Com provável Selic a 2,25%, como ficam os investimentos?

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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Crédito: Reprodução/Instagram

Em live realizada no Instagram na manhã desta quinta-feira (7), Rafael Furlanetti, sócio-diretor Institucional da XP Investimentos e convidados discutiram os impactos da queda da taxa básica de juros no Brasil para os investidores. Para a corretora, até junho, a Selic deve sofrer novo corte de 0,75 ponto, alcançando 2,25%.

Ontem (6), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou redução pela sétima vez consecutiva. Mas, desta vez, surpreendeu com a diminuição de 0,75 ponto percentual.

A Selic, estabelecida em março a 3,75%, ficou em 3%, o que representa novo patamar histórico.

Para Victor Scalet, economista que comanda as pesquisas da XP e um dos convidados da live, mais importante do que o anunciado ontem é a projeção do novo corte que deverá ser feito daqui a 45 dias, na próxima reunião do comitê.

“A surpresa não foi exatamente o corte, mas o comunicado bem claro que de novos cortes serão feitos. Nós apostamos em novo corte de 0,75 ponto percentual. Isto porque, dentro desses 45 dias, muito dificilmente haverá qualquer melhora no cenário econômico”, pondera.

“O que temos hoje é inflação em queda, produção industrial comprometida, vendas no varejo em queda e taxa de desemprego alta, mesmo antes do Covid-19. Com isto, a tendência é o Copom fazer novo corte significativo”, afirma.

Importância do teto de gastos

Outro economista convidado, Pedro Jobim, da Legacy Capital, salientou a importância do teto de gastos do governo ser mantido para garantir estabilidade econômica ao país, mesmo com a aprovação do chamado Orçamento de Guerra, que amplia o gasto público em decorrência da pandemia de coronavírus, e da polêmica sobre o congelamento de salários do funcionalismo público.

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Para Jobim, é importante não perder o horizonte de austeridade, com atenção ao teto de gastos. “Enquanto Paulo Guedes estiver no governo, e há indicação de que permanecerá, a linha da austeridade está garantida”, afirmou.

Três dicas para o investidor

Último entrevistado da live, Fernando Ferreira, head de análises da XP, elencou três dicas para um cenário de Selic a 2,25%, listadas abaixo.

Tenha investimentos em dólar

Projeções dão conta de que a moeda americana alcance R$ 6. E é relevante ter parte dos investimentos em outra moeda, que pode ser o dólar, euro ou libra.

O total de investimentos em outra moeda é uma decisão particular, mas a recomendação é estimar o quanto se gasta anualmente em dólar.

Por exemplo, se os gastos anuais, com viagens, celulares e outras despesas em dólar, representar 20% do orçamento anual, então é recomendável ter 20% do total dos investimentos em outra moeda.

“Não sejam torcedores do dólar, esperando ele cair para poder viajar”, recomenda.

Ferreira aponta a possibilidade de compra de ações das 500 maiores empresas listadas na S&P via Bovespa e também da participação em fundos globais da XP.

“Antes estes fundos eram apenas para pessoas de altíssima renda, mas agora ficaram muito mais acessíveis e são muito interessantes”, diz.

“Não é mais preciso comprar dólar e guardar no cofre ou apostar apenas em fundo cambial”, complementa.

Renda fixa não morreu

Apesar da Selic em queda, a renda fixa continua a ser a melhor opção para a reserva de emergência e também para investimentos a longo prazo.

“Reserva de emergência tem esse nome não por acaso. Ela não visa retorno, visa proteção e liquidez”, explica Ferreira.

Ele aponta também como vantajosos os papéis com prazo longo e retorno de 8% ao ano de empresas triple A. E os que corrigem uma possível inflação em cenário pós-Covid, como o IPCA + 4%, que garante um bom retorno.

“Mas tem que ter em mente que você vai manter o papel até o vencimento. Compra e esquece”, ensina.

Renda variável é melhor opção de retorno

Ferreira é otimista com o avanço no número de pessoas físicas no mercado de ações. Para ele, o cenário atual demonstra que o brasileiro já entendeu uma regra básica de educação financeira. Que a hora da compra é na baixa.

“São 35 bilhões de investidores individuais na bolsa, muita gente migrando para a renda variável, o que é muito positivo. Mas ainda temos R$ 1 trilhão investido em poupança no Brasil. E poupança não é investimento”, salienta.

“As ações são a melhor opção de ganho hoje. Mesmo se você não tiver nenhum ganho de capital, só os dividendos já valem a pena. Já pagam mais do que a Selic”, explica.

Ele reforça a necessidade de que o investidor busque sempre informações relevantes em redes sociais e portais especializados. E que também conte com a ajuda de um assessor de investimentos para fazer os movimentos certeiros.

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