Livre comércio, protecionismo e os efeitos na economia brasileira

Vejo as recentes investidas do presidente Trump contra o comércio internacional com certa preocupação. Creio que ele conhece os benefícios do comércio e quero acreditar que esses ataques à China e outros países buscam melhorar as condições para os EUA (ou seja, que se constituem em busca de barganhas). Mas, existe também a possibilidade de ele realmente achar que práticas mercantilistas (de protecionismo) são boas para os EUA. E, se ele achar isso, tanto os EUA, quanto a economia mundial, quanto nós, estaremos com sérios problemas.

Denys Wiese
Denys Wiese, bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e bacharel em Administração de Empresas pela Universidade Estadual de Santa Catarina (ESAG-UDESC) iniciou suas atividades profissionais no mercado financeiro em 2009 como operador de bolsa de valores. Já atuou como operador, assessor, professor e escritor, sempre em atividades ligadas às finanças. Entre 2014 e 2017, atuou também com consultoria tributária. Hoje é sócio fundador do site EuQueroInvestir, assessor de Investimentos da XP Investimentos (pelo AAI Indice Investimentos). Atua no segmento de alta renda, no aconselhamento e assessoramento em investimentos no mercado financeiro. Contato: denys.wiese@euqueroinvestir.com
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Para iniciar, vejamos um pouco de história.

Em 1776, o célebre economista inglês Adam Smith escreveu sua mais famosa obra “A Riqueza das Nações”. Nessa obra, o autor se debruça sobre as variáveis que realmente impactam no aumento da riqueza de um país. E, demonstrou com maestria que a riqueza vem da acumulação de capital; e esta por sua vez, advém da especialização do trabalho (divisão do trabalho).

[box type=”note” align=”” class=”” width=””]Na época que Smith escrevia, as cidades estavam crescendo exponencialmente, e as antigas guildas (corporações de oficio, artesãos) estavam sendo substituídas pelas fábricas capitalistas.[/box]

Um pouco depois em 1817, David Ricardo, economista e político britânico, escreveu “Princípios da economia política e tributação”, onde, dentre outras coisas, esclareceu com maestria as vantagens do comércio internacional, na sua “teoria das vantagens comparativas”.

Juntos, Adam Smith, David Ricardo e Thomas Malthus (não citado anteriormente) são considerados os pais da economia clássica, do individualismo e do liberalismo.

Eis variáveis que são pouco compreendidas pelos brasileiros:

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  • Acumulação de capital
  • Especialização do trabalho
  • Comércio (internacional ou não)

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Esses três pilares são indispensáveis para o aumento da riqueza de um país; em outras palavras, são indispensáveis para o crescimento da qualidade de vida; para o bem-estar geral.

Infelizmente, esses mesmos três pilares, tão importantes e indispensáveis, sofrem constantes agressões, motivadas por variados interesses de grupos politizados. Vamos ver?

A acumulação de capital, que nada mais é do que a acumulação de máquinas, tecnologia, imóveis, etc, na economia, aumenta sobremaneira a produtividade da força humana. Esse pilar é diariamente atacado por grupos sindicalizados, políticos, governantes, etc que não querem aumento de maquinário e tecnologia nas fábricas, com receio de seus clientes percam seus empregos. Aqui, algumas perguntas de fundo: por que então ter ALGUMA máquina na economia? Por que não voltamos ao trabalho puramente braçal? Estaríamos com pleno emprego? Estaríamos melhores?

[box type=”info” align=”” class=”” width=””]A especialização do trabalho, que nada mais é do que a repartição do trabalho em “pequenas partes”, de modo que cada parte seja executada com cada vez mais rapidez, qualidade e custo reduzido; é atacada diariamente por sindicatos, juízes do trabalho, OAB e outros. Exemplo: Reforma Trabalhista.[/box]

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O comércio, que nada mais é do que o aumento da satisfação de duas partes, via trocas voluntárias, é diariamente atacado por políticos, partidos, empresários improdutivos, etc. No exemplo mais recente, temos os EUA e a China em um jogo de ameaças, cada um prometendo aumentar tarifas de importação, de modo a proteger seus mercados nacionais (leia-se, empresários ineficientes).

