Com juro baixo, Brasil fica pouco atrativo, avalia Oliveira da Quantzed

Cláudia Zucare Boscoli
Jornalista formada pela Cásper Líbero, com pós-graduação em Jornalismo Econômico pela PUC-SP, especialização em Marketing Digital pela FGV e extensão em Jornalismo Social pela Universidade de Navarra (Espanha), com passagens por IstoÉ Online, Diário de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Editora Abril.
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O sócio e professor da Quantzed Trading, Marcelo Oliveira, avaliou o cenário em que o Brasil se encontra de Selic baixa e dólar em alta durante live da EQI Investimentos.

Segundo ele, com uma taxa de juros baixa (atualmente em 3%), o Brasil fica pouco atrativo para o investidor trazer capital para aplicar no país.

Cenário este que deve permanecer por um bom período, já que analistas projetam novos cortes da Selic até o final de 2020.

Ou seja, a tendência é de dólar mais caro e real ainda mais desvalorizado.

EUA

Com longa carreira no BTG, Oliveira iniciou, de Miami, onde reside, um curso totalmente online, o Quantzed, que ensina traders iniciantes ou avançados a operarem no Brasil e nos Estados Unidos.

Entre outras coisas, ele contou porque, particularmente, prefere investir apenas nos EUA. “O mercado brasileiro tem ineficiências e muita instabilidade política. Nos EUA, os movimentos são mais certeiros”, afirma.

“O investido americano não é como o brasileiro. Ele não quer ação barata. Ele quer um cenário macroeconômico favorável”, resume.

Veja a live na íntegra:

Por que o dólar não para de subir?

Para Oliveira, os fatores elencados abaixo explicam a desvalorização do real frente ao dólar.

Brasil é um país de commodity

“Com coronavírus e recessão global, os preços das commodities estão e vão continuar a ser pressionados para baixo. Produtores vão vender mais barato no exterior e receber menos dólares”, resume.

Risco político

“Passamos pela reforma da previdência, mas as demais reformas, administrativa e fiscal, principalmente, foram deixadas de lado por conta da pandemia. E isto representa um risco político”, diz.

Brasil perdeu grau de investimento

“As notas das agências de rating são fundamentais para os fundos de pensão norte-americanos. Se o Brasil perde grau de investimento, estes fundos obrigatoriamente deixam o país e vão investir em outro lugar. Ou seja, tiram dólares do país”.

Brasil está “atrasado” quanto a coronavírus

“A dificuldade do Brasil achatar a curva do contágio passa a impressão de que o Brasil está ‘atrasado’ em relação ao mundo na crise do coronavírus”, ele diz.

Além disso, ele aponta a demora do país, em comparação com os Estados Unidos, para socorrer, de maneira efetiva empresas e pessoas. “Nos EUA, antes da curva de contágio bater no pico, US$ 6 trilhões já estavam sendo colocados pelo Fed (Federal Reserve, banco central norte-americano) para auxiliar as empresas e comprar títulos”, afirma.

“Todo americano recebeu em casa, pelo correio, um cheque de US$ 3 mil, que garantiu o pagamento das contas, do aluguel. No Brasil, a pessoa passa a madrugada na fila para receber R$ 600 de auxílio”, compara.

Real desvalorizado interessa às exportações

“Ao Banco Central não interessa um real valorizado no momento. O foco é incentivar a exportação”, avalia.

Instabilidade política é grande

“Estamos no meio de uma pandemia e perdemos ministros a cada semana, isso gera mais instabilidade e insegurança para o investidor”, aponta.

Prática do carry trade

Todo este cenário desenhado por Oliveira incentiva o investidor estrangeiro a também abandonar a prática conhecida como carry trade no Brasil.

Esta estratégia de investimento consiste em pegar dinheiro emprestado em um país que tem taxas de juros baixas (como Europa e EUA, por exemplo) e aplicá-lo em outro país, com taxa de retorno maior nos investimentos.

Com Selic baixa, o Brasil também deixa de ser atraente para este investidor específico.

“Acabou o carry trade para o gringo. Com taxa de juros a 3%, a gente não tem mais nada atrativo”, conclui.

Brasileiros de olho em investimento nos EUA

Para Marcelo Oliveira, é cada vez maior o interesse dos investidores brasileiros nos EUA. Ele cita como boa opção aos interessados em começar no mercado norte-americano os bonds de empresas brasileiras. Azul e Gol, por exemplo, têm retorno de 10% em dólar, diz.

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“Ao operar nos Estados Unidos, você não tem a variação cambial. E os bonds são conservadores, especialmente se você carregá-los até o vencimento. São quase uma renda fixa”, diz.

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