Lucro líquido: entenda o que é e como calcular

Carla Carvalho
Graduada em Ciências Contábeis pela UFRGS, pós-graduada em Finanças pela UNISINOS/RS. Experiência de 17 anos no mercado financeiro, produtora de conteúdo de finanças e economia.

Foto: Canva

O grande objetivo financeiro de todo o negócio é gerar resultado. Dessa forma, o lucro líquido é um indicador fundamental, tanto para a empresa quanto para os investidores.

Afinal, é ele que financiará o desenvolvimento da organização. Além de remunerar os investidores, o resultado positivo proporcionará crescimento, por meio de investimentos em pessoal, produtos e tecnologia.

 O que é lucro líquido?

De maneira simplificada, o lucro líquido é a diferença entre todas as receitas da empresa e todos os gastos envolvidos para que ela funcione. Ou seja, é todo o recurso que sobra depois de deduzidos os custos, despesas e impostos.

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Lucro líquido = Receitas – Custos – Despesas

E qual a diferença entre custos e despesas?

Quando falamos em custos, estamos nos referindo a todos os gastos diretamente ligados à produção da empresa. Por exemplo: compra de matéria-prima, salário do pessoal da produção, gastos com o maquinário de produção, e assim por diante.

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Já as despesas são todos os outros gastos necessários ao funcionamento da empresa, mas que não possuem ligação direta com seus produtos ou serviços. Salários do pessoal da administração, comissões de vendas, energia e internet dos setores de venda e administração são alguns exemplos.

Qual a importância do lucro líquido para a empresa?

Como vimos, esse indicador é fundamental para avaliar o sucesso da organização. Isso porque, é por meio do lucro líquido que a empresa consegue:

  • Remunerar os sócios e os colaboradores;
  • Investir em novos projetos, para que continue a crescer;
  • Formar reservas financeiras, para que o negócio seja mais sustentável.

Como calcular o lucro líquido

Vamos pegar um exemplo simples. Suponha que um restaurante vendeu R$ 100 mil em refeições durante um mês. Nesse mesmo período, os seus gastos foram os seguintes:

Insumos para a cozinha: R$ 30 mil

Salários do cozinheiro e auxiliares: R$ 25 mil

Aluguel, salários da administração e demais despesas de funcionamento: R$ 25 mil

Dessa forma, o lucro líquido será:

receitas                                          100.000

(-) custos                                       (30.000)

(-) despesas                                  (50.000)

= lucro antes dos impostos         20.000

(-) impostos                                    (5.000)

= lucro líquido                               15.000

Nesse caso, o restaurante fechou o mês no azul, com lucro líquido de R$ 15 mil.

Entretanto, é importante saber que uma empresa que tem recursos disponíveis em caixa não é, necessariamente, lucrativa. Vejamos por que:

Lucro líquido e caixa são a mesma coisa?

Esses dois conceitos podem gerar confusão entre empresários e investidores iniciantes. Isso porque é possível que uma empresa encerre o mês com caixa, mesmo que seu negócio não esteja dando lucro.

Por outro lado, há empresas que precisam recorrer a bancos para pagar seus compromissos, embora a última linha do seu demonstrativo de resultados esteja positiva.

Mas por que isso ocorre?

Para entender, precisamos conhecer alguns conceitos contábeis.

Na contabilidade, as receitas e despesas são chamadas de contas de resultado. Como o próprio nome diz, elas é que irão determinar se o resultado da empresa é positivo ou negativo.

O relatório contábil que registra as contas de resultado é o demonstrativo de resultado do exercício, também conhecido como DRE. É pelo DRE que conseguimos ver se a organização auferiu lucro ou prejuízo em um determinado período.

Nesse sentido, existe um ponto muito importante a ser observado. No DRE, tanto as receitas quanto as despesas devem ser registradas no momento em que ocorrem, independentemente de que haja, ou não, entrada ou saída de dinheiro.

Por exemplo, suponha que, no início do mês, a empresa fez uma venda de R$ 10.000 parcelada em 10 prestações mensais. Logo, no mês seguinte, ela receberá somente a primeira parcela, no valor de R$ 1.000.

Entretanto, no momento da venda, a empresa precisará registrar no DRE o seu valor integral, mesmo que o dinheiro ainda não tenha entrado todo no caixa. Ou seja, no DRE haverá uma receita de vendas de R$ 10.000, mas esse valor só estará totalmente no caixa da empresa em 10 meses.

Com esses exemplos, deu para perceber que lucro líquido não significa dinheiro em caixa, certo?

Mais um exemplo, para fixarmos:

Uma rede de combustíveis lucrativa efetua a maior parte de suas vendas no cartão. Nesse sentido, os seus clientes têm 30 dias de prazo para abastecimento e até 90 dias para a troca de óleo.

Porém, a distribuidora dá somente 7 dias de prazo para a rede pagar o combustível que venderá nas bombas. Logo, mesmo que sejam lucrativos, esses postos terão um descompasso de caixa, pois sempre terão compromissos a pagar antes de receberem o total de suas vendas.

O que é margem líquida?

A margem líquida nada mais é do que a relação percentual entre o lucro líquido e as vendas líquidas. Ela é calculada da seguinte forma:

Margem líquida = (lucro líquido / vendas líquidas) x 100

Ou seja, a margem líquida é o indicador financeiro que expressa o lucro líquido da empresa em percentual.

Como vimos, o principal objetivo das empresas comerciais é o lucro. Dessa forma, calcular a margem líquida é fundamental para que a empresa saiba se está tendo retorno com suas atividades.

Por outro lado, empresas lucrativas tendem a atrair mais investidores do que as que estão no vermelho. Com isso, podemos concluir que a margem líquida é um importante indicador de vantagem competitiva.

E qual a margem líquida ideal?

Primeiramente, para avaliar a margem líquida ideal, é necessário conhecer o setor de atividade da empresa. Além disso, também é fundamental verificar como está o seu desempenho em relação à concorrência.

Nesse sentido, existem determinados segmentos que, historicamente, proporcionam margens baixas. Dentre outros motivos, isso pode acontecer por causa do preço das matérias-primas e do grande numero de concorrentes.

É o caso de postos de combustíveis e redes de varejo, por exemplo. Nesses setores, as margens líquidas costumam ser mais reduzidas.

Nessas situações, as empresas precisam estar cientes de que o lucro dependerá, principalmente, de seus esforços de venda. Isso porque, nesses setores, há pouca margem de negociação de preços, tanto na compra de insumos e mercadorias, quanto na venda para o consumidor final.

Por outro lado, empresas que detêm algum monopólio, ou atuam em setores diferenciados, como tecnologia, tendem a apresentar maiores margens líquidas.

Por fim, como vimos, é sempre importante comparar a empresa aos seus concorrentes. Caso contrário, corremos o risco de ficarmos satisfeitos com um lucro mediano, enquanto o segmento registra grandes desempenhos.

Em contrapartida, nos setores de margens mais espremidas, o esforço de gestão é o que fará toda a diferença no resultado da empresa. Logo, deve-se conhecer e comparar as principais práticas de gestão desses segmentos.