Impeachment deve ser avaliado com cuidado, diz Maia

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Reprodução / TV Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), concedeu entrevista coletiva na tarde desta segunda-feira (27) e respondeu sobre rumores de que o parlamento esteja a ponto de iniciar um processo de impeachment do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partida).

Já são mais de 30 pedidos sobre a mesa de Maia, mas ele afirmou que essa não é hora de levar adiante esse tipo de pauta: “impeachment tem que ser visto com paciência e equilíbrio, o açodamento não é bom”.

Mais lembrou: “Nosso foco no parlamento é o combate ao coronavírus, votando medidas para mitigar a crise.”

Tendo em mão projeções sombrias sobre a economia para 2020, com queda de 10% da atividade econômica e número de desempregados chegando a 16%, Maia ressaltou que “uma crise política pode agravar ainda mais esses indicadores, abalar a confiança dos atores econômicos, daqueles que financiam a dívida brasileira.”

E complementou: “Nosso papel é ter paciência e equilíbrio. A Câmara deve, na minha presidência, ter paciência e equilíbrio, para tratar do que é mais importante, que são a vida, o emprego e a renda dos brasileiros”.

Demissões no governo

O assunto foi o mais tratado pelos jornalistas, desde do pedido de demissão do ex-juiz Sergio Moro, na sexta-feira (24), do ministério da Justiça e Segurança Pública, mas já vinha sendo aventado quando da demissão do ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS).

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“É claro que o ex-ministro da Saúde, o ex-ministro da Justiça, são homens públicos que têm muita credibilidade na sociedade,muitas críticas ao governo. Mas Acredito que o papel da Câmara dos Deputados, nesse momento, é o enfrentamento ao coronavírus”. explicou Maia.

“Nós estamos tratando de conflitos políticos, agressões de um lado muito fortes nas redes sociais, mas o enfrentamento ao coronavírus deve ser a nossa prioridade”, disse, referindo-se aos ataques que vêm recebendo dos apoiadores de Bolsonaro.

Instrumento de crise

Rodrigo Maia procurou deixar claro que o Parlamento não pode ser mais um “instrumento de crise e incerteza” no país.

“Temos que voltar à agenda que preocupa todos os brasileiros”, depois de se referir a vários estados e capitais que já enfrentam problemas nos serviços de saúde, graças à pandemia do novo coronavírus.

“No meio de uma pandemia, troca de ministros sempre gera insegurança”, fez questão de frisar.

Maia evita problemas “do governo”

A saída de Moro e o cenário político que derivou da renúncia ao cargo não competem a Maia: “Os problemas do governo, o governo deve tratar”.

“Nomear, exonerar é um problema do governo. A Câmara deve manter o foco no que é principal, que é o enfrentamento ao coronavírus”, repetiu. “A crise é do Poder Executivo e acho que lá ela deve ficar. Aqui no Parlamento, a gente deve construir as soluções”.

Socorro a estados

A equipe econômica do ministro Paulo Guedes está se reunindo com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (DEM-AP), sobre o texto que a Câmara aprovou o socorro aos estados.

O governo tenta que o Senado “ignore” o que a Câmara aprovou, tratando de um valor fixo para os estados e municípios, levando-se em conta a massa populacional.

Para Maia, esse movimento político é natural.

“É legítimo que o Senado trabalhe e possa retificar o texto da Câmara. Nós temos convicção”, disse. “Temos que dar a garantia da recuperação da arrecadação da atividade econômica. Não podemos esquecer que outros impostos, como o IPVA, dos estados, e o IPTU, dos municípios, também terão queda de arrecadação grande. São os estados e municípios que têm a estrutura de atendimento à população e não só na saúde”.

“Vamos esperar o texto do Senado e vamos dialogar. Só temos que ter uma solução para estados e municípios continuarem funcionando”, ressaltou.

O presidente da Câmara salientou que não se reuniu com Guedes para tratar sobre o assunto.

Questões estruturais

Maia também acha bastante difícil a Câmara votar qualquer proposta de emenda à Constituição (PEC), qualquer que seja. “O Senado já disse que não vota mais nenhuma PEC, só a do ‘orçamento de guerra’ e não é hora de votar questões estruturais, isso tem que vir depois do coronavírus”.

Questões estruturais têm que ficar para um segundo momento, na visão de Maia, que é corroborada, inclusive por técnicos de dentro do governo.

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