Macron fecha a França, suspende eleições municipais e decreta: “estamos em guerra”

Fernando Augusto Lopes
Redator e editor
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Crédito: Luc Gnago/Reuters

O presidente francês Emmanuel Macron anunciou nesta segunda-feira (16) um bloqueio nacional de pelo menos 15 dias a partir de terça-feira ao meio-dia, numa medida mais dura para conter a propagação do novo coronavírus, conhecido como Covid-19.

“Estamos em guerra”, disse Macron várias vezes durante um discurso em cadeia nacional, que durou cerca de 20 minutos.

No mais recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), de 19h do dia 16 de março, a França tinha 6.650 casos confirmado, 148 mortes e apenas 12 recuperados.

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Medidas de Macron

A ordem do governo é que as pessoas só poderão sair de casa para os estritamente necessário.

“A partir de amanhã, ao meio-dia, e por 15 dias, pelo menos, nossos movimentos serão severamente reduzidos”, disse Macron. “Em todo o território francês, estão liberados apenas deslocamentos necessários, como comprar mantimentos, ir ao médico, ir trabalhar quando não é possível produzir em casa, realizar um pouco de atividade física, mas sem se encontrar com amigos ou família”.

“Todas as infrações serão punidas”, disse Macron. “Haverá verificações e controles com vigor”.

Ou seja, há proibição de reuniões públicas nas ruas e parques, suspensão de viagens por 30 dias em países fora dos 26 países europeus com livre circulação. fronteiras fechadas para não franceses, além de suspensão das contas de luz, gás e aluguéis para empresas.

Um fundo de solidariedade será criado para ajudar pequenas empresas e lojistas. Creches especiais serão fornecidas para os filhos dos profissionais de saúde, que também terão acesso a táxis e hotéis, se necessário, às custas do governo.

O governo suspendeu inclusive as reformas em curso, como a da Previdência.

Eleições municipais

Uma das ações mais requeridas ao governo era o adiamento das eleições locais, cujo segundo turno aconteceria no domingo (22).

O surto foi o principal responsável pelo esvaziamento no 1° turno das eleições municipais na França. Segundo o jornal The Guardian, o pleito realizado no domingo (15) registrou abstenção de 56%, a maior da história do país europeu.

As recomendações dos órgãos de saúde afastaram a presença dos eleitores das seções eleitorais.

A última grande abstenção em eleições municipais na França foi registrada em 2014, e ficou bem abaixo da atual, na casa dos 34%.

Mais fechamentos

Na noite de sábado (14), o primeiro-ministro Edouard Philippe pediu aos cidadãos franceses que limitassem seus movimentos o máximo possível e ordenou o fechamento de todos os negócios não essenciais, incluindo restaurantes, cafés, cinemas e teatros. No entanto, milhares ainda passaram algum tempo em parques e mercados parisienses no domingo, ignorando as diretrizes.

“A situação está se deteriorando muito rapidamente, o número de casos está dobrando a cada três dias”, disse o diretor geral de saúde, Jérôme Salomon. “Muitas pessoas não entenderam que precisam ficar em casa, esse baixo índice de respeito às diretrizes está nos impedindo de conter a epidemia”.

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