M. Dias (MDIA3) cresceu na pandemia e projeta expansão maior, diz executivo

Giovanna Castro
Jornalista formada pela UNESP.
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Crédito: Divulgação/ Fábrica de Fortaleza da M. Dias Branco

O diretor de Novos Negócios e Relações com Investidores da M. Dias Branco (MDIA3), Fabio Cefaly, disse em live nesta sexta-feira (11) que o crescimento da empresa. mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, se deu pelo “momento muito bom de execução” em que a companhia se encontra.

Cefaly explicou que, entre março e abril, houve um pico na demanda por produtos de alimentos, abrangendo os da M. Dias.

“A população em geral estava preocupada, ninguém sabia exatamente o que ia acontecer”, comentou, mencionando a corrida aos supermercados que aconteceu no período.

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“Isso culminou com um momento da empresa em que a nossa execução estava muito boa, não em função da pandemia, mas sim em função de uma série de medidas que nós adotamos ao longo do ano passado para dar mais robustez à nossa estratégia comercial e à nossa estratégia de distribuição”, completou.

O executivo disse ainda, durante a live promovida pela Genial Investimentos, que essa “boa fase” da empresa, do ponto de vista de volume produtivo, acontece desde o terceiro trimestre de 2019.

No primeiro trimestre de 2020, por exemplo, quando ainda não havia impacto da pandemia, os volumes da companhia cresceram mais de 20%, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A M. Dias opera no setor de biscoitos e massas, enquadrado como serviço essencial, e está em praticamente todas as regiões do brasil, com um terço de participação do mercado.

“A cada 10 pacotes de biscoitos ou massas, 3 ou 4 são da M. Dias. Nós temos 34% de market share tanto em massas, quanto em biscoitos”, exemplificou o diretor.

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Medidas tomadas pela empresa em relação à pandemia

Cefaly explicou que, no início da pandemia, a M. Dias criou um comitê de crise, com reuniões diárias, a fim de adequar a linha de produção às novas medidas de higiene e saúde.

Colaboradores que se enquadravam no grupo de risco foram afastados e 500 funcionários temporários foram contratados para suprir a demanda.

Nas fábricas e moinhos, foram adotados medidas de distanciamento entre os funcionários, inclusive no ônibus, que leva e busca os colaboradores até suas casas.

Assim, nenhuma das atividades da empresa foi interrompida, tudo foi adaptado.

A M. Dias Branco (MDIA3)

A M. Dias Branco (MDIA3) foi fundada no Ceará, na década de 50, por um imigrante português, Manuel, em parceria com uma padaria.

Com o sucesso, abriu a primeira fábrica, ainda pequena. Foram criando marcas e expandindo cada vez mais o negócio, até se tornarem líder na área de massas e biscoitos no Nordeste.

Em 2003, a empresa iniciou um ciclo de aquisições, como a Adria, ampliando sua rede de marcas e a sua incidência em outras regiões do Brasil.

Atualmente, a M. Dias possui 19 marcas, 7 moinhos de farinha de trigo e 15 unidades industriais localizadas no Sul, Sudeste e Nordeste, atendendo à demanda nacional.

A aquisição da Piraquê, do Rio de Janeiro, em 2018, foi o maior investimento da companhia. A transação foi na ordem de 1,5 bi e ajudou a consolidar a M. Dias no sudeste, já que a maior receita da marca é concentrada no RJ e ES.

Segundo Cefaly, a Piraquê “tem potencial enorme de crescimento no país todo. Essa marca acabou completando o nosso portfólio de marcas”.

“Quando a gente olha para as 19 marcas da empresa, a gente tem marcas que servem consumidores de todas as regiões do Brasil e de todas as classes sociais, tanto aquele que quer comprar um produto por um preço mais baixo, quanto um de preço intermediário ou um produto mais ‘premium’, como é o caso de um biscoito da marca Piraquê”, explicou.

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Vantagens competitivas da empresa

Quando perguntado sobre as vantagens competitivas da M. Dias, Cefaly explicou que a companhia é ambiciosa no quesito de crescimento, mas sólida e conservadora em questões financeiras, o que vai de encontro com o perfil do investidor brasileiro.

Com 0,4 de dívida líquida, a empresa possui uma alavancagem baixa, “que habilita a M. Dias a fazer grandes investimentos, tanto orgânicos, quanto inorgânicos”. Além disso, é uma “grande geradora de caixa”

O executivo garantiu que, apesar do perfil conservador, a empresa não perde boas oportunidades de investimento, como foi o caso da Piraquê. O representante foi incisivo ao dizer que a empresa tem em seu DNA a qualidade de seus produtos.

“Nosso ciclo começa na produção dos dois principais insumos, que é a farinha de trigo e a gordura vegetal e ele termina quando a gente vende as massas, biscoitos, torradas, bolos, bolinhos, snacks, para os varejistas”, explicou, dizendo que esse processo produtivo completo garante a qualidade dos produtos.

“Aqui, nós já temos a primeira vantagem da M. Dias, que é a verticalização. A M. Dias depende da M. Dias para os dois principais insumos, isso é importante no ponto de vista de custo, do ponto de vista de qualidade dos dois insumos e no ponto de vista da disponibilidade dos dois principais insumos”, comentou.

Além disso, Cefaly garantiu que as unidades da empresa são equipadas com as melhores máquinas, seja nas fábricas, nos moinhos de trigo e na distribuição. Assim, eles podem “oferecer produto de alta qualidade ao consumidor, com preço competitivo”.

A amplitude de marcas, atendendo a diferentes consumidores, com diferentes possibilidades de preço também é um ponto forte da companhia.

Também atendem a todos os tipos de varejos, tanto o varejo de bairro, quanto às marcas grandes nacionais, o atacarejo e, recentemente, iniciaram-se no e-commerce nas principais plataformas. “A pandemia acabou catalisando a entrada da M. Dias no e-commerce”, justificou o diretor.

Sobre a governança da empresa, o executivo disse que, hoje, é a terceira geração da família Dias Branco que está à frente do negócio, mas também há executivos do mercado.

“Isso cria uma boa química entre a família, que é a grande guardiã da marca e cultura da empresa, com os profissionais do mercado. Há comitês de qualidade e eles seguem os mais altos padrões de governança administrativa”, respondeu.

Futuro da MDIA3

Atualmente, 50% da receita da M. Dias está na categoria de biscoitos, 20% em massas, 15% em farinha de trigo, 6% em margarinas e gorduras e 5% em torradas, bolinhos e snacks, que são categorias mais recentes.

“A produção própria de farinha é mais importante na questão de qualidade e disponibilidade de insumos, do que na receita”, explicou Cefaly.

A grande ambição da M. Dias é se tornar uma empresa de alimentos líder de mercado, não só de biscoitos, massas, farinha e margarina.

No futuro próximo, a empresa pretende buscar produtos de maior valor agregado e com potencial de crescimento de demanda, contribuindo para o crescimento da margem de lucro.

Uma das apostas, para isso, deve ser o lançamento de mais produtos premium e investir em produtos saudáveis, orgânicos, com teor menor de açúcar e gordura, sem glútem, com menos sódio, entre outros.

A companhia vê grande potencial de crescimento nesse nicho e já começou a lançar alguns produtos nessa linha, assim como têm investidos em startups desse segmento.

Também olham para fora do Brasil, no longo prazo. Pretendem, futuramente, ter uma unidade industrial fora do Brasil, “para que a M. Dias seja uma player internacional um dia”, disse Cefaly.

Estão na fase inicial de exportação, enviando produtos para Uruguai, Paraguai, Moçambique, Angola, Estados Unidos, Portugal e alguns países da América Central.

Os principais produtos exportados são biscoitos, massas e farinha de trigo e representam 5% da receita.

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