Lucro do BB (BBAS3) soma R$ 17,8 bilhões em 2019, alta de 32,1%

Joana Kurtz
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Crédito: Reprodução

O lucro ajustado do Banco do Brasil (BBAS3) totalizou R$ 17,8 bilhões no ano passado, o que equivale a um aumento de 32,1% na comparação com 2018.

De acordo com o banco, esse resultado foi impulsionado pelo aumento da margem financeira bruta, associado à redução da despesa líquida de PCLD (provisão para crédito de liquidação duvidosa, os gastos com calotes).

Além disso, as receitas com prestação de serviços, que cresceram nominalmente acima das despesas administrativas, também ajudaram.

Apenas no último trimestre de 2019, o lucro líquido ajustado ficou em R$ 4,6 bilhões, com alta de 20,3% na comparação com igual período de 2018.

No quarto trimestre de 2019, diante da majoração da alíquota de CSLL de 15% para 20%, por causa de emenda constitucional, houve a ativação de crédito tributário referente a períodos anteriores que resultaram em um evento extraordinário de R$ 4,97 bilhões.

Em contrapartida, foi constituída PCLD prudencial extraordinária (R$ 2,93 bilhões), provisão extraordinária com demandas contingentes (R$ 2,19 bilhões) e provisão oriundas de ações judiciais referentes aos planos econômicos (R$ 1,27 bilhão).

O RSPL Mercado (índice de retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado recorrente) teve evolução de 15,4% para 17,7%, entre os últimos trimestres de 2018 e 2019.

Já no acumulado em 12 meses, passou de 13,9% para 17,3%.

Segundo o banco, o resultado reforça o seu compromisso com a rentabilidade.

Margem

A margem financeira líquida totalizou R$ 11,025 bilhões no quarto trimestre de 2019, com avanço de 17,3% em relação ao último trimestre de 2018.

Em 2019, somou R$ 40,084 bilhões, com alta de 12,3%.

Já a margem financeira bruta totalizou R$ 14,024 bilhões no quarto trimestre do ano passado, com expansão de 11,6%.

Ao longo de todo o ano, a cifra foi de R$ 53,086 bilhões, com aumento de 6,4%.

O spread ajustado pelo risco ficou em 3,4% no quarto trimestre de 2019, ante 3%, um ano antes.

A margem financeira bruta no trimestre foi ajudada pelo crescimento nas receitas de crédito a pessoas físicas, impulsionado pelas linhas de crédito pessoal e consignado.

Por outro lado, houve queda nas receitas financeiras com operações de crédito em R$ 65 milhões, especialmente devido à redução da carteira de crédito a grandes empresas e o movimento da taxa Selic média.

A despesa financeira de captação também foi influenciada pela redução da Selic.

Os juros também influenciaram as despesas de captação institucional com maior impacto nas despesas de empréstimos, cessões e repasses, e letras financeiras, bem como o resultado de tesouraria.

Carteira de crédito diminui

A carteira de crédito ampliada totalizou R$ 680,7 bilhões, com redução de 2,6% na comparação com dezembro de 2018 e de cerca de 0,9% ante o terceiro trimestre de 2019.

A carteira de crédito de pessoas físicas cresceu 8,9% em relação a dezembro/18 (+R$ 17,4 bilhões), fruto do desempenho positivo em crédito consignado (+R$ 10,2 bilhões) e em empréstimo pessoal (+R$ 3,3 bilhões).

Por sua vez, a carteira de crédito classificada de pessoas jurídicas caiu 10,9% (-R$ 24,1 bilhões) em relação a dezembro de 2018, principalmente devido ao volume de amortizações no segmento de grandes empresas (-R$ 28,9 bilhões).

Por outro lado, houve a retomada do crescimento da carteira pequenas e médias empresas no ano, com crescimento de 8,5%.

O banco tem como estratégia nesse segmento o foco nas operações com garantias e recebíveis e duration mais curta.

Nesse sentido, a linha de capital de giro teve crescimento de 28,4% na comparação com dezembro de 2018 (+R$ 6,3 bilhões).

Por fim, o crédito rural apresentou queda de 1% em relação a dezembro de 2018 (-R$ 1,7 bilhão), com redução de R$ 5,6 bilhões na Comercialização Agropecuária, compensada pelo aumento na carteira de FCO Rural (+R$ 2,0 bilhões) e Investimento Agropecuário (+R$ 2,3 bilhões).

Calotes

O índice de inadimplência acima de 90 dias (relação entre as operações vencidas há mais de 90 dias e o saldo da carteira de crédito classificada) mostrou redução frente a setembro e alcançou 3,27% em dezembro/19. Ao desconsiderar o efeito de caso específico o índice seria de 2,54%.

Em setembro, o índice estava em 3,47%. Porém, houve aumento em relação a dezembro de 2018, quando se encontrava em 2,53%.

A despesa com PCLD – Risco de Crédito teve queda de 4,6% em relação ao terceiro trimestre de 2019, alcançando R$ 4,8 bilhões nos últimos três meses do ano passado. Na comparação em 12 meses, ficou perto da estabilidade.

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No trimestre, foi constituída provisão prudencial extraordinária no valor de R$ 2,9 bilhões. Esta foi realizada da seguinte forma: R$ 1,2 bilhão no segmento pessoa física, R$ 1,1 bilhão no segmento pessoa jurídica e R$ 570 milhões no segmento agroindustrial.

A despesa de PCLD Líquida, que considera a Recuperação de Crédito, reduziu 9,6% na comparação com o terceiro trimestre de 2019, afetada positivamente pelo aumento de 4,9% na Recuperação de Crédito (+R$ 83,7 milhões).

Receitas de serviços

As receitas com prestação de serviços atingiram R$ 7,580 bilhões no quarto trimestre de 2019, com crescimento de 0,6% em relação ao terceiro trimestre de 2019, e de 3,8% na relação anual.

No ano, somaram R$ 29,209 bilhões, com avanço de 6,4% em relação ao ano de 2018.

No quarto trimestre de 2019, o destaque ficou para o crescimento de R$ 92,9 milhões em ‘seguros, previdência e capitalização’, principalmente no segmento de seguros, impulsionado pelo aumento do volume de vendas e pelo recebimento de remuneração por performance na BB Corretora. Em 2019, o crescimento foi de 18,0% (R$ 581,2 milhões).

Destaque também para o resultado de ‘rendas de mercado de capitais’, com crescimento de 21,6% no comparativo 4T19/3T19, e 23,7% no comparativo 2019/2018, com alta de R$ 50,1 milhões e R$ 186,5 milhões respectivamente, explicado pela estratégia de atendimento às demandas de Grandes Empresas através do mercado de capitais e pelo incremento nas rendas de comissões de colocação de títulos através do BB Banco de Investimento.

Guidance

O banco também divulgou nesta manhã as suas estimativas para 2020. O lucro líquido ajustado deve ficar entre R$ 18,5 e R$ 20,5 bilhões; a margem financeira bruta deve crescer entre 2% e 5%; e a carteira de crédito, de 5,5% a 8,5%, puxada pelos empréstimos a pessoas físicas e a empresas com faturamento anual de até R$ 200 milhões.

O PCLD ampliado deve ficar entre R$ 10 e 13 bilhões. As rendas de prestação de serviços, entre 1% a 4% e as despesas administrativas entre 2,5 e 4,5%.

Dividendos

O conselho de administração do Banco do Brasil aprovou para o exercício de 2020 a manutenção do intervalo de 30% a 40% do payout (lucro líquido a ser distribuído), via dividendos e/ou juros sobre o capital próprio (JCP).

Além disso, nesta quinta-feira (13), anunciou o pagamento de juros sobre o capital próprio complementares no valor de R$ 0,43577376318 por ação, totalizando R$ 1,242 bilhão.

Tá, e aí?

O analista da XP Investimentos, Marcel Campos, diz que o BB divulgou um resultado “sólido” para o último trimestre de 2019, com o lucro recorrente acima das expectativas da corretora.

“O banco mostra mais uma vez que é capaz de melhorar sua rentabilidade mesmo em um cenário de declínio na carteira de crédito, devido a um melhor mix de crédito e menores despesas com custo de crédito”, explica.

Sobre as projeções para 2020, escreveu: “O banco postou um bom guidance para 2020, com crescimento da carteira e margens, custos controlados e um possível aumento de lucro de 4 a 15%”.

Ele concluiu: “Mantemos o Banco do Brasil como nosso top pick entre os bancos incumbentes, recomendação de compra e preço alvo de R$ 61,00.”

A equipe de análise da Wisir Research também avaliou positivamente o resultado. Para a equipe, ainda que possamos observar redução dos spreads, a redução do PDD impactou positivamente o resultado do banco, assim como o crescimento das receitas com tarifas, bem acima da variação das despesas administrativas do período.

Adicionalmente, a avaliação é de que a redução da carteira de crédito dos segmentos PJ, agro e externo foi compensada por maior volume de operações com PF, que resultam em um maior spread bancário.

“A companhia tem como metas futuras intensificar as suas operações digitais e realizar reajustes nos contratos com fornecedores e acordo coletivo de trabalho, alinhados à prática de mercado”, acrescentou.


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