Maia: governo usa informações falsas para chamar ajuda aos estados de “pauta-bomba”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Presidente da Câmara dos Deputados, dep. Rodrigo Maia, concede coletiva de imprensa sobre as ações de combate ao coronavírus - Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nessa quinta-feira (9), em entrevista coletiva, que o governo federal faz uso de informações falsas para impor sua posição na discussão sobre o pacote de ajuda aos estados, em meio à pandemia do novo coronavírus. O governo trata a questão como “pauta-bomba”, o que Maia nega.

O governo anunciou, através do Ministério da Economia, que o projeto teria um impacto de R$ 180 bilhões, mas de acordo com Maia o valor é de R$ 50 bilhões. Para o deputado, é responsabilidade da União ajudar os estados e municípios e a Câmara não aceitará ser instrumento de disputa entre o governo e os estados.

“Aceitar números e valores que não existem não faz nenhum sentido. Não são R$ 180 bilhões e nem R$ 100 bilhões do Orçamento. Eles querem um debate de médio e longo prazo (com o Plano Mansueto original) e nós não temos esse tempo”, ponderou.

Versão enxuta do Plano Mansueto

Maia seguiu contrapondo o Executivo, dizendo que “há um enfrentamento político por trás da falsa disputa sobre um projeto que precisa garantir recursos aos governadores. Por que não querem solução para ICMS? Porque resolve problemas do Sudeste, Rio, São Paulo, Minas”, citando alguns governadores que fazem oposição franca ao governo federal.

“Precisamos procurar uma decisão para atender os 27 Estados”, afirmou.

Para ele, o Plano Mansueto, que tratada das dívidas dos estados, não é suficiente para a situação de crise generalizada que o país enfrenta agora. Por isso, ele cobra a versão “enxuta” do plano.

Maia não pretende que a Câmara faça parte de uma disputa entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e governadores do Sudeste.

Vendedor de rede

Maia fez uma curiosa lembrança sobre o ministro da Economia, Paulo Guedes, para enfatizar a disseminação de informações falsas: “teve um deputado que me disse uma vez que o ministro da Economia é um vendedor de redes. Ele vende a coisa do jeito e da forma que quer e a imprensa, claro, recebendo informações do Ministério da Economia tem que acreditar”.

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Para o deputado carioca, essa briga entre União e governadores não “leva a nada é não é objetiva”.

A matéria – de ajuda aos estados – se transformou em “pauta-bomba”, na concepção do Poder Executivo, justamente porque Bolsonaro não quer atender as demandas dos estados do Sudeste, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo, cujos governadores, Wilson Witzel (PSC) e João Doria (PSDB), respectivamente, se tornaram opositores ferrenhos do presidente, após terem sido eleitos clamando amplo apoio ao nome de Bolsonaro.

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