Luis Stuhlberger alerta sobre crise fiscal e risco de títulos prefixados

Felipe Alves
Jornalista com experiência em reportagem e edição em política, economia, geral e cultura, com passagens pelos principais veículos impressos e online de Santa Catarina: Diário Catarinense, jornal Notícias do Dia (Grupo ND) e Grupo RBS (NSC).
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Crédito: Divulgação/Verde Asset

Uma possível crise fiscal, o momento de instabilidade no mercado e uma baixa taxa básica de juros de 2% no Brasil são algumas das preocupações do gestor Luis Stuhlberger. O alerta foi feito na noite de quarta-feira (21), com a previsão de um 2021 desafiador.

Em tom de brincadeira, Stuhlberger até disse que prefere ir para a prisão a ter aplicações em títulos prefixados do Tesouro com vencimento em 2022. A comparação hipotética do gestor do fundo Verde foi feita em evento on-line produzido pela casa de análise Spiti.

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Entre outras declarações, ele diz que está cauteloso em fazer previsões de curto prazo para a economia e afirmou que o governo caminha sobre uma camada de gelo fino em referência ao teto de gastos. O déficit fiscal brasileiro deve ser de R$ 1 trilhão em 2020. Mas apesar de achar que ainda dá para não furar o teto de gastos públicos, Stuhlberger diz que é urgente resolver a questão fiscal.

O gestor reforçou sua visão de preocupação com o futuro da política fiscal do país no curto prazo. Em caso de piora dos prognósticos, o resultado pode ser a alta da inflação ao nível de consumir boa parte dos rendimentos dos títulos prefixados até 2022.

A possibilidade de risco fiscal é o principal motivo, segundo ele, para ficar de fora de títulos prefixados. Por isso, o fundo Verde zerou este ano a posição em títulos do tipo Tesouro IPCA+ com vencimento para 2050. Até então, o fundo tinha carregado por anos estes títulos no portfólio.

Segundo ele, ainda há prêmio na curva de juros futura de longo prazo, mas nada exagerado que justifique este risco.

 

Inflação poderia estar a 6%

Luis Stuhlberger criticou ainda a falta de estabilidade na política fiscal do país. Pelos cálculos da Verde, a inflação ponderada corrente está hoje mais perto de 4,5%, chegando a 6% entre os bens que tiveram aumento de consumo na pandemia. “Podemos ter surpresas negativas na inflação nos próximos meses”, diz ele.

O gestor afirma que jamais esperava que o Banco Central baixasse a Selic a menos de 3%, mesmo com lockdown e inflação. Assim, segundo ele, não faz sentido hoje o Brasil estar com Selic a 2% e logo subir para 4% – como preevem alguns especialistas para o próximo ano. Stuhlberger defende a estabilidade para o país em relação ao juro básico.

Segundo Stuhlberger, o juro de equilíbrio para o país é de 6% ao ano. Ou seja, nem os dois dígitos da época do governo Dilma Rousseff nem os atuais 2%.

A projeção do gestor é de que em maio de 2021 a inflação chegue a 4,6%, mas recue para 2,7% no fim do ano. Em 2020 e 2021, o IPCA deverá encerrar o ano abaixo dos 3%, diz Stuhlberger.

 

Luis Stuhlberger prioriza renda variável

Sem grandes posições na renda fixa no portfólio do fundo Verde, Stuhlberger prefere apostar na renda variável no momento para aproveitar os prêmios grandes e que, segundo ele, não estão exagerados.

As duas maiores posições hoje na carteira da Verde estão na Bolsa brasileira, com cerca de 25% do risco do fundo Verde, e na bolsa americana, com algo perto de 15%. Ele não detalhou, porém disse não estar muito posicionado em empresas de tecnologia, bancos ou exportadoras de commodities.

A exposição em renda variável não reflete necessariamente, segundo ele, uma percepção otimista ou pessimista dos mercados. É uma forma de diversificação no portfólio de longo prazo.

Por fim, segundo ele, com o controle da expansão da dívida pública nos próximos anos, o crescimento da Bolsa será mais acentuado no longo prazo.

Leilão do Tesouro

O Tesouro Nacional realizou, nesta quinta-feira (22), mais um leilão de títulos, o segundo depois de mudanças feitas visando se adaptar ao cenário de menor interesse pelos papéis. O órgão mudou a estratégia, no entanto, e aumentou a oferta de Notas do Tesouro Nacional (NTN-F), de prazos mais longos, em detrimento dos títulos pre-fixados mais curtos.

Na semana passada, o Tesouro conseguiu demanda para apenas 38% das Letras Financeiras do Tesouro (LFTs), do Tesouro Selic, que ofereceu.