

A reunião com os governadores foi convocada justamente para debater medidas de enfrentamento da pandemia e o impacto na saúde e na economia.

Ela ocorreu um dia após o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro.

Na ocasião, o presidente disse que as autoridades devem evitar medidas como a proibição de transportes, o fechamento de comércio e o confinamento em massa.

Bolsonaro condenou a quarentena e defendeu menos restrições dos governos estaduais e municipais como forma de diminuir a expansão da pandemia no Brasil e evitar o desemprego.

Perdas na bolsa

Maia declarou que investidas pelo fim do confinamento vêm, na verdade, de “investidores que perderam muito dinheiro na bolsa nas últimas semanas”.

“Tivemos uma pressão muito grande de parte do mercado financeiro”, disse Maia, de acordo com informações da Broadcast/Estadão Conteúdo.

“Os que colocaram recursos na Bolsa de Valores esperavam a prosperidade, com a Bolsa chegando a 180 mil pontos”, argumentou Maia.

“Mas a Bolsa caiu, como acontece no mundo inteiro. Essa não é uma crise do Brasil, é uma crise mundial que atinge o país”, acrescentou.

Pressão

Maia afirmou que viu artigos na imprensa questionando a estratégia do confinamento. O presidente da Câmara acredita que são textos feitos para investidores tomaram posição contra as restrições no comércio e empresas.

E argumentou: “Colocarmos as vidas dos brasileiros em risco por uma pressão de parte de brasileiros que investiram na Bolsa e estão perdendo dinheiro. Quem foi para o risco sabia o que poderia acontecer”.

Maia assinalou que “a pressão [pelo fim do isolamento] é equivocada”.

“A gente precisa continuar seguindo a orientação do Ministério da Saúde”, acrescentou.

Pacote de medidas

Na avaliação de Rodrigo Maia, não há no país um pacote de medidas que possam garantir uma política de isolamento dos idosos acima de 60 anos.

Falta ainda, disse ele, renda aos trabalhadores brasileiros que recebem até cinco salários-mínimos para assegurar que o impacto da pandemia não seja tão pesado às populações mais vulneráveis do país.

“A gente precisa de previsibilidade. O que está faltando hoje para os brasileiros, para todos, é previsibilidade”, disse ele.

“Se o governo já tivesse resolvido a renda dos brasileiros mais simples, uma política de isolamento dos idosos nas cidades, já teríamos garantido previsibilidade para a maioria dos brasileiros. Todos estariam fazendo o isolamento, esperando os impactos da chegada do vírus”, afirmou o deputado.

Corte de salários

O deputado defendeu ainda a possibilidade de corte de salários de servidores públicos como política fiscal para o enfrentamento à pandemia em estados e municípios.

Para Rodrigo Maia, não apenas deputados devem ter redução de remuneração, mas todo funcionalismo público.

“A arrecadação do governo federal, dos estados e dos municípios vai cair muito. Todos vão ter que se readequar a uma nova realidade”, avaliou.

PEC do Orçamento de Guerra

O congressista afirmou ainda que pretende colocar em votação na próxima semana uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que cria um orçamento específico para ações de combate ao coronavírus.

“Estou confiante que a gente possa conseguir, a partir de segunda (30), ter esse texto em início de debate para dar as condições ao governo federal começar a entender que a segregação do orçamento nos obriga a construir soluções de gastos públicos para o enfrentamento da crise em todas as áreas”, explicou.

Política mais completa

Maia cobrou do governo federal uma política mais completa em relação ao isolamento de idosos.

No pronunciamento de ontem, Bolsonaro afirmou que 90% da população não terá qualquer manifestação da doença, caso se contamine, e a preocupação maior deve ser não transmitir o vírus para os idosos.

“Pedir uma liberação vertical sem a gente ter feito uma operação de guerra para proteger os idosos que vivem em várias comunidades me parece uma decisão focada em algo que não está sendo bem elaborado”, declarou Maia.

“Não há uma preocupação com esses brasileiros que vivem em ambientes pequenos, com muitos parentes, muitos jovens, que ao sair para trabalhar voltarão para suas residências e contaminarão milhares de idosos brasileiros”, defendeu.

Mais recursos

Maia falou sobre levantar recursos para conter o avanço da doença no país e amenizar o impacto na economia.

“Como você vai tirar da comunidade o jovem que vai trabalhar e voltar para a mesma casa que está o idoso?”, perguntou ele.

Governadores defendem isolamento social

Em carta pública divulgada nesta quarta-feira (25), os nove governadores do Nordeste disseram que manterão as medidas de isolamento social, incluindo restrição de comércio e outros setores, para combater a disseminação do novo coronavírus covid-19.

“Vamos continuar adotando medidas baseadas no que afirma a ciência seguindo orientações de profissionais da saúde, capacitados para lidar com a realidade atual. Vamos manter as medidas preventivas gradualmente revistas de acordo com os registros informados pelos órgãos oficiais de saúde de cada região”, disseram, na carta.

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Eles também comentaram o pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro em rede nacional de rádio e televisão, que foi ao ar na noite de ontem (24).

“Ficamos frustrados com o posicionamento agressivo do presidente da República, que deveria exercer seu papel de liderança e coalizão em nome do Brasil”.

Prioridade

Segundo a carta dos governadores do Nordeste, a prioridade é cuidar da saúde da população, mas administrando os impactos na economia.

“A decisão prioritária é a de cuidar das vida das pessoas, não esquecendo da responsabilidade de administrar a economia dos estados. É um momento de união, de se esquecer diferenças políticas e partidárias. Acirramentos só farão prejudicar a gestão da crise”, afirma o documento.

A carta é assinada pelos governadores Rui Costa (Bahia), Flávio Dino (Maranhão), Wellington Dias (Piauí), Renan Filho (Alagoas), João Azevedo (Paraíba), Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte), Camilo Santana (Ceará), Paulo Câmara (Pernambuco) e Belivaldo Chagas (Sergipe).

* com Agência Brasil

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