Como Luiz Alves Paes de Barros se tornou um dos maiores investidores da bolsa

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

Luiz Alves Paes de Barros é um dos maiores investidores da bolsa de valores brasileira, dono de uma fortuna avaliada em R$ 6 bilhões.

Formado em economia pela Universidade de São Paulo (USP), Barros é tão avesso aos holofotes que, por sua discrição, foi apelidado pelos investidores de “bilionário fantasma”.

 Apesar de ter vindo de uma família tradicional e dona de uma das maiores usinas de açúcar do País, Alves não ficou rico por herança.

Ferramenta ajuda na escolha de suas ações de acordo com balanços

Em entrevistas recentes, o investidor comentou que os familiares perderam quase tudo o que conquistaram “por não saberem gastar”.  E foi essa lição que Luiz Alves Paes de Barros aprendeu desde cedo.

Aos 16 anos, entrou no mercado financeiro ao comprar ações do Comind, banco dos grandes lavradores do Estado de São Paulo.

Foi o “pontapé inicial” para uma caminhada quase perfeita rumo ao sucesso – e aos bilhões.

Nos anos 80, com pouco mais de 30 anos, Luiz Alves, como é conhecido, juntou-se a Luis Stuhlberger, um dos maiores gestores do Brasil. Eles foram sócios na corretora Griffo, que mais tarde se uniu a Hedging e, em 2006, foi vendida ao  Credit Suisse.

Foi nessa empresa que se tornou mestre no mercado de capitais.

A grande tacada de Luiz Alves na Bolsa

Uma das grandes sacadas de Luiz Alves Paes de Barros foi ter investido em ações do Banco Real. Isso antes da venda da instituição para a ABM Amro, no fim da década de 1990.

Ao acumular cerca de 5% de capital do banco por 20 anos, recebeu uma bolada de US$ 100 milhões no momento da venda para os holandeses. O valor era 40 vezes maior do que seu investimento inicial.

Na sequência, fez investimentos no Banco Alfa, fundado pelo ex-controlador do Real, Aloysio Faria. Um amigo de Alves comentou, à revista Exame, que a compra dessas ações é comemorada até hoje pelo investidor. “Ele diz que uma ação do Alfa é uma nota de R$ 100 que custou R$ 50.”

Em 2003, Luiz Alves Paes de Barros criou o fundo Alaska Poland e “esquentou” definitivamente seu patrimônio. Nos dez anos seguintes, o fundo alcançou uma valorização três vezes superior ao Ibovespa – 1000% contra 300%.

Magazine Luiza (MGLU3): o “tiro certo” do investidor

Em 2015, o que já era um sucesso virou referência com a criação da gestora Alaska Asset Management, em parceria com Henrique Bredda e Ney Miyamoto.

O fundo conseguiu um retorno de 350% em pouco mais de dois anos e chamou a atenção do mercado.

Boa parte do resultado se deveu à aposta nas ações do Magazine Luiza.  Os papéis da varejista valorizaram 15.000% em menos de três anos. Em 2017, o fundo rendeu R$ 780 milhões ao já gordo patrimônio do investidor.

Nos anos seguintes aos investimentos no Magazine Luiza, o fundo passou a aproveitar os preços baixos das commodities para inserir as grandes exportadoras em suas carteiras.

Hoje o Alaska possui cerca de 200 mil investidores em seus fundos, com um patrimônio aproximado de R$ 17 bilhões.

Dica simples, mas valiosa

 “Comprar barato para vender caro”. Essa dica, aparentemente simples e que “todo mundo sabe”, é o segredo do sucesso de um dos maiores investidores do Brasil.

Alves é adepto do “value investing”.  Isso significa procurar por ações que estejam sendo comercializadas abaixo do real valor, esperar sua recuperação e, então, fazer dinheiro na venda.

“Se cair eu compro, se subir, eu vendo. Mercado tem todo dia”, costuma dizer em suas raras entrevistas.

O bilionário confessou, inclusive, que quando vai comprar uma ação nova, “torce” para que o preço dela caia.

“Quanto mais cair enquanto eu compro, melhor. Gosto de pagar e acumular pagando pouco, e não pagando muito”.

O princípio fundamentalista aplicado pelo investidor leva em conta não somente o preço da ação, mas outros pontos. São esses:

  • Receita da empresa;
  • Nível de endividamento;
  • Mercado em que a companhia está inserida e seu potencial.

Além dos investimentos no Magazine Luiza, obilionário fez algumas outras apostas  no Alaska Black e que até hoje rendem frutos. Entre elas, estão Klabin (KLBN11), Suzano (SUZB3), Braskem (BRKM5), Ambev (ABEV3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4).

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