Luciano Hang: conheça o bilionário que vai levar a Havan para a bolsa

Paulo Amaral
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Crédito: Divulgação

A varejista Havan protocolou, nesta quinta, o pedido para fazer oferta pública inicial de ações na B3.

O IPO representa outro feito na carreira do bilionário Luciano Hang. O empresário, conhecido por polêmicas e pelo tino comercial implacável e aguçado, promete levantar até R$ 10 bilhões já na estreia na bolsa de valores.

A ideia, segundo reportagem publicada no site da revista Poder, é vender 10% da Havan no mercado de ações.

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A operação pode render à Havan um valor de mercado de até R$ 50 bilhões, ou R$ 100 bi, em análises mais ambiciosas de analistas do mercado financeiro.

Estima-se que o patrimônio de Hang gire em torno de R$ 18,5 bilhões. A oferta na bolsa pode torná-lo um dos cinco mais ricos do país. Hoje ele é o 13º nessa lista.

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 Origem

Até 2016, Hang, dono da varejista  Havan, era um desconhecido empresário catarinense no cenário nacional.  Suas lojas, com arquitetura inspirada na Casa Branca e com uma réplica da estátua da liberdade, já chamavam a atenção, mas ele se mantinha discreto.

O empresário de Brusque (SC) ganhou notoriedade ao se tornar um aliado do então candidato à presidência Jair Bolsonaro, em 2018. Em setembro do ano passado, Hang fez sua estreia na lista de bilionários da revista Forbes.

Com 165 lojas espalhadas pelo Brasil, a Havan tem um faturamento médio anual estimado em R$ 10,5 bilhões.

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“Véio” bom de marketing

Luciano Hang começou a sair do anonimato em 2016. Antipetista declarado,  decidiu estrelar uma campanha de marketing intitulada “De quem é a Havan?”.

O objetivo era acabar com os boatos de que a rede varejista pertenceria aos filhos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. “A Associação com políticos começou a afetar a imagem do meu negócio”, justificou em entrevista para o El País.

De lá para cá, Hang virou a cara da Havan, investindo cada vez mais em campanhas de marketing, enquanto fazia a expansão da rede pelo País.

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Tornou-se um dos grandes patrocinadores de programas de auditório como o de Luciana Gimenez, na Rede TV!, Ratinho e Celso Portiolli, no SBT.

Segundo reportagem do El País, somente em 2018, ano eleitoral, Luciano Hang gastou mais de R$ 50 milhões em publicidade. Intensificou suas aparições em programas de TV, em que falava da varejista, mas também de política.

Nas redes sociais, virou uma das principais vozes pró-bolsonaro  e ganhou na internet o apelido de “véio da Havan”.

Em maio deste ano, chegou a ser alvo de investigação de uma operação da Polícia Federal que apura a divulgação de notícias falsas.

Hang: um empreendedor nato

A veia empreendedora acompanha Luciano Hang desde criança. Ele conta que, aos nove anos, percebeu que a falta de uma cantina na escola poderia ser uma oportunidade.

Começou a comprar balas e biscoitos no comércio para revender aos estudantes.  

Mais tarde, trabalhou como vendedor na Tecidos Carlos Renaux, empresa de Brusque que foi à falência em 2013. 

Em 1986, aos 24 anos, abriu sua própria loja para vender tecidos no atacado. O estabelecimento tinha 45 metros quadrados e foi aberto em sociedade com o amigo Vanderlei. O nome da loja veio da junção dos nomes dos sócios. 

A sociedade durou cinco anos. Vanderlei deixou o negócio por discordar dos planos de Hang – muito mais ousados do que os seus.  

Nessa época, o dono da Havan aproveitou a abertura comercial para vender também produtos importados em sua loja.  “Mudei porque vi que o atacado de tecidos não tinha mais futuro e enxerguei outras oportunidades”, disse certa vez ao Estadão

Fascínio pelos Estados Unidos

Em 1999, Luciano Hang já tinha mudado completamente o modelo de negócio. Deixou de focar na venda exclusiva de tecidos e roupas e tornou a Havan uma loja de departamentos.

Quando decidiu pela virada, Hang colocou na cabeça que suas lojas tinham que ter personalidade. A inspiração veio dos Estados Unidos, país que conheceu em 1989 e o fascinou. Virou fã do capitalismo americano. 

Em 1994, a Havan inaugurou a primeira loja, em Brusque, com arquitetura que imita a Casa Branca, a residência oficial do presidente dos EUA.

A estátua da Liberdade foi ideia de uma criança, que abordou Hang na inauguração da loja para dizer que o prédio só estaria perfeito se tivesse o monumento na frente. 

Dois anos depois, sua loja ganhou uma réplica da Estátua da Liberdade. A maior delas hoje fica na Parada Havan, em Barra Velha (SC), e tem 57 metros de altura. 

Hoje, já dezenas de estátuas espalhas pelo País. Hang intensificou a expansão para além do território catarinense em 2013, e sempre que consegue um terreno com espaço adequado ergue um monumento.

As lojas contam com portfólio de 100 mil itens. No meio da pandemia, para driblar o fechamento das unidades, a Havan passou a vender também alimentos, como arroz e feijão.

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“Bolsonarismo” e polêmicas

Em entrevista ao jornalista Claudio Loetz, em 2019, Luciano Hang admitiu o que todos já perceberam desde que ele ganhou as redes sociais: “sim, eu adoro uma polêmica”. Tem se envolvido em algumas desde as eleições em 2018.

No período eleitoral, por exemplo,  o empresário divulgou um vídeo em que ameaçava não abrir mais lojas e demitir caso Jair Bolsonaro não vencesse o pleito.

Em 2019, o Tribunal Superior Eleitoral condenou Hang por propaganda eleitoral irregular.

Em maio deste ano, Hang também foi condenado a pagar uma indenização de R$ 20,9 mil por atacar o reitor da Universidade de Campinas, Marcelo Knobel com fake news.

Hang publicou no Twitter que o reitor teria gritado “Viva la Revolucion” em uma formatura.  “E depois dizem que nossas universidades não estão contaminadas? Vá pra Venezuela Reitor FDP”, escreveu.

Knobel, no entanto, não estava presente no evento.

Hang também já foi processado por danos morais pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula acusa o  empresário de pagar para que um avião sobrevoasse praias de Santa Catarina com a seguinte faixa: “Lula cachaceiro devolve meu dinheiro.”

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(Com edição de Naiana Oscar)