Maduro ameaça Brasil e Colômbia em seu discurso anual

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor

Crédito: Twitter

Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, disse em seu discurso anual de prestação de contas, nessa terça-feira (14), que as Forças Armadas venezuelanas estão prontas para “arrebentar os dentes” do Brasil e da Colômbia, em caso de uma agressão militar por parte desses países.

“Se se atrevem, vamos arrebentar seus dentes, para que aprendam a respeitar a Força Armada Nacional Bolivariana e o povo de (Simón) Bolívar”, declarou, diante da Assembleia Nacional Constituinte, composta apenas por governistas.

Maduro foi mais longe e disse que conhece os “planos imperiais” da “oligarquia colombiana” e do presidente brasileiro Jair Bolsonaro, sem especificar exatamente quais são esses planos.

Acompanhamento das eleições

Maduro disse estar disposto a aceitar o acompanhamento da Organização das Nações Unidas (ONU), da União Europeia e de outros órgãos internacionais nas eleições da Assembleia Legislativa de 2020. O mandatário quer dirimir quaisquer dúvidas com relação ao pleito, ultimamente questionado pela comunidade internacional. A eleição ainda não tem data prevista.

Ele descartou, no entanto, receber a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o seu respectivo secretário-geral, Luis Almagro: “portas abertas ao acompanhamento internacional. Welcome, welcome! Quem não entrará nesse país é Luis Almagro, aquele canalha (…). OEA e Almagro não entrarão nunca mais na Venezuela”.

O presidente venezuelano acusa a OEA de influenciar as últimas eleições presidenciais bolivianas. No dia 10 de novembro de 2019, após treze anos no poder e três mandatos, Morales renunciou ao cargo depois de denúncias de fraudes nas eleições gerais daquele ano, que foram apontadas em um relatório preliminar de uma auditoria realizada pela OEA.

Nem mesmo a disposição de Morales em convocar novas eleições fez a OEA mudar sua percepção. Ele era um dos principais aliados de Maduro e acabou exilado no México.

Oposição nas novas eleições

O presidente também disse estar aberto para que o Poder Eleitoral, acusado pela oposição de servir ao chavismo, possa “prestar mais apoio” durante as eleições legislativas. Por lei, a prestação de contas do presidente deve ser feita na Câmara, que é o único poder controlado pela oposição no país.

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A oposição, cujos principais partidos políticos boicotaram as eleições presidenciais de 2018, ainda não decidiu se participará do próximo processo eleitoral. Críticos dizem que tal atitude só faz a situação venezuelana se perpetuar. Por outro lado, participar das eleições é referendar o resultado, qualquer que seja ele.

O líder da oposição, Juan Guaidó, que em 23 de janeiro do ano passado reivindicou a presidência interina da Venezuela e acabou reconhecido por mais de 50 países, incluindo o Brasil, exige mais do que a eleição legislativa: que um novo pleito presidencial.

Para Guaidó e sua tropa oposicionista, Maduro foi reeleito de forma fraudulenta.

As informações são da agência EFE e da Folha de São Paulo.