Livro Bege: Fed aponta ritmo leve e moderado de retomada econômica

Marco Antônio Lopes
Editor. Jornalista desde 1992, trabalhou na revista Playboy, abril.com, revista Homem Vogue, Grandes Guerras, Universo Masculino, jornal Meia Hora (SP e RJ) e no portal R7 (editor em Internacional, Home, Entretenimento, Esportes e Hora 7). Colaborador nas revistas Superinteressante, Nova, Placar e Quatro Rodas. Autor do livro Bruce Lee Definitivo (editora Conrad)

O Federal Reserve divulgou, nesta quarta (21), o relatório sobre a economia do país. O documento, chamado de Livro Bege, é assinado pelos dirigentes da instituição e faz observações sobre indicadores como desemprego, inflação, consumo e atividade industrial.

No documento desta quarta, o Fed destaca que a atividade econômica continuou crescendo em todos os distritos pesquisados, mas o ritmo de retomada da economia é leve e modesto.

Os números da Covid-19 no país aumentaram em quase todos os estados nos últimos dois meses, mas não a ponto de interromper a recuperação que vem sendo visto em indicadores importantes da economia.

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“A atividade económica continuou a aumentar em todos os distritos, com o ritmo de crescimento caracterizado como leve e moderado na maioria dos pontos pesquisados”, diz o texto do Fed.

O Fed vê perspectivas otimistas para a economia, apesar das incertezas a curto e médio prazos.

Imóveis comerciais: alerta sobre queda

O texto ressalta alguns pontos. Diz, por exemplo, que o crescimento de gastos do consumidor continuou positivo.

“O crescimento dos gastos do consumidor permaneceu positivo, e em alguns distritos relataram um nivelamento das vendas no varejo e um ligeiro aumento na atividade turística”, exemplifica o documento do Fed.

O texto assinala que houve melhora de empregos, com ganhos mais consistentes no setor de manufatura.

“O emprego aumentou em quase todos os distritos, embora o crescimento tenha permanecido lento”, analisa.

“Os ganhos foram relatados de forma mais consistente para as empresas de manufatura, embora existam ainda inúmeros relatos de licenças e dispensas”, pontua o Fed.

Os dirigentes mencionam que os mercados de habitação residencial continuaram a ter demanda maior e constante, mas condições de imóveis comerciais, na avaliação do Fed, estão se deteriorando.

“Os mercados de habitação residencial continuaram a experimentar uma procura constante de casas novas e existentes, com a atividade limitada por baixos estoques”, lembra o texto.

“Em contrapartida, as condições dos imóveis comerciais continuaram a se deteriorar em muitos distritos, com exceção dos armazéns e espaços industriais onde a atividade de construção e arrendamento se manteve estável”, sublinha o Fed.

Preços: aumento modesto

“Os preços aumentaram modestamente nos distritos desde o relatório anterior”, diz o Livro Bege.

“Os custos de insumos aumentaram de forma mais rápida do que os preços ao consumidor”, prossegue.

“Entretanto, alguns setores — notadamente construção, manufatura, varejo e atacado — repassaram os custos mais altos aos consumidores”, acrescenta.

“No geral, os preços ao consumidor nos distritos aumentaram modestamente, com as notáveis ​​exceções de alimentos, automóveis e eletrodomésticos, que se elevaram significativamente.”

O Livro Bege fala também das  taxas de inadimplência no pais, que segundo a autoridade monetária se mantiveram estáveis.

E lembra que a maioria dos bancos teme por esses patamares elevados.

Apoio fiscal

A avaliação do Fed nesta quarta complementa a última análise do banco, divulgada no início de outubro.

O Fed falava, na ata das últimas reuniões do Fomc (Comitê Federal de Mercado Aberto, na sigla em inglês), realizadas em 15 e 16 de setembro últimos.

O documento apontava uma preocupação dos dirigentes do Fed a respeito da falta de um apoio fiscal do governo e do Congresso para a recuperar a economia do país em meio à crise causada pelo novo coronovírus.

Temiam, na ocasião, que a falta de estímulo fiscal prejudicasse a retomada econômica.

Referiam-se à falta de acordo no Congresso americano em relação a um novo pacote de estímulo à economia — que deve injetar entre US$ 1,8 trilhão e US$ 2,4 trilhões.

Os congressistas democratas e republicanos ainda negociam um pacote — embora já se fale em adiar o acordo para depois das eleições americanas, em 3 de novembro.

A reunião do Fed incluiu abrangente debate sobre as perspectivas econômicas do país.

Taxas perto do zero

Em sua última decisão, anunciada em 16 de setembro, os dirigentes do Fed mantiveram as taxas de juros entre zero e 0,25%.

Disseram que pretendem manter os juros perto da estabilidade até pelo menos 2023.

“As informações disponíveis à época da reunião de 15 a 16 de setembro sugeriam que o PIB real dos EUA estava se recuperando a uma taxa rápida no terceiro trimestre”, diz a ata do Fomc.

“As condições do mercado de trabalho continuaram a melhorar acentuadamente em julho e agosto, mas o nível de emprego ainda estava abaixo do nível do início do ano”, pondera.

“A inflação dos preços ao consumidor – medida pela variação percentual de 12 meses no índice de preços para despesas de consumo pessoal (PCE) até julho – permaneceu bem abaixo das taxas que prevaleciam no início do ano”, acrescenta.

Riscos

O Fed reforçou mais uma vez os riscos da pandemia para a atividade econômica.

“A crise sanitária causou enormes dificuldades para os EUA e o mundo”, diz a ata do Fomc. “A economia e emprego nos EUA reagiram nos últimos meses.”

Mas, apesar da melhora, ressalta o comitê, economia e emprego continuam abaixo dos patamares registrados  no começo do ano.

A maioria dos integrantes do Fed mostrou preocupação com a retração do apoio fiscal.

Os dirigentes concordam que Fed usará todos os instrumentos de que dispõe para apoiar a economia. Concordam que trajetória da economia dependerá do coronavírus.

Dirigentes do Fed declararam que é preciso mais ajuda fiscal: consideram a incerteza econômica “muito elevada”, apesar de os indicadores mostrarem que a economia está se recuperando mais rapidamente do que o previsto.

Os membros do Fomc concordam em manter juros baixos até atingir a completa recuperação econômica.

Lembraram que as condições financeiras relaxaram desde a reunião anterior e que a política monetária acomodada contribuiu para compras de bens duráveis.

Reação do mercado

Wall Street recebeu o texto do Fed com pessimismo — embora o que tenha   repercutido mesmo no desempenho hoje nas bolsas em Nova York tenha sido a falta de acordo entre democratas e republicanos sobre pacote de estímulo da economia.

O pacote fiscal segue em negociação entre Nancy Pelosi e Steven Mnuchin.

Sites de notícias informaram que, no final da tarde, a Casa Branca teria se comprometido a apoiar um volume de US$ 1,9 trilhão, número relativamente próximo ao plano dos democratas na Câmara (US$ 2,4 trilhões).

Mas a votação deve ficar para depois da eleição presidencial do dia 3.

No fechamento NY: Dow Jones teve queda de 0,35%, aos 28.210,49 pontos. S&P 500 caiu 0,22%, para 3.435,48 pontos. Nasdaq foi ao negativo, em 0,28%, aos 11.484,69 pontos,