Como o assunto da vez é essa guerra comercial, vamos nos ater unicamente, ao ataque ao comércio, também chamado de PROTECIONISMO. As pessoas que são protecionistas entendem que o comércio é um jogo de soma zero, onde um sai ganhando e o outro sai perdendo. Também acreditam que as exportações devem ser maiores que as importações; do contrário, o país sairia perdendo. Essas duas suposições estão muito erradas:

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  • Se o comércio internacional é um jogo de soma zero, onde um sai ganhando e o outro sai perdendo, por que as pessoas, os países, as empresas, etc, fazem comércio? Serão todos eles tolos? O fato é que o comércio é feito de maneira voluntária, onde duas partes ELEVAM seu bem estar ao dar algo que não valoriza tanto, e recebe algo que valoriza mais (do contrário a troca não existiria). Logo, há um aumento de riqueza para ambas as partes na realização de trocas comerciais.
  • Se o saldo da balança comercial positivo (exportações maiores que importações), por que o Brasil (classicamente um país exportador) é várias vezes mais pobre que os EUA (país classicamente importador)? O fato é que não há mal algum em sermos mais importadores que exportadores. Quando estamos importando, significa que bens e serviços (mais baratos do que conseguimos produzir) estão entrando no país, melhorando a situação inicial (sem importação). Ou seja, a importação faz com que os brasileiros tenham mais acesso a produtos, mais baratos. Outro exemplo: quando nós compramos de um supermercado, ou utilizamos o serviço de um restaurante, a nossa relação é de importação (estamos pagando); e a relação dos estabelecimentos comerciais é de exportação (estão recebendo). Não há mal algum em nos desfazermos de dinheiro, em prol de produtos, serviços, maquinários, etc. Aliás, como demonstrei em outras palavras, o crescimento, a riqueza de um país depende muito mais do capital investido na economia (máquinas, equipamentos, imóveis, etc) do que do dinheiro em circulação. Logo, um país ser mais importador que exportador, não implica que é um país pobre, ou que está mal.

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E, quando um governante de um país fecha as suas fronteiras com tarifas de importação, a quem deseja proteger?

  • Para a sociedade, aquele governante diz que quer proteger a sociedade, proteger os empregos e a renda. Mas, na realidade, ele está protegendo os empresários do setor ineficiente, que estão perdendo mercado para empresários externos mais eficientes. Toda uma cadeia de pessoas (desde empresários, trabalhadores, fornecedores, políticos, etc) é beneficiada. E, quem paga a conta? A sociedade em geral, que terá que arcar com custos mais elevados naqueles produtos outrora importados, e que agora, em função da tarifa de importação, se tornaram mais caros que os nacionais (mais caros que os importados sem a tarifa). É um custo gigante, diluído em muitas pessoas, que passa desapercebido.

Sendo assim, protecionismo é bom ou ruim?

É bom para pessoas ligadas ao setor ineficiente (pequena parcela da população); é ruim para o resto da sociedade (grande maioria) que terá produtos piores e mais caros.

Por que políticos gostam de protecionismo?

Por que o custo maior que a sociedade deverá arcar é pouco percebido (a conta é dividida em milhões de pessoas). Já os benefícios de agradar um setor são claramente visíveis para os protegidos, que irão aumentar o capital político daquele governante.

Bom, e para os investimentos, o protecionismo é bom ou ruim?

Se você investe em ações ou debêntures de empresas ineficientes, que estão sendo “trucidadas” pela concorrência externa; a proteção à essas empresas vai lhe beneficiar no curto prazo. No longo prazo, essa empresa acabará quebrando (por ser ineficiente) e você perderá seu capital do mesmo jeito.

Agora, se você não está nesse grupo (o que é bem provável), você necessariamente será prejudicado, mesmo como investidor. Se você é investidor de papeis de empresas que são obrigadas a pagar mais caro por determinado insumo protegido; sua empresa terá custos maiores, e lucros menores. No limite, o protecionismo aumenta o custo geral da economia; faz com que as empresas (não protegidas que são a maioria) tenham custos maiores e lucros menores.

O protecionismo faz com que empresas moribundas continuem existindo. O capital, o trabalho, a tecnologia, etc ficam alocados em setores que não deveriam existir. Esse fato faz com que falte capital, trabalho e tecnologia em outros setores (que são naturalmente produtivos); pressionando os preços desses fatores de produção para cima. TODA a economia sofre ao pagar custos de capital, de trabalho e de tecnologia mais altos, em função da salvação de setores moribundos.

[box type=”warning” align=”” class=”” width=””]Custos maiores significam lucros menores. Lucros menores, significam menores taxas de acumulação de capital, menos investimento, menos emprego, menos renda, menos arrecadação de impostos, MAIOR DÉFICIT PÚBLICO, MAIOR CUSTO BRASIL.[/box]

O protecionismo no longo prazo gera TAXAS DE JUROS MAIORES.

É por isso que, quando o Trump anuncia medidas protecionistas, setores protegidos sobem na bolsa; mas juros futuros (e a bolsa como um todo) acabam reagindo de forma ruim.

E o TESOURO DIRETO, como deveria reagir com medidas protecionistas nos EUA?

A princípio, negativamente, com aumento dos juros reais e nominais. Se os EUA se tornam mais custosos e menos produtivos, no longo prazo, terão que pagar taxas de juros maiores; desenvolvendo um efeito em cascata nas taxas de juros do mundo inteiro.

Quando e onde investir

O primeiro passo sempre será conhecer seus limites, sua tolerância a risco. Não entender seus próprios limites pode levá-lo a tomar as piores decisões com seus investimentos.

